11-01-1968 / 11-01-2026 – 58.º aniversário da morte do Melo Dias
11-01-1968 / 11-01-2026 – 58.º aniversário da morte do Melo Dias
No Catur,
dentro do aquartelamento, caído da viatura, esmagado pelo rodado da Berliet, logo
exalou o último suspiro. Aos 22 ou 23 anos ali se extinguiu uma vida ao serviço
da Pátria e da civilização cristã e ocidental.
Raios os
parta! Cinquenta e oito anos depois não esqueço o camarada que tive nos meus braços,
já morto, e a quem julguei devolver-lhe ainda a vida.
A missão
de soberania, terminou ali, no Niassa, a meio caminho entre o Minho e Timor, na
guerra antecipadamente perdida e sorvedora do sangue dos jovens.
Podiam deixar-nos
morrer, aos que restamos, antes de reescreverem a História, antes de
falsificarem os factos e de insistirem que foram a paz e a Pátria que ali nos
levaram.
Falar na defesa
da Pátria para justificar a maior tragédia da minha geração é um insulto aos 7481
mortos, 1852 amputados, 220 paraplégicos e centenas de milhares que ainda
lambem as feridas de uma guerra injusta, inútil d antecipadamente perdida.
Quando se
recuperam os valores da ditadura que ali nos levou e a retórica nacionalista
regressa, vale a pena dar testemunho das feridas que ainda não sararam, da
iniquidade a que nos condenaram.
Há 58 anos abriu-se mais uma ferida que ainda não cicatrizou.

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