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O novo governo dos Açores – A aritmética e o pudor

PS – 25 ; PSD – 21 ; CDS – 3 ; Ch – 2 ; BE – 2 ; PPM – 2 ; IL – 1 ; PAN – 1 A alternância democrática é uma exigência do regime em que me revejo; e a integração de partidos que combatem a democracia, um ultraje. Não podendo Rui Rio reconduzir o PSD à sua matriz fundadora rendeu-se ao que dele fizeram Cavaco e Passos Coelho. O PSD, que aprovou a CRP, um partido fundador do regime democrático, abdicou da a dignidade e da defesa da democracia.   A pressa do regresso ao poder nos Açores levou todos os partidos da direita democrática a cometer a indignidade de integrarem na normalidade um partido fascista. E não havia necessidade de se sujeitarem a tal humilhação, a tão despudorada cumplicidade, escrita e assinada. Olho para os números e vejo que ao PS, admitindo que o BE o apoiava, não conseguiria a maioria (ainda há quem pense que o PAN é um partido de esquerda). Teria sempre 28 votos contra. Perante o impasse, o segundo partido (PSD) seria convidado...

A fé é que a salva

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  'Senhora' brasileira cheia de fé e com a alma a caminho da lavandaria.

Eleições presidenciais

A marcação da data (24 de janeiro de 2021), pelo atual PR, Marcelo Rebelo de Sousa, sem antes anunciar se é ou não candidato, é um ato insólito e desleal para com os portugueses. Espero que os candidatos que já anunciaram a sua candidatura reajam, como devem.

Cavaco Silva e a arte

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 O ar de entendido a apreciar Miró.

Quando o silêncio é uma forma de cumplicidade

Em 46 anos de democracia nunca assisti a uma campanha tão bem orquestrada e eficaz contra o PCP como aquela que os média, os partidos concorrentes, as redes sociais e os fascistas ressuscitados organizaram de forma demolidora, e mantêm em marcha. Em política não há gratidão, mas exige-se pudor nas atoardas, um mínimo de decência nos ataques e alguma verdade no combate democrático. Podem esquecer-se os militantes que morreram nas masmorras da Pide, os combatentes contra a ditadura, os torturados, assassinados, demitidos da função pública e deportados; pode esquecer-se o seu sofrimento, o contributo do PCP para a arquitetura democrática do Portugal de Abril, para o equilíbrio partidário da democracia oferecida pelo MFA; pode esquecer-se a sua participação na elaboração da CRL, na organização sindical dos trabalhadores e no combate democrático; o que não se pode negar ao PCP ou a qualquer outro partido é o direito de reunião. As reuniões partidárias não podem ser proibidas pelo Gove...

A UE, o OE-2021 português e a luta partidária

Com o Orçamento da UE bloqueado pela Polónia e Hungria, países onde a democracia não é um ideal dos governantes, nem o respeito pelos direitos humanos o seu desígnio, joga-se em Portugal um braço de ferro à volta do OE que vai provocar um terramoto na futura geometria partidária. Resta saber em quem os eleitores portugueses de esquerda verão polacos e húngaros. O Brexit continua a ser uma tragédia para o Reino Unido e para a União Europeia, sem saída airosa para um necessário entendimento que minimize os danos de um divórcio de inapagáveis traumas e prejuízos mútuos irrecuperáveis. A pandemia não dá tréguas e a vacina, por mais próxima, eficaz e generalizada que seja, não normalizará uma economia que se afundou no mundo, particularmente fora da área económica chinesa que cavalga a onda favorável a caminho da hegemonia planetária. Com um futuro tão incerto, com os previsíveis abalos sísmicos que as consequências da pandemia provocam na sobrevivência dos cidadãos e garantia das n...

