A Turquia e o califa Erdogan

Erdogan já provou que a democracia era, para ele, um mero caminho para conquistar o poder. O fascismo islâmico irrompeu na máxima apoteose após o golpe de Estado cuja preparação, desencadeamento e contenção acompanhou, através da rede islâmica que organizou.

Perante o aplauso dos adeptos e o terror coletivo dos adversários e simples apoiantes da democracia, exerce o poder discricionário. Humilha o poder judicial, reprime os curdos, demite professores, fecha jornais, prende jornalistas, persegue juízes e desmantela todos os poderes que lhe podem cercear a ambição.

Da União Europeia chegam tímidos apelos para respeitar o Estado de Direito, como se fosse sua intenção mantê-lo quando a Nato e as UE o apresentavam como muçulmano moderado. Erdogan é um produto do atual momento histórico que o Islão atravessa, na sequência do fracasso da civilização árabe e do ressentimento por invasões ‘cristãs’, em busca do domínio do petróleo.

Os métodos do Estado Islâmico são a prática interna do ditador que sonha agora com o califado, e não hesita em desafiar os aliados. Ele nunca esteve na Europa das liberdades, esteve sempre com um olho em Meca e outro nas suas ambições.

A Europa tem mais um trágico problema à sua porta.

Comentários

e-pá! disse…
A suspensão pelo Governo turco da Convenção Europeia dos Direitos Humanos tem obrigatoriamente de ter consequências.
O julgamento político do 'contra-golpe de Erdogan' não pode ficar por tímidos apelos ao respeito pelo Estado de Direito (como se denuncia no post).

Mais do que a destruição do Estado de Direito o que está a suceder na Turquia é a criação de um Estado Islâmico.

Enquanto fechar os olhos a esta retrógrada mudança qualitativa da natureza do Estado, a União Europeia está colaborar com massacres, torturas e arbitrariedades e a ver vamos se tudo não acaba em execuções em massa.

A Europa tem uma traumática experiência do que é contemporizar com este tipo de acontecimentos e situações.
Esperemos que os dirigentes europeus não se esqueçam das lições da História, nomeadamente a chanceler alemã que observou situações similares e agora é, de novo, deslocada para o centro do furacão.

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