Mota Engil, Jorge Coelho e Paulo Portas

Sempre me repugnou a perseguição aos governantes e a vontade disfarçada de os ver votados ao ostracismo e, se possível, à indigência, depois de saírem do Governo.

É diferente, ética e politicamente, que a ex-ministra das Finanças integre uma empresa cujo objetivo é receber créditos difíceis do Estado, do emprego de um ex-ministro numa empresa construtora, farmacêutica, têxtil ou informática.

A notícia, acabada se saber, de que Paulo Portas vai trabalhar para a construtora Mota Engil, é inatacável sob o ponto de vista ético, tendo renunciado ao lugar de deputado.

O que talvez seja difícil explicar é a sanha da direita contra Jorge Coelho, que fez um período de nojo de 7 anos, e se vai calar (aposto 1 contra 100) perante a legítima ida de Paulo Portas para a mesma empresa, 6 meses depois de ser obrigado a deixar o Governo.

Comentários

e-pá! disse…
CE:

A discussão deverá incidir sobre o 'período de nojo' necessário para os titulares de cargos públicos uma vez terminada a sua missão (pública).Não é a mesma coisa 6 meses ou 6 anos.

Como será diferente trabalhar na área que tutelou durante o exercício de funções públicas ou num sector distinto.

O exercício de funções públicas não deve ser um anátema profissional. Mas esta posição de princípio não pode inibir um regulamentação simples, directa e eficaz que, quer os cidadãos, quer os políticos, liminarmente entendam e conheçam previamente.

Ou muito me engano, ou lá vamos ter mais um caso a cair na Comissão Parlamentar de Ética, para um parecer a 'retalho' devido a sinuosidades (alçapões) da regulamentação...
Manuel disse…
Uma pequena retificação: O período de nojo de Jorge Coelho foi de mais de 7 anos (março de 2001 a maio de 2008).
Obrigado, pela precisão que introduziu. Vou alterar o texto, nesse ponto.
Manuel Galvão disse…
Não terá havido mais que uma derrapagem das contas na construção do metro resolvida por Coelho-o-Jorge que só parou de derrapar na era PàF? Ou umas funções de intermediação do MNE junto do Chavez iniciada no tempo de Sócras e só terminada no tempo de Coelho-o-Passos?

Nestas coisas, meus amigos, prognósticos? Nem no fim do jogo!
Manuel Galvão:

Não tenho tão boa impressão da honestidade do governo de Passos Coelho, sem me permitir ser avalista do anterior.

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