Eleições presidenciais 2026 – A abstenção
Eleições presidenciais 2026 – A abstenção
O maior
perigo da abstenção não é para o candidato democrata, é para a democracia e o
seu futuro, em Portugal.
Que se
sintam insatisfeitos os que preferiam outro candidato e os que viram no voto
útil os votos que outros candidatos mereciam é um sentimento que se respeita ou
se aplaude, mas não pode levar os democratas à abstenção, à renúncia à
obrigação cívica e ao dever de defesa da democracia contra o aventureirismo de
um regresso que não imaginávamos possível.
Não é apenas
porque, em democracia, as vitórias não estão antecipadamente garantidas, que a
expressão do voto, sem votos brancos, é uma exigência ética. Quem não
distingue um democrata de um antidemocrata e se abstém, por mais desculpas que
procure para si próprio, é do segundo que se aproxima, e é a este que
indiscutivelmente favorece.
Não penso
que seja a esquerda que mais ganhe com uma expressiva vitória do candidato da
democracia. Pelo contrário, acredito que é a direita democrática que resiste se,
todos juntos, reduzirmos os danos de uma votação expressiva em quem despreza o
sistema democrático. Se a disputa fosse entre o candidato antidemocrático e
qualquer outro dos mais votados, não hesitaria no voto em qualquer deles para o
derrotar. Era a obrigação, a minha e a de todos os que se reclamam democratas.
Uma
democracia não existe sem esquerda e direita, sem pluralismo e alternância, sem
primado da lei, sem respeito pelos direitos individuais e pelas minorias, sem
liberdade de expressão e associação.
Nesta eleição
votarei com entusiasmo, sem qualquer mas, sem constrangimentos, sem reservas
éticas ou políticas, no candidato democrata que saúdo e a quem darei o voto.
As
declarações do candidato antidemocrata, ao dizer que, sozinho, já venceu a
esquerda e a direita, vincando que é de extrema-direita, reforçam a veemência do
meu apoio ao adversário. Aliás, ao contrário do que diz, não esteve nem está
sozinho, esteve sempre acompanhado do Grupo 1143 e, agora, dos equidistantes e
dos abstencionistas. E, destes últimos, só os promitentes abstencionistas podem
ainda ser recuperados para a tarefa cívica de contribuírem para a defesa da
democracia, tarefa para que os concitam os líderes dos partidos à esquerda do
PS, os militantes mais destacados do PSD e IL e os mandatários de todos os
outros que aspiravam justamente à passagem à segunda volta.
Estou empenhado na defesa da democracia desde há 65 anos. Manter-me-ei fiel e não lhe faltarei no próximo dia 8.

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