A missa em Fátima – Perplexidades de um ateu

O PR, Marcelo Rebelo de Sousa, e o PM, António Costa, assistiram, no último sábado, 14 p.p., a uma missa em memória das vítimas da pandemia da covid-19, em Fátima. Surpreende que: 1 – O local da celebração da missa contribua para a sua maior eficácia; 2 – A presença do PR e do PM sejam úteis ao ato litúrgico; 3 – A Basílica da Santíssima Trindade seja mais apropriada do que qualquer capela; 4 – O bispo José Ornelas, presidente da CEP, esteja melhor relacionado com o Divino do que o padre de uma aldeia; 5 – Os defuntos da Covid-19 apreciem mais a missa do que os outros; 6 – Haja discriminação de defuntos, em função da patologia que levou à defunção,   pelo PR e PM; 7 – Em tempo de pandemia, seja aceitável a deslocação do PR e do PM; 8 – A prática de uma crença particular mereça exibição pública; 9 – O Estado laico exponha os seus mais altos dignitários a piadas jacobinas; 10 – O exemplo seja recomendável e repetível. No entanto, sem questionar a legitimidade ...

EUA – A derrota de Donald Trump e as oportunidades para a UE

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  Não foi a vitória de Biden que me empolgou, foi a derrota de Trump que encantou e me fez voltar a acreditar que os EUA são regeneráveis. Por maiores defeitos que se tenham entranhado no tecido social de um país de injustiças sociais gritantes, o amor à liberdade e a coragem de jornalistas, capazes de pararem uma conferência convocada pelo PR, redimem. Quando Trump debitava mentiras, foram-lhe silenciados os microfones e os telespetadores prevenidos de que estava a “fazer falsas declarações”. Não foi a decisão de um jornalista suicida, na própria Casa Branca, foram três cadeias de televisão generalista, ABC, CBS e NBC. Isto é motivo de esperança. É surpreendente que um país cuja independência foi proclamada por agnósticos maçons, fugidos das guerras religiosas da Europa, se tenha tornado feudo do fundamentalismo evangélico, e que um país, criado por imigrantes, atinja níveis de xenofobia intolerável. Por ignorância e maldade, o isolacionista Trump, foi aliado objetivo de Erd...

Que raio de sorte!

Quando a esperança de vida se ia reduzindo, fruía-se o tempo com os amigos e os dias eram contados em função do regresso de filhos e netos. Os afetos explodiam e os braços enchiam-se de corpos que se estreitavam; os lábios encontravam faces que se ofereciam à doce carícia de contactos; os dias eram o espaço de tempo para exprimir sentimentos, cultivar ócios e regressar às leituras que nos preencheram a vida. Tudo nos fazia esquecer as rugas, os lapsos de memória, moléstias da idade e dores do corpo e da alma. Tudo se desvaneceu numa reclusão autoimposta ou em deambulações solitárias, na esperança de um impossível regresso à normalidade. Um homem nunca anda só, é verdade, traz consigo memórias de vida, marcas do trajeto que percorreu, histórias por contar, recordações que nos preenchem os vazios, mas falta agora a alegria que os amigos traziam à tertúlia e até o ar que se inspirava na tranquila e lenta oxigenação dos pulmões, agora concentrado de anidrido carbónico que se acumula na...

A FRASE

«Nos seus ‘programas ativos’, o BE e o PCP caminharam para a democracia, o Chega caminha para fora dela e a força da sua inegável vitalidade vem daí.» José Pacheco Pereira, Público – 14-11-2020

A menina Efigénia Fagundes – Metáfora sanitária

Efigénia Fagundes era a última dos 7 irmãos, ainda conhecida por ‘menina’, depois dos 70 anos, pelo celibato e castidade. Gabava-se de ser a mais parecida com o pai, teimosa e determinada. Ainda há dias, discutia acaloradamente com um primo que não saía à rua sem máscara, a azucriná-lo pelo seguidismo em relação às recomendações da ministra e da diretora-geral da Saúde, pessoas que detestava com a mesma sanha dos bastonários do sector. O primo argumentava que era obrigação do próprio, e para com os outros, a norma que, neste período de pandemia, reduzia as cadeias de transmissão do vírus e os riscos de contágio. Pois sim, “a mim ninguém me obriga a usar máscara, nem em locais fechados, sempre houve gripes e vai continuar a haver, a ministra e a diretora-geral não mandam em mim”, dizia a menina Fagundes ao primo enquanto o acusava de medricas. Farto da prima e da descompostura, não resistiu a lembrar à 7.ª cria do sr. Fagundes e da D. Gertrudes, seus tios, o motivo por que ela n...

