Eleições presidenciais – Marques Mendes (MM), o ungido do poder
Eleições presidenciais – Marques Mendes (MM), o ungido do poder
Preservado
no Conselho de Estado, por nomeação de Marcelo, manteve-se na política e nos
negócios, até ser imposto ao país como sucessor do atual PR, com o empenhamento
deste e de toda a tralha cavaquista.
Foi
adversário de Rui Rio, ao lado de Paulo Rangel, primeiro, e de Montenegro,
depois, em sintonia com Marcelo, de quem foi o alter ego. No comentário
semanal, na SIC-N, com perguntas adrede combinadas, foi dedicado apóstolo da sua
fação no PSD. Precioso para a direita, não foi irrelevante na explosão da
extrema-direita.
Impôs a sua
visão peculiar sobre todos e cada PGR. Foi assim que viu na falecida Joana
Marques Vidal excelsas virtudes que não reconheceu aos sucessores e, muito
menos, ao antecessor. Vale a pena referir que a magistrada participou, nos Açores,
na procissão do Santo Cristo, com insígnias de PGA, numa confusão grosseira de
funções públicas com a sua fé particular e em afronta grosseira à laicidade do
Estado. Quanto às decisões que MM lhe admirou, talvez relevasse o arquivamento
expedito, em 24 horas, de dois processos averiguados na UE, Tecnoforma e Submarinos!
MM não
está a ser acusado de delitos criminais, mas está a ser avaliado na ética exigida
para PR. Talvez por isso, os negócios e o tráfico de influências o tenham beliscado
tanto nas aspirações a Belém.
E se algo
o torna indigno do cargo a que aspira é a amoralidade com que, num misto de
humor negro e cupidez, se referiu a lucros que poderiam ser obtidos no
tratamento de feridos líbios: «(…) mortos não interessam. O que interessa é que
também não venham bem. Venham amachucados para podermos fazer negócio com essas
pessoas». O ultraje compromete-o a ele e a quem o apoia para as mais altas
funções da República.
Se se
confirmarem as tendências do eleitorado, após conhecimento das zonas sombrias
de MM, é possível que nem tudo esteja perdido e possamos ter, não um PR de
esquerda, mas, pelo menos, um PR decente.
Logo no
início na campanha, o PM, o Hugo Soares e ministros marcaram presença. Até o
Sebastião Bugalho veio do PE para apoiar MM. Nem Cavaco faltou à sua defesa. São
poderosos os interesses nesta candidatura.
MM deixou
de ser candidato do PSD e passou a candidato de Montenegro. Este não lhe
faltará com o seu amparo, e ninguém duvida do seu êxito na propaganda.
Os eleitores terão a palavra no próximo dia 18. Faltam 10 dias.

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