Escândalos à medida das necessidades

À medida que os sucessos no campo económico e no emprego se acumulam, esta direita mobiliza todos os ratos do seu esgoto para a orquestração concertada contra o governo, a que não perdoa o apoio parlamentar do BE, PCP e PEV cuja exclusão governamental julgava legítima e definitiva.

Compreende-se a raiva e uma espécie de ressurreição do ELP e do MDLP, agora com as bombas e assassinatos ausentes. Cerca-se o governo com escândalos políticos, reais ou imaginários, reservados há muito para ocultar os seus e denegrir os resultados nos juros de empréstimos, na criação de emprego, na melhoria da média das remunerações, na confiança internacional e na estabilização da banca.

Hoje, em vez de se lançar uma bomba a uma sede do PCP, dispara-se a suspeição de um lugar num desafio de futebol a um ministro; em vez de se matar um padre de esquerda, divulga-se o vídeo do interrogatório a um arguido da área adversária; por cada notícia benéfica solta-se um primata de Poiares a mandar calar o chefe da Proteção Civil; cada dificuldade da direita reativa os incêndios nos telejornais e, na ausência do PR às missas de sufrágio, publicam-se listas de arguidos relacionados com o partido do Governo.

Em vez de um Ramiro Moreira a pôr bombas, temos a D. Cristas a chamar mentiroso ao PM; não podendo dividir o SNS entre privados e Misericórdias, os partidos que votaram contra a sua criação reclamam dos problemas que deixaram e das faltas para que não há orçamento que resista; os fogos e os escândalos políticos, só dos adversários, são armas sempre à mão para saciar a gula de quem sabe que os últimos sempre foram justificação para golpes da direita. António Costa é a Dilma desta gentalha.

A democracia é, para boa parte desta direita, o compasso de espera para um regime que preferiam a um governo que não seja inteiramente seu. A posse da comunicação social e a atração de trânsfugas garantem a propaganda e a corrupção das consciências venais, que passam despercebidas da opinião pública e não são matéria para os Tribunais.

A asfixia do contraditório perante o garrote demolidor das notícias falsas e das verdades que se ampliam é uma ameaça ao pluralismo e a garantia de que, depois de Cavaco, até o Doutor Passos Coelho pode aspirar a PR, agora que Marcelo, depois de ter jurado que faria um único mandato, anunciou de forma ínvia a recandidatura, que só a repetição da tragédia dos incêndios, no próximo ano, inviabilizaria.
Se António Costa dissesse o mesmo, não faltariam incendiários.

É difícil prever por quanto tempo vão abrir os noticiários e ocupar as primeiras páginas dos jornais os escândalos políticos de figuras maiores ou menores que tenham cometido a imprudência de se associarem ao PS, quer por convicção, quer por se encontrarem em trânsito para a direita.

Desde que se esqueçam os ‘papéis do Panamá’, a divulgação da auditoria de Belém aos mandatos precedentes e as funestas privatizações, chegam os incêndios e os escândalos políticos para neutralizar os êxitos do Governo.

A exigência de divulgação dos devedores, legalmente impossível, apenas da CGD, é o ataque soez ao banco público deixando o BES, BPN, Banif e BPP com o rabo de fora.

Comentários

e-pá! disse…
CE:

Não existe propriamente uma "orquestração concertada contra o governo" mas antes uma campanha orquestrada contra o regime democrático.
Hoje, quando olhamos para o País e verificamos que um dos eixos da política está concentrado nos incêndios - sem dúvida um problema importante e uma ameaça real - é necessário interrogar-nos se, de facto, não estamos a ser obnubilados pela 'espuma das coisas'.
Quando um Presidente da República afirma que condiciona a sua permanência no cargo a este assunto obrigando o primeiro-ministro a vir a terreiro e colocar esta questão fora da centralidade política, alguma coisa está mal.

Os desígnios coletivos, isto é, os interesses públicos nacionais, estão a ser colonizados e poluídos pelos meios de comunicação social e redes sociais que prosseguem uma caminhada alienante capaz de provocar irreparáveis danos políticos, sociais e culturais.

O espaço de diálogo e do contraditório está a desaparecer cedendo o seu insubstituível lugar a 'orquestrações' de que, p. exº., a Cambridge Analytica será um dos epifenómenos mais recente, com consequências imprevisíveis.
Hoje em dia, tendo entrado na moda o 'fim (morte) das ideologias' estamos a ser empurrados para um 'caldo tecnocrático' onde a folha de Excel, as prospeções e alinhadas previsões, acrescidas das consequente a 'tortura dos resultados', são a nova Bíblia.

De resto, o País real vai sendo paulatina e tecnologicamente mecanizado e informatizado, ignorado, refutado, ridicularizado e tergiversado pelos arautos do pragmatismo, ideologicamente asséptico e supostamente (financeiramente) eficiente.
Um bom alibi encontrado pela Direita para esconder o seu sub-reptício programa político (que nunca enjeitou ou em algum momento desistiu).

Embora muitos dos atores políticos e quadros partidários mostrem bons dotes e uma irresistível tendência para teatralizar situações, dificilmente terão espectadores e seguidores se insistirem ad eternum no mesmo género dramatúrgico - a farsa.
Este género teatral breve e assente na caricatura, será mais apropriado para ser protagonizados por 'farsantes' do que por respeitados líderes políticos.

Resta saber (avaliar) qual a predominância no ambiente político nacional: de farsantes ou de verdadeiros líderes políticos?

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