Trouxe do X
Sobre o artigo "Advogado de negócios/facilitador de negócios: uma distinção", de João Miguel Tavares
publico.pt/2026/01/02/opi
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[..] a grande dúvida em relação a Marques Mendes – em particular na sua relação com o escritório Abreu Advogados, onde é apresentado como “consultor externo" [..] – é se ele é realmente um advogado de negócios (o que me parece muito pouco provável) ou se é um facilitador de negócios (o que me parece muito mais provável, embora o próprio negue que seja essa a sua actividade, dada a má reputação do termo “facilitador”).
Os grandes advogados de negócios, que integram os maiores escritórios do país, distinguem-se pela sua capacidade de negociar e fechar contratos de grandes dimensões, que tanto podem envolver empresas privadas como o próprio Estado. [..] é quando o Estado está envolvido – por exemplo, em privatizações – que mais ouvimos falar desses grandes escritórios.
[..] As grandes transacções – compras e vendas sérias entre empresas sérias – são evidentemente públicas. Em primeiro lugar, porque as empresas nada têm a esconder – e muitas até têm deveres de transparência –; em segundo lugar, porque os grandes advogados e os grandes escritórios precisam do marketing, dos rankings e dos prémios.
[..] Um advogado de negócios não tem problemas em revelar com quem trabalha. Um facilitador de negócios, sim.
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Vários factores contribuem para acharmos absurda a falta de transparência de LMM:
LMM não declara a sua actividade profissional
se tivesse sido grande "advogado de negócios", gabava-se
mas LMM não tinha calibre técnico vs. colegas da Abreu
não era "advogado de negócios"
os valores principescos que auferiu na Angola Desk sugerem
grandes negócios, elevados riscos / recompensas
angariação / comissões / sucesso
não eram para fazer pareceres
aparecia como consultor externo
fazia "facilitação de negócios"?
quando questionado se o trabalho implicou angariação de clientes ou diligências junto de decisores públicos, Marques Mendes remeteu respostas para a sociedade de advogados.
ora, não é violação de sigilo um consultor dizer que NÃO se fez um serviço, especialmente um serviço algo nas margens da deontologia e ética
se LMM não tivesse andado nessas lides, teria respondido "não".
ou seja, sim, alavancava experiência política.
Faltam 12 dias para as Presidenciais. Não se percebe como é que a campanha de LMM acha benéfico continuar com a falta de transparência sobre essa experiência profissional de LMM fora da política - só declarou comentários e conferências. Em vinte anos. Não é nada benéfico para a democracia.
[ a imagem é satírica ]

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