Demagogia e governação

A viagem do primeiro-ministro num voo de cerca de duas horas, em classe turística, viagem oferecida pela TAP, parece um acto de mera demagogia que não produziu qualquer efeito nos desmandos que se verificam na função pública e não originou qualquer economia.

A Companhia aérea não faria ao governante a ofensa de lhe oferecer um lugar onde os assuntos de Estado, que certamente estuda em viagem oficial, ficassem à vista do passageiro do lado, nem o país se prestigia com o primeiro-ministro a viajar em turística.

É  uma atitude parecida com a dispensa de gravata aos funcionários pela ministra Assunção Cristas para poupar na despesa do ar condicionado. Eu ignorava que a gravata ainda era obrigatória e fico ansioso para conhecer o despacho equivalente para as funcionárias.

Outra insólita ideia, certamente para esquecer, consiste na privação do carro de estado, aos fins de semana, para os membros do Governo, sendo estes dos poucos que, até em férias, estão sempre de prevenção e sujeitos a qualquer hora do dia e da noite a terem de tomas decisões.

Com estas atitudes rejubilam os espíritos mesquinhos, invejosos e perversos enquanto nas autarquias e regiões autónomas, nas Forças Armadas, nas polícias, nos ministérios e nas exóticas empresas públicas municipais milhares de funcionários usufruem de carros descaracterizados que levam os meninos à escola e as famílias para a praia.


Ponte Europa / Sorumbático

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