Quo vadis Maria Luís?

O convite da organização da reunião do grupo Bildelberg à antiga ministra das Finanças link não deverá ser encarado como uma coincidência ou um mero acaso.
Ninguém vai a essas reuniões impunemente ou pelos seus lindos olhos. As reuniões deste clube funcionam ou como o núcleo dinamizador de um governo mundial ou em alternativa como um governo sombra para essa mesma pretensão e no plano nacional pretendem antecipar, avaliar ou mesmo interferir no curso dos acontecimentos políticos. 

As suas reuniões começam no pós-guerra (1954), sob a égide do príncipe Bernardo da Holanda. Interessante verificar que este ‘príncipe’ tem um percurso de vida muito pouco recomendável. Sem entrar em pormenores convém recordar que para além de um espirito e pensamento marcadamente nazi, foi militante (inscrito) do Partido Nacional-Socialista de Hitler, colaborou com as SS e, nas andanças da fundação do Clube Bilderberg, foi assessorado por outro proeminente nazi, Otto Wolf von Amerongen, que se notabilizou durante a II Guerra pela extorsão de bens aos judeus. Bernardo um aristocrata de pacotilha viria a abdicar – como alguns ainda devem recordar-se – por envolvimento no ‘escândalo Lockeed’.

Este clube que sempre excluiu políticos oriundos de África, Ásia, Médio Oriente e da América  Latina, apresenta-se como defensor (promotor?) de um poderoso e hegemónico eixo atlântico (EUA-Europa) capaz de impor uma “Nova Ordem Mundial”.

Ao longo da sua existência têm sido publicados vários livros e artigos versando sobre as suas características elitistas, secretistas e conspirativas link . O relatório ‘Iron Mountain’ link, por exemplo, onde se faz a apologia de que a guerra é um dos ambientes privilegiados para fazer disparar lucros, terá sido incubado nestes antros.

A lista de portugueses que passaram pelas reuniões de Bilderberg é muito selectiva e simultaneamente significativa, manifestamente ‘oportuna’ e observada à distancia premonitória dos acontecimentos que, no futuro imediato, tiveram lugar, para ser um mero acaso. Nem sempre as apostas acertaram na taluda, mas é difícil encontrar algo que não tenha andado por lá perto.

Dentro deles e passando ao lado de Pinto Balsemão que, até 2015, foi uma presença assídua (participou em 33 reuniões!), por integrar o ‘steering committe’ (órgão director), podemos mencionar restringindo-nos ao século XXI – e sem a pretensão de sermos exaustivos - as seguintes ‘prestimosas’ presenças:
Teresa Patrício Gouveia (2000), Oliveira Martins (2001), Vasco Graça Moura (2001), António Borges (2002), Elisa Ferreira (2002), Ferro Rodrigues (2003), Durão Barroso (2003, 2005, 2007[?]… sucedendo este ano a Pinto Balsemão no ‘Bilderberg steering committe’), Santana Lopes (2004), José Sócrates (2004), Morais Sarmento (2005), António Guterres (2005), Aguiar Branco (2006), Augusto Santos Silva (2006), Morais Sarmento (2006), Leonor Beleza (2007), Rui Rio (2008), António Costa (2008), Manuela Ferreira Leite (2009), Manuel Pinho (2009), Paulo Rangel (2010), Teixeira dos Santos (2010), Nogueira Leite (2011), Clara Ferreira Alves (2011), Luís Amado (2012), Moreira da Silva (2012), Paulo Portas (2013), António José Seguro (2013), Paulo Macedo (2014), Inês de Medeiros (2014), Durão Barroso (2015), António Vitorino (2015), Carlos Gomes da Silva (2016) e a ex-ministra das Finanças (Maria Luís Albuquerque).

Se às presenças nas reuniões deste clube se sobrepuserem os acontecimentos políticos nacionais que foram ocorrendo ou o desenrolar dos ciclos políticos internos é fácil percebermos o encaixe estratégico destes 'convites' com o desenrolar da política no nosso País.

Para além de uma vultuosa presença de ‘eminências pardas’ oriundas do sector bancário (os ascendentes da família Espírito Santo mantinham relações de amizade com o príncipe Bernardo), seguradoras e holdings internacionais verifica-se – ao longo dos anos de actividade do clube - uma presença permanente e ‘especial’ nestas reuniões dos actuais ou retirados ministros das Finanças e de presentes ou passados administradores dos bancos centrais o que é deveras significativo.

O Mundo está a mudar nas suas relações de força internacionais, comerciais e dos sistemas financeiros e sabemos hoje que a ‘Nova Ordