«Não há nada de novo debaixo do sol» – Eclesiastes (1:9)
«Não há nada de novo debaixo do sol» – Eclesiastes (1:9)
O rapto e
prisão do chefe de Estado da Venezuela é o regresso ao direito de conquista, do
confisco de recursos e escravatura. Portugal capturou um rei– o Gungunhana –, em
Moçambique, os EUA um PR, ambos humilhados pelos vencedores.
Segundo o Evangelho
de Trump os recursos do Planeta foram dados por Deus aos EUA. A força e o Direito
confundem-se. Os navios são dos piratas dos mares. Só surpreende a quantidade de seguidores da
doutrina e admiradores do ideólogo.
Quando o
secretário-geral da ONU condenou o golpe de Estado na Venezuela e o rapto do PR
ainda pensei que houvesse um módico de sensatez e dignidade, sentimento que
aumentou com a condenação firme do governo espanhol. Mas quando ouvi Kaja
Kallas, (em nome da UE?), dizer que «Maduro carece de legitimidade», fiquei
perplexo.
Depois
assisti à conferência de imprensa de Paulo Rangel e tive vergonha. Faltava ver
Marques Mendes colar-se ao governo e só mais tarde admitir que foi uma violação
do direito internacional, mas por falta de autoridade da ONU. Com invertebrados
destes, a Gronelândia e o Canadá que se cuidem. Nem falo de Cotrim de
Figueiredo e Ventura.
As
manifestações de júbilo pela queda de Maduro já começaram. Muitos já justificam
a intervenção dos EUA. Só Karina Machado, grata a Trump pela invasão do país, o
ouviu dizer que não servia, ignorava que Roma não paga a traidores, e Trump não
faz golpes de Estado a pedido ou por avença, age por conta e interesses próprios.
Depois do
Afeganistão, Líbia, Síria, Arábia Saudita, Iémen e tantos outros, há países à
espera de que lhe seja imposta a democracia.
Portugal,
que costumava ser uma voz de decência na UE, deixou um comunicado no X, assinado
por Luís Montenegro, pusilânime e subserviente, com uma manifestação de fé: “constatamos
o papel dos EUA na promoção de uma transição estável, pacífica e democrática da
Venezuela”.
É impossível descer mais baixo, uma síntese perfeita entre a covardia de um governante e postura de um lacaio.

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