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O arcebispo de Braga e a democracia

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O Dr. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, antigo Cónego Capitular da Sé de Braga e ex-presidente da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé, herdeira do Santo Ofício, há de ter estudado rudimentos de democracia com o Cónego Melo a quem a prudência vaticana negou o anelão e o báculo, mas conseguiu uma estátua. O que o Dr. Jorge Ortiga não aprendeu, trocando o cuidado das almas pela volúpia da caixa de esmolas estatais, foi o significado da palavra ‘ totalitarismo ’, apesar da tradição da Igreja católica e da licenciatura na Faculdade de História Eclesiástica da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Não sei onde viu o total controle sobre os direitos das pessoas em proveito da razão de Estado, onde viu ameaçada a liberdade religiosa, que a Igreja católica só reconheceu no início da década de 60 do século passado, com azedume, no concílio Vaticano II, e onde viu limites à liberdade de expressão pia nos jornais paroquiais, colégios ou homilias! O que o Sr. D...

Donald Trump: do odioso à caramunha…

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Donald Trump tem sido ‘julgado’ pela opinião pública muito à base do exotismo das suas propostas e pelas exuberantes posturas 'politicamente incorretas'. Este ‘julgamento’ tanto lhe tem trazido fans como inimigos figadais. E o balanceamento entre estas duas posições extremas tem permitido ao magnata dos casinos e da construção civil ocultar a sua olímpica ignorância política e uma cavernícula insensibilidade social. Na última semana estes desmandos atingiram as raias do inacreditável e fizeram soar campainhas. Mas ainda não as sirenes de abandono do barco ou avisos vermelhos de catástrofe eminente. O candidato presidencial que conta ora com a tolerância encoberta ora com o apoio explícito do Partido Republicano recusa-se a acatar uma decisão judicial acerca da ‘ sua ’ Universidade, também denominada de Trump, há algum tempo envolvida numa investigação por indiciada fraude, alegando que o juiz, Gonzalo Curiel, natural do Estado de Indiana (EUA), tem anteceden...

Durão Barroso e a candidatura de Guterres à ONU

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Consta que o Senhor Teodoro das Bombas [de gasolina], de Boliqueime, num assomo de vaidade paternal, se referia ao filho como um novo Salazar. Também no País existe a convicção de que Durão Barroso daria outro Cavaco, treinado a comer bolo-rei. Apenas o enjeitou, como na Idade Média aos leprosos, quando o pusilânime personagem se quis candidatar a PR. Não foi por acaso que o mais inculto de todos os presidentes da República, incluindo os da ditadura, se apressou a condecorá-lo, com a mais alta venera que podia atribuir-lhe, logo que o ex-presidente da CE, assalariado americano e capacho alemão, regressou. O país é que não esqueceu o crime da invasão do Iraque e sentiu asco. Quando em fevereiro disse apoiar António Guterres na sua candidatura à presidência da ONU, muitos portugueses pensaram que tal apoiante denegria a imagem honrada de um português de exceção, na ética, na cultura e na generosidade. Mudou agora de opinião, seja ao serviço de quem for. Procedeu bem, sem bairrism...

A frase

«Donald Trump não acredita em metade do que diz, mas sabe que há americanos suficientemente estúpidos para ir atrás daquelas mentiras.» (Michael Moore, notável documentarista americano, autor do documentário ‘E agora invadimos o quê?’, em entrevista a Manuel Halpern, publicada hoje, na Visão)

O regresso ao passado

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Todos os pretextos são válidos para pôr em causa a validade científica da teoria da evolução.  Assim, não vale!

Truques da imprensa, mentiras que fazem caminho

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As cuecas dos Srs. bispos já estão secas para novos confrontos na defesa dos interesses terrenos, os únicos em que comprovadamente acreditam.

