Os deuses ensandeceram e Donal Trump foi sempre assim
Cristóvão
Colombo, ao chegar à América, julgou ter descoberto uma nova rota para a Ásia
(Índias) e, apesar de ter feito quatro viagens, morreu convencido disso, mas, em
finais do século XV, o Planeta não estava ainda cartografado.
Há dias, o
chanceler Friedrich Metz teve uma epifania, descobriu que a Rússia ficava na
Europa, e bastava-lhe ter consultado antes um atlas, ou recorrido ao Google. E chegou
a chanceler para descobrir que Hitler não invadiu a Tanzânia, que a Operação
Barbarossa não terminou em Dodoma e que ele próprio não está a enviar armas
para o Quénia para se defender de uma agressão da Tanzânia.
Consequente
com a inspiração, graças ao pragmatismo alemão, disse ser essencial falar com a
Rússia para negociar o fim da invasão da Ucrânia, afirmação antes execrada, que,
até há pouco, tornava suspeitos de putinismo os defensores da via
diplomática. Até o ex-sec.-geral da NATO, Jens Stoltenberg, pediu aos países
ocidentais que “dialoguem com a Rússia como país vizinho”! Afinal, o problema
não era político, era da Geografia.
E quando
se temia que a Rússia, incapaz de conquistar as regiões russófonas da Ucrânia
em quatro anos, só parasse em Lisboa, Trump declarou querer a Gronelândia, a
bem ou a mal. Magnânimo, prefere comprar a Ilha, do tamanho do México, a ocupá-la
pela força. Está disposto a dar 700 mil milhões de dólares. É dinheiro!
Integrando
a Gronelândia a Nato, surpreende que o país líder da Aliança a anexe, mas há o Direito
Internacional, a normalidade, a decência e Donald Trump. Este substitui o
Direito Internacional pela própria moralidade, tal como os Aiatolas submetem
todos os direitos à moralidade de Maomé, aliás, com bastas semelhanças.
Surpresa
foi a resposta musculada de 8 (oito) países, solidários com a Dinamarca. Logo
avançaram com um contingente de 39 militares para a ilha integrante do reino, 15
franceses, 13 suecos, 2 alemães, 2 holandeses, 2 finlandeses, 2 noruegueses, 2
alemães e 1 britânico. Cabiam todos num autocarro da Barraqueiro e bastava um
alferes para chefe da viatura e do contingente. Entretanto, os 2 militares
alemães já retiraram, ao fim de 44 horas, às ordens do chanceler Metz, receoso
de ver Berlim bombardeado por tarifas.
Não está
provado que o contingente militar tenha assustado Trump, mas logo ameaçou
disparar tarifas, 10% a partir de fevereiro, e 25% a partir de junho para os
países que o desafiaram. É agora altura de a UE ponderar a sua capacidade para
enfrentar a guerra comercial com os EUA, e travá-la ou manter-se vassala. O que
não pode é continuar a apoiar o maior inimigo e a escolher para inimigos os dos
EUA.
De outro
modo, só nos resta seguir Kaja Kallas, um sólido portento da diplomacia da UE,
na única ideia que deixará como legado, é altura de começarmos a beber.
Finalmente
perante a proposta de Trump para o Conselho da Paz para o renascimento de Gaza,
“o Maior e Mais Prestigiado Conselho já reunido em qualquer época e lugar”, nas
suas palavras, ele próprio, o seu genro, Marco Rubio, Tony Blair e Steve
Witkoff, teme-se que imponha como Diretor-geral à OMS, o secretário de Saúde
dos EUA, o ativista antivacinas, Robert Kennedy Jr.
Assim, só resta aos abstémios começarem a beber e aos crentes continuarem a rezar.

Comentários