Efeméride – 1.º aniversário da reeleição de Trump

Efeméride – 1.º aniversário da reeleição de Trump

Sempre me surpreendeu que os eleitores dos EUA preferissem Trump a Kamala Harris, e jamais imaginei, mesmo nos meus piores pesadelos, que o crivo do eleitorado pudesse ter deixado passar, não apenas um delinquente, mas um candidato tão desequilibrado e perigoso. Pior, fê-lo com tamanho entusiasmo e zelo que diz mais dos eleitores do que do eleito.

Que o ataque às democracias liberais, aquelas em que me revejo, tenha partido da Pátria do constitucionalismo, 250 anos depois, do país definidor dos princípios da liberdade, multilateralismo e direito internacional não é apenas espanto, mas fonte de frustração. E não vou flagelar-me com o silêncio e cumplicidade de países democráticos nos ataques à soberania do Iraque, Líbia, Sérvia e outros Estados, em violação grosseira dos valores de que nos reclamamos.

Que tenhamos visto tão tarde de onde vinham os piores sinais contra os nossos valores é a mágoa que sinto, a frustração que me acompanha e o ressentimento que não consigo calar contra os que se renderam a todos os desmandos vindos dos EUA.

Donald trump é um homem de negócios narcisista, amoral e extorsionista, mas jamais alguém o julgaria capaz de juntar aos piores defeitos de um adulto as perversidades mais pueris, desde a obsessão do Prémio Nobel da Paz aos sonhos imperiais de um imperador medieval. Não é fácil reunir num só indivíduo a alma de um corsário, a megalomania de um louco, a boçalidade de um ignorante e o espírito de vingança de um psicopata.

O 1.º aniversário do 2.º mandato de Trump não é uma efeméride vulgar, é uma data assinalável, da desgraça em curso para os EUA e de uma tragédia irreversível para o Mundo.

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