Passos Coelho: o ‘esgotamento’ e a síndroma das ‘cangas’…

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Portugal é um dos poucos Países do Mundo que cultiva uma síndroma muito específica, de índole popular, que é denominado como ‘ esgotamento ’.  Frequentemente, esta situação não passa de um quadro depressivo. Mas o ‘ esgotamento ’ pretende ter outra dimensão, relacionada com o excesso de trabalho, com a fadiga, fugindo à conotação de um quadro do foro psiquiátrico. Ontem, Pedro Passos Coelho na discussão parlamentar de um projecto oriundo do seu partido para a criação de uma comissão eventual para a reforma da Segurança Social, acusou a actual maioria de estar ‘esgotada’, sem ‘disponibilidade para nada’, submetida a uma ‘canga dogmática’, etc. link , o que prefigura a emergência de uma situação enquadrável no suposto ‘ esgotamento ’ atrás referenciado. Mas, tal como na vida prática, a utilização deste virulento arrazoado argumentativo visa iludir o quadro depressivo vivido no interior partido por a actual maioria impedir aquilo que o dirigente da Oposição defendeu na úl...

Goldman Sachs, política e terrorismo financeiro

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Ignoro se o banco Goldman Sachs influiu na falência do Lehman Brothers, que iniciou a funesta recessão em que numerosos países estão ainda mergulhados, mas sei, de ciência certa, que beneficiou dessa falência e continua a provocar danos irreparáveis. Esteve por trás da manipulação das contas públicas da Grécia, permitindo a sua adesão ao euro, e mantém a reputação e influência intactas. O dinheiro até isso compra. Os seus relatórios continuam a destruir empresas e a arruinar países, em autênticos atos de terrorismo financeiro cujo rigor técnico traz à memória o caso grego. No dia 1 deste mês, o seu relatório sobre a banca arrasou várias instituições bancárias, o que provocou uma colossal desvalorização do BCP, cujo futuro tornou mais incerto, e debilitou o setor financeiro português, ameaçado na sua sobrevivência. O maior banco mundial de investimentos, que produz relatórios, recomenda a compra e venda de ativos financeiros, vende serviços de consultoria aos outros bancos e par...

A decadência ética da UE e dos seus dirigentes

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O projeto europeu foi a mais aliciante ambição da minha geração, o fim do isolamento a que o fascismo condenou Portugal, da política do «orgulhosamente sós» e do espaço concentracionário aberto a um continente integrado, económica, social e politicamente, onde os nacionalismos dariam lugar à solidariedade, ao progresso e à paz, e o espírito provinciano ao cosmopolitismo. A moeda única acentuou o sonho de países que recusam ser satélites e exigem tornar-se parceiros federados numa comunhão de interesses, cultura e projetos, mas não há moeda que resista às rivalidades políticas, económicas, fiscais e à geometria variável dos níveis de progresso e bem-estar dentro do mesmo espaço geográfico que lhe serve de suporte. Nem sequer na política externa e segurança a União Europeia encontrou o cimento para a sua unidade. Goste-se ou não – e eu gostaria –, o espaço europeu devia ser paradigma civilizacional da Humanidade. Não custa partilhar a soberania, rebaixa prescindir dela a troco de p...

A frase e o óbvio ululante

«É alarmante que um presidente da Comissão [Europeia] considere que pode aplicar seletivamente sanções, consoante a importância que em seu parecer atribui ao país: entre a França e Portugal não tem dúvidas sobre o seu poder de escolha para amnistiar ou punir.» (Adriano Moreira, in ‘O estatuto da União Europeia’, hoje, no DN, pág. 8)

Haverá futuro para a Humanidade?

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Não sei se são mitos ou lixo que se varre para debaixo do tapete, mas ninguém, com um mínimo de atenção ao mundo que o rodeia pode estar tranquilo. Em 1961, ano em que comecei a trabalhar, o Planeta tinha 3 mil milhões de pessoas, em 31 de outubro de 2011 atingiu 7 mil milhões e, apesar da prevista estabilização, admite-se, para 2025, o número de 8 mil milhões de habitantes. Permanecem os mitos de que o espaço vital é ilimitado, não faltará água, as florestas são eternas e o oxigénio, os alimentos e o ozono são infinitos. Em suma, não existem limites físicos para o Planeta nem para a sua resiliência. Muitos dos que nos precederam também morreram de inanição, catástrofes, doenças e guerras, mas agora o risco é de nos atingir a todos e de forma definitiva. Vão morrendo os mares, diminuindo o solo arável e minguando a água potável, enquanto o ar se torna irrespirável. Já percebemos que o emprego e a segurança se tornam cada vez mais raros e precários. Os teólogos do liberalismo ...