Coisas da política

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Não querendo aquela coisa regressar ao PSD, onde Passos Coelho o iniciou na vida autárquica, resolveu Rui Rio aceitar a coisa, num abraço suicida, para a alimentar com a sua própria honra.

EUA & Brasil

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  Nem tudo o que pode correr mal, corre necessariamente pior e da pior maneira. Há motivos de esperança na remoção dos primeiros furúnculos.

Estados Unidos da América (USA)

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  Biden quer entrar, mas Trump recusa-se a sair.

O principezinho e a coroa (metáfora política)

Havia um príncipe, acossado por vassalos rebeldes, desejosos do regresso do anterior ou de um equivalente, mais reacionário e incapaz, com a coroa em risco por não conseguir a derrota dos republicanos ainda no poder. Surgiu no principado a possibilidade aritmética de o príncipe remover o republicano que      levava dois mandatos num arquipélago da coroa, e precisava da conivência de marginais para o afastar, embora com nojo generalizado do principado aos sequazes do batráquio. Entre o poder e a honra, foi mais forte o primeiro, e o príncipe beijou o sapo a pensar na princesa em que o transformava, branqueando-lhe a viscosidade e integrando a peçonha, agora no arquipélago e, no futuro, talvez em todo o principado. Chegou-lhe uma cobra onde quis ver a princesa, e o que mais custa é o primeiro beijo. O príncipe, que continua odiado pelos súbditos, agora também pelos que o estimavam e lhe garantiam o apoio, perdida a honra, desatou a inventar desculpas. Diz que a cobr...

A liberdade de expressão e a democracia_2

A minha liberdade não acaba onde começa a arbitrariedade dos outros nem a dos outros termina onde começam as minhas idiossincrasias. A liberdade de expressão tem de estar muito além do que cada um de nós deseja aceitar aos outros. Não faria qualquer sentido que pudéssemos impedir o que nos incomoda ou ofende e que a lei consagrasse o direito de não sermos irritados ou ofendidos. Todos as correntes filosóficas, religiões, tradições e crenças podem, e devem, ser objeto de crítica, refutadas, aplaudidas ou troçadas. Quem conheça a evolução dos costumes sabe quão perigoso seria condescender com as tradições, crenças e hábitos que passaram de geração em geração. Desde a antropofagia, escravatura, tribalismo e pedofilia, até ao advento da civilização, foi longo e penoso o caminho percorrido. A moral é a ciência dos costumes e podemos dizer que a moral da civilização é incomparavelmente superior à das tribos patriarcais. Do criacionismo à ciência, há um longo caminho andado, com vítim...

Estados Unidos da América

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O riso é a catarse do medo.

Estados Unidos da América

Trump não é o único primata perigoso com alma de ditador. As mais poderosas ditaduras do Planeta estão com ele: Rússia, China, Brasil e Turquia recusam saudar Joe Biden como presidente-eleito dos EUA.

Se não autorizasse era substituído...

  O Procurador-Geral dos Estados Unidos autorizou, na segunda-feira , investigações por "alegações substanciais" de irregularidades na contagem dos boletins de voto,  antes da certificação das presidenciais de 3 de novembro, apesar da falta de provas de fraude.

Donald Trump – A remoção de um aldrabão contumaz

Derrotado com mais 7 milhões de votos do que aqueles com que venceu as eleições em 2016, numa prova insofismável de que os EUA estão doentes, talvez a prenunciar o fim da hegemonia global, recordo com gosto o texto que escrevi, no dia de hoje, há 4 anos.  *** «Hillary e Trump – As eleições americanas e o desvario coletivo A nação mais poderosa do mundo serviu-nos o mais deprimente espetáculo, próprio do país capaz do melhor e do pior. De um lado, Wall Street; do outro, a Disneylândia. O medo de Hillary e o terror de Trump decidiram o voto. Entre o aldrabão imprevisível e a competente agente do capital financeiro, a América preferiu o cancro à SIDA. O Mundo dividiu-se em quatro categorias, acompanhando os eleitores autóctones: – os indiferentes; os que gostariam que perdessem os dois; os que queriam a vitória de Hillary, para derrotar Trump; os que apoiaram Trump, para destruir Hillary. Sabe-se o que sucedeu. Os Democratas apoiaram a mais bem preparada para defender os interesses do...