Corrupção, ideologia e ética


A corrupção é suscetível de atravessar todo o espetro partidário, mas a sua incidência é mais marcada em partidos que ocupam o poder, dependendo a perceção da liberdade de informação, que só os regimes pluripartidários consentem, enquanto a ética assume um carácter mais pessoal, havendo, em qualquer partido, pessoas impolutas e venais.

As necessidades de financiamento partidário e a proximidade dos grupos económicos, com porta giratória entre os governos e as empresas, promovem a corrupção, enquanto a perceção depende da comunicação social e, sobretudo, dos interesses que ela defende.

O poder judicial devia ser o garante da investigação imparcial e do julgamento isento de todos os crimes, sem prejuízo do julgamento político que cabe à AR e aos cidadãos, mas a promiscuidade que parece haver entre alguns agentes e a comunicação social tem sido motivo de preocupação com a eventual politização da Justiça.

O que não se pode aceitar é a colossal campanha de intoxicação desta direita, que deseja decidir quem deve governar. Pode a pressão mediática amedrontar o próprio PS, este a quem a direita não perdoa o apoio do BE, PCP e PEV, pode o ‘bullying’ atemorizar os próprios dirigentes, pode a direita enredada nos maiores escândalos do regime esconder os seus com o ruído, o que a esquerda não pode é pactuar com a campanha dos adversários que chamam a si os piores trânsfugas e os maiores oportunistas, desde António Barreto, a Zita Seabra de calças que não foi a cursos de cristandade do Opus Dei, até aos antigos militantes do MRPP que cumpriram o papel provocatório e hoje, como então, estão ao seu serviço.

Basta ver os rostos dos grandes corruptores, que aqui deixo, e saber quem são, ou eram, os seus amigos. É preciso topete para a D. Cristas exigir desculpas por quem ainda não foi julgado, numa atitude que se compreende em quem ignora como tem sido financiado o seu partido e o mal que fez em assinar a resolução do BES na mais pura ignorância e a pedido de uma colega de Governo.

Esta direita prenhe de virtude, que julga que a esquerda necessita de nascer duas vezes para ser mais séria de que ela, é incapaz de autocrítica.

Quando um cidadão admitiu que ganhou de um banco aldrabão um lucro de 132%,  com ações não cotadas em Bolsa, se as pagou, e ocupou os mais altos cargos da República; quando o gestor de uma empresa falida que recebeu mais de 6 milhões de euros que, por comprovada burla, a UE viria a exigir a devolução, e ignorava que era preciso pagar à Segurança Social, se tornou PM; quando um gestor de uma empresa de sondagens falida fraudulentamente admitiu, com candura, que não tinha recibos porque eram estudantes os assalariados, e chegou a vice-primeiro-ministro; quando o banqueiro do PSD chegou a líder do BPN e o do regime, dono do BES, ajudou a preparar em sua casa a primeira candidatura vitoriosa de Cavaco a PR,  reunindo aos dois casais o do ex-PM cúmplice da invasão do Iraque e o do PR seguinte, há coincidências a mais num país a menos.

E há, como se vê, descaramento em excesso.

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