A frase

«Não há dúvida nenhuma de que está nas mãos do primeiro-ministro evitar que o défice de 2015 seja fixado em 3,2%, e eu não vi o senhor primeiro-ministro empenhar-se nisso.» (Assunção Cristas, presidente do CDS, numa sugestão enviesada para a manipulação de números, em que o governo PSD/CDS era perito). (Fonte: DN, hoje)

Mota Engil, Jorge Coelho e Paulo Portas

Sempre me repugnou a perseguição aos governantes e a vontade disfarçada de os ver votados ao ostracismo e, se possível, à indigência, depois de saírem do Governo. É diferente, ética e politicamente, que a ex-ministra das Finanças integre uma empresa cujo objetivo é receber créditos difíceis do Estado, do emprego de um ex-ministro numa empresa construtora, farmacêutica, têxtil ou informática. A notícia, acabada se saber, de que Paulo Portas vai trabalhar para a construtora Mota Engil, é inatacável sob o ponto de vista ético, tendo renunciado ao lugar de deputado. O que talvez seja difícil explicar é a sanha da direita contra Jorge Coelho, que fez um período de nojo de 7 anos, e se vai calar (aposto 1 contra 100) perante a legítima ida de Paulo Portas para a mesma empresa, 6 meses depois de ser obrigado a deixar o Governo.

O Ámen dos Contractos de Associação:

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A manifestação de alguns (poucos!) professores e funcionários de colégios privados, que até ao presente tiveram contractos de associação, frente às instalações da FIL, onde decorria o XXI Congresso do PS, pelo ‘ruído’ e conteúdo das ‘palavras de ordem’ link , desmascarou a urbanidade, a probidade e uma fantasiosa e neutral objectividade com que se pretendeu revestir um problema artificialmente colocado (e empolado) na agenda política. Não é necessário qualquer esforço imaginativo ou de clarividência para encontrar aí os habituais slogans da Direita mais ressabiada e inconformada, após ter sido afastada do Governo. Contudo, esta provocação teve – para a ‘causa dos manifestantes - um efeito adverso. Obrigou o Secretário-Geral do PS a vir a terreiro colocar o assunto no seu lugar, isto é, na necessidade e obrigatoriedade do Governo enfrentar lobbies que estão misericordiosamente implantados no terreno. link . Depois da programada manifestação do dia 18.06.2016, em defesa da E...

Violência contra as mulheres – os monoteísmos e a misoginia

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A tara judaico-cristã, comum aos três monoteísmos, foi sendo atenuada pela civilização, mas permanece na matriz genética das religiões do livro e no espírito dos hierarcas que as divulgam, e delas vivem, bem como dos crentes que as seguem. Paulo de Tarso, o autor da primeira cisão conseguida do judaísmo, preservou o horror à mulher, em perfeita consonância com a lei moisaica de que, aliás, só divergiu quando se convenceu de que o Messias anunciado era Jesus Cristo, um judeu que morreria sem se aperceber que originara uma nova seita, que o imperador Constantino, por necessidade de cimento para o Império Romano, havia de converter em religião, dando-lhe a liberdade de culto, em 313, o que seria fundamental para a futura conversão total do império. Teodósio, algumas décadas depois, em 380, tornaria obrigatório o cristianismo. Todavia, o apogeu da demência misógina seria atingido com Maomé na cópia grosseira dos monoteísmos anteriores. E não vale a pena dizer que é a versão errada do...

Passos Coelho e uma 'abençoada' promiscuidade público/privada…

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O dirigente do PSD, Passos Coelho , continua preocupado com a situação dos contratos de associação dos colégios privados com a rede pública de estabelecimentos de ensino. Dedica-se a insistir num problema que os portugueses já perceberam ser marginal no cômputo do sistema educativo do País. Na realidade, o contributo que os colégios privados têm despendido no esforço educativo nacional é diminuto (79 escolas no conjunto de 2773) link . Centrar o sistema educativo neste mini-problema é deveras revelador da falta de assunto para fazer oposição. Toda a lógica do sistema privado - em situações semelhantes - mostra que quando um esquema de associação (ou parceria) é redundante, ou com elevados custos orçamentais, os ‘proprietários’, ou a maioria do capital social, apressam-se a rescindir esses mesmos acordos. É assim no mundo real (ou na economia real como gostam de dizer os gestores). São também assim as famosas 'reestruturações' empresariais ou, para os mais devotos d...

Duas frases – a boa e a má

«É de um ridículo atroz dizer que o cancelamento de alguns contratos com colégios privados – que são negócios legítimos – tem alguma coisa a ver com o estalinismo.» (José Pacheco Pereira, em artigo de opinião no Público) *** (…). «Para a esquerda, actos de terrorismo e outros desmandos, praticados por muçulmanos, têm sempre uma circunstância atenuante no imperialismo e na pobreza.» (António Barreto, em «Portugueses e Árabes, hoje, no DN)

O congresso do PS e a política nacional

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Ninguém, com consciência cívica, tem o direito de se alhear dos movimentos políticos, no seu país e no mundo, e de se desinteressar do destino coletivo que nos cabe. O congresso do PS é, pela centralidade do partido na vida política nacional, motivo de interesse acrescido, depois de Portugal ter estado sujeito a mais de quatro anos de um implacável projeto de desmantelamento do Estado, e de, na Europa, o Partido Popular Europeu (PPE) se ter convertido ao neoliberalismo duro, exercendo a mais despudorada influência através dos órgãos da UE e do seu aparelho burocrático, com a subserviência dos partidos filiados. O PS, pela primeira vez, conseguiu furtar-se à colossal chantagem europeia e nacional e exercer o elementar dever de não discriminar qualquer partido. A atual direção teve a ousadia de resistir à pior direita desde o 25 de Abril, aquela a que salazaristas orgânicos, Cavaco Silva e Passos Coelho, queriam amarrar o PS. Recusando um sentido único para as alianças, criou alter...

Congresso do PS – Francisco Assis e o PS

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Quando um militante partidário exige um sentido único e definitivo para as alianças, não são os interesses do partido que o motivam, é uma cegueira ideológica de quem vê só de um olho ou olha com os dois para um só lado. Quando se preocupa com a remota hipótese de o PS renunciar ao europeísmo com que está comprometido, e de que não deu quaisquer sinais, sem ver na direita inglesa, húngara, polaca ou eslovena o medo que afirma, não são interesses do partido que defende, é a direita que protege sem se lembrar que a atual direita só recorre ao PS quando é minoritária. Parece impossível que tão pouco tenha aprendido com quatro anos e meio de Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas. E surpreende ainda, que, depois de uma experiência que não é perpétua, queira mandar o recado à direita de que, com ele, não haverá alternativas. Não precisava do Congresso para dizer o que todos os órgãos de comunicação social ao serviço da direita estiveram, e estarão, sempre prontos a divulgar. S...

José Rodrigues dos Santos

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A absurda polémica levantada pelo jornalista José Rodrigues dos S antos quando defende uma origem comum entre o comunismo e o fascismo é como todos já entendemos fruto da ignorância histórica do mesmo e assenta em frivolidades e lateralidades que abastardam a evolução dos movimentos filosóficos e das ideias (ideologias) do final do século XIX, início do século XX. Resta saber se a narrativa é - pura e simplesmente - uma ignóbil tentativa de 'auto-promoção' através de uma falsa questão. Não vamos entrar neste romance de um pseudo-debate da História das Ideologias. Aliás, já vieram a terreiro vários especialistas rebater a peregrina tese inventada por José Rodrigues dos Santos pelo que se torna fastidioso citá-los.  O que deve preocupar e manter alerta – quer os cidadãos quer o próprio autor - é a possibilidade do jornalista estar inopinadamente a ressuscitar um célebre slogan da extrema-esquerda (MRPP), no PREC, onde os comunistas eram sistematicamente apelidado...