O faroeste é onde houver índios!
O faroeste é onde houver índios!
Esforçam-se
os juristas, contorcem-se os moralistas, estrebucham os vencidos, e a única
desculpa é não haver desculpa. Há explicações, essas nunca faltaram, vêm
depois. E, se começam por ser desculpas, acabam como explicação necessária e
suficiente.
Sou do
tempo em que as conquistas se justificavam para dilatar a Fé e o Império. Há lá
coisa mais bonita do que a Fé, para impor e trocar por matérias-primas, sem
prescindir da imposição nem abdicar do valor de troca? Não bastava a vontade do
Príncipe?
E quanto
aos impérios? Algum construtor de impérios morreu na obscuridade ou deixou de
ser reverenciado nos séculos e milénios seguintes?
Andávamos
há uns tempos a arranjar consensos quanto a ditadores, mas a dificuldade de os
distinguir dos libertadores fez esmorecer o argumento para justificar a
remoção. E as democracias estão em franca regressão!
Houve
argumentos criativos, desde as armas químicas ao perigo para os vizinhos, mas a
chegada de um verdadeiro Imperador, sem dissimulações ou pudores, sem
sofisticação, teve o mérito de desmascarar os que usavam desculpas para fingir virtude
nas ambições que os consumiam. Que culpa têm os americanos de que no Faroeste houvesse
índios? Estes nem sabiam falar americano! Não podiam ter nascido lá.
Este é o
século de Donald Trump, o Grande Petroleiro.
Por mais
criativos que sejam os argumentos para dissimular a força, continuará válida a
definição de patriota pelo desenhador e humorista José Vilhena, no Dicionário
Cómico, que cito de memória:
Patriota –
indivíduo que ama a sua pátria. Não confundir com nacionalista, que ama também
a pátria dos outros.
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