O ardil da Direita...



Independentemente do todos os habituais dizeres sobre o valor errático das sondagens é hoje impossível ignorar um nítido um deslizar do eleitorado para a Direita.


Não interessa focalizar a disputa entre o PSD e PS. É a Esquerda que, na sua globalidade, cede terreno à Direita.


O PS, enquanto governo em tempo de crise, sofre da natural usura do exercício do poder e não consegue iludir o fracasso de ter de aceitar [suscitar] a intervenção externa.


Não basta afirmar que as forças políticas à esquerda do PS coligaram-se com a Direita para derrubar o Governo. O PS sabia, desde há muito, que quer o PCP, quer o BE, não votariam "pacotes de austeridade". Quando o Governo colou a sua permanência no exercício de funções na dependência da aceitação do PEC IV, sabia os riscos que corria. Por isso, "só" negociou esse último PEC com o PSD e, mesmo assim, "às escondidas". Deixou o terreno político à sua esquerda desguarnecido.


Esta situação de desfazamento da Esquerda em relação ao País agravou-se com a polémica recusa do PCP e BE em negociar com a troika. Esta atitude negacionista da realidade do BE e PCP teve como consequência colocar o PS [subscritor do memorando da troika] isolado perante a Direita. O PSD e CDS fogem de qualquer convergência com o PS. A estratégia foi emparedar o PS. Colocá-lo na oposição sem margem de manobra para contestar a política ultra-liberal da Direita, por via da assinatura do memorando elaborado [UE, BCE e FMI].


Perante este cenário torna-se imperativo perguntar [discutir] quais as razões que levaram a Esquerda a cair neste ardil?

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