Demagogia, postulados numéricos e contas da Direita…

Declarações de Pedro Passos Coelho:

"Eu quando digo que estou preparado para construir um Governo com não mais do que dez ministros, falo evidentemente da possibilidade de o PSD ter maioria absoluta. Claro que se não tivermos essas condições sabemos que teremos que negociar um Governo que pode ter outras exigências. Espero que não seja necessário". link

Esta resposta de PPC ao recado do PR divulgado através do semanário Expresso deste fim-de-semana link (prontamente desmentido pela PR, como seria de esperar) mostra como a Direita usa e abusa das preocupações populares sobre gastos supérfluos do aparelho governamental para fazer demagogia e propaganda política.

Na verdade, a composição numérica do Governo é irrelevante. O que de facto impressiona os cidadãos são os extensos gabinetes ministeriais, pejados de assessores, consultores, auditores, adjuntos, coadjutores, ajudantes, auxiliares, etc., principescamente pagos (avençados), sem horários de trabalho, sem responsabilidades públicas, politicamente imunes e impunes. Habitam na penumbra desses gabinetes. Na verdade, os elencos ministeriais têm na sua estrutura orgânica quadros técnicos e profissionais nas diferentes áreas cuja competência é posta em causa por estas contratações e cuja carreira pública é humilhada por agentes externos, quase sempre efémeros (duram até à rotatividade do Ministro), facto que não garante uma estabilidade e continuidade nas tarefas quotidianas da administração pública.
Sendo assim, para ultrapassarmos este tipo de populismo e consequentemente dignificarmos o aparelho de Estado (que não importa só “emagrecer”, mas conservar “saudável”) interessaria saber o número global de pessoal afecto a cada um dos Ministérios – desde o topo à base – que incluísse todo este pessoal contratado, em comissões de serviço, de nomeações extraordinárias e, para além de tudo, com um denominador comum: “convidado” (por méritos "não-escrutináveis"). Provavelmente, seriamos surpreendidos por uma realidade diferente da que está a ser "vendida" aos eleitores.

A boa notícia sobre um futuro elenco governamental seria a aposta no sentido de o aparelho de Estado (até à categoria de Director-Geral) ser preenchido por concursos públicos, idóneos, transparentes, abertos e por uma carreira pública, com avaliações independentes, isentas e rigorosas. Acabar com um interminável número de cargos “de confiança política”. Incrementar carreiras de administração pública baseadas na competência técnica e profissional e na motivação e aptidão para servir a “coisa pública”.
O que nem sequer é uma medida de Esquerda. É, tão simplesmente, transpor para o Governo a ética republicana.

Comentários

Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote (87anos)direi que êste artigo está muito bem concebido e é uma análise
perfeita àcerca dum Mal que já vem de muito longe,pois os que governam
e desgovernam Portugal,são filhos da mesma Escola.Com a Ditadura
clerical-fascista do Estado Novo, também em muitas Repartições do
Estado,havia gente que fazia nada.
Eu sei dum que tinha dois chapéus,
e quando perguntavam por êle,diziam
que «êle deve andar por aí,pois o chapéu dêle está no bengaleiro».Mas
êle,de facto estava no Café.Eram os «tachos»arranjados pelos amigos para os amigos.Um ricaço da minha terra que era proprietário mas que
nunca trabalhou nas suas fazendas,
pois tinha quem trabalhasse nelas de sol a sol e com salários de miséria,um dia pôs tudo em nome da filha e a Casa do Povo(uma criação do clerical-fascismo salazarento)
considerou-o como pobre e arranjou-lhe um subsídio.A corrupção afinal é a todos os níveis da Sociedade.
E infelizmente eu prevejo que nas próximas Eleições,é a Direita,seja
ela do PS ou do PSD com ou sem o
CDS/PP que irá ganhar a Chefia do
Governo dêste País à beira-mar plantado,que é terra da Imaculada Conceição desde o reinado de D.João IV,porque a Seita Negra
judaico-cristã ainda continua pastoreando o rebanho do Senhor.
Rui Cascao disse…
Concordo perfeitamente consigo e-pá. Para além de ser uma proposta puramente demagógica, um Governo demasiado pequeno poderia comprometer a sua operacionalidade, nomeadamente no que diz respeito à participação nas reuniões do Conselho da UE.

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