O FMI e a independência nacional

Posso compreender que me roubem a paz, que me matem a esperança, que me deixem apodrecer à míngua e morrer de inanição. Sei do que são capazes os usurários, conheço os cobradores de dívidas, os de fraque e os outros, a inclemência dos despejos a quem já perdeu o emprego e vê a família nas bichas da caridade.

Já vi muitas coisa, senti revolta e indignei-me. Nunca julguei alguém, em desespero, por ter perdido a dignidade e ser capaz de tudo.

Mas um Governo, gente que ainda come de faca e garfo, aceitar que um credor ameace os Tribunais, como hoje vi os funcionários do FMI que me caíram na sopa, foi mais do que o estômago consente e de que o sistema nervoso aguenta.

Para que o nojo atingisse o paroxismo, faltava ouvir os cobradores a falar de «números mágicos», sem saber se o Governo tinha copiado a expressão deles ou se os ventríloquos repetiam a expressão que aprenderam do Governo.

Comentários

elisa scarpa disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
A mim deu-me vómitos, amigo Esperança. A máscara do capitalismo "altruísta" vai estilhaçando-se.
Na minha vida, nunca pensei assistir a semelhante degradação dos valores e dos princípios. Afinal, as aves de rapina existem. E são insaciáveis.
Belo texto, o teu.
Agostinho disse…
Pois é, mas, entretanto, as declarações recentes do economista Paul de Grauwe ("Portugal errou ao querer ganhar o concurso de beleza da austeridade")parece terem feito uma pequena chispa nos olhos do "messias"?

O redentor começou ontem, de mansinho, com o salário mínimo nacional, (para o ano há de haver atualização com conversações na Concertação Social). Hoje foi um corropio: o Irrevogável, o correlegionário patrão Super Bock, o porta-voz Marques e o jovem da lambreta. Todos estes apóstolos começaram a dizer que não concordam com a posição do FMI que defende a baixa dos salários. E não se vão calar por uns tempos para recuperar fiéis e conquistar o corações ímpios.

O Governo do pin na lapela, prova do elevado patriotismo que o afeta, tem uma posição divergente da do FMI. Uma!!! Terá de a anunciar com persistência e convicção para que a fé se dilate. Será isso mesmo que pensam ou trata-se de unto ao TC para que o Orçamento atravesse a ponte sem cair à água? De qualquer maneira não se perde nada ir preparando as próximas eleições para que a banhada das Autárquicas não se repita.

A Irlanda é que, não há dúvidas, é uma desgramada, a desligar-se desta maneira, das amizades da rua escura, dizendo não precisar de ajuda de ninguém. Está confiante na sua formosura para seduzir os senhores dos mercados, lá para dezembro.

O PPC, coitado, ficou sem namorada. Ele que gostava tanto de andar de braço dado com a rapariga loira, desdenhando da Grécia que anda perdida pelos esconsos antros do Cais do Sodré. Vê-se então o senhor das oportunidades a ganhar com o desemprego, de repente, desamparado sem saber o que fazer. Ainda cortou e pintou o cabelo, mudou de penteado, na esperança dos favores gaélicos, mas, qual quê: levou com os pés.

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