Paulo Núncio – O cornetim dos touros de lide
Paulo Núncio – O cornetim dos touros de lide
O azougado
deputado e líder parlamentar do defunto CDS, ressuscitado na alcova do PSD, é
mais conhecido pelos músculos do que pelos neurónios, apesar de desfeiteado pelo
bezerrinho com que mediu forças, em Vila Franca de Xira, numa bravata marialva.
Talvez se
deva a essa peleja, onde se lhe esvaíram os escassos neurónios que ainda o
acompanhavam, transferidos para o bicho, a necessidade de exibir a testosterona
como alter ego parlamentar do talentoso ministro da Defesa, Nuno Melo.
Na disputa
inglória com o líder do seu partido, para o campeonato da asneira, procura ser o
rafeiro que morde os transeuntes para ser notícia. o Gonçalo da Câmara Pereira foi
na AD o primeiro a ser despedido para evitar a chacota, e o PSD terá de
prescindir agora do CDS para evitar a vergonha.
Não
surpreende que Paulo Núncio dispare disparates a uma cadência superior à do
tiro das metralhadoras mais rápidas, o que estupefaz é que ninguém lhe diga que
o brilho do CDS se extinguiu e não o recupera no apoio a um candidato que lhe
roubou o eleitorado e lhe radicalizou o discurso.
Enquanto
Paulo Núncio andava pelas estrebarias a admirar cavalos e a imaginar pelejas
com os touros ficaram no CDS os quadros que ainda preferem a democracia à
ditadura, e marcharam para o Chega os eleitores que têm aí agora o espaço para
alimentar o ódio e o ressentimento que a democracia lhes causava. Para mal do
CDS, foram Nuno Melo e Paulo Núncio que ficaram à frente da comissão de
extinção que Montenegro preserva em respiração assistida.
Quem não
distingue a liberdade da opressão, um democrata de um admirador de Trump e
Orbán, um homem educado de um arruaceiro, facilmente se identifica com o
segundo, e não pode reivindicar um lugar à mesa da democracia.
Paulo Núncio pode não pensar o que diz, mas, se é difícil imaginar que pensa, ninguém duvida que diz o que sente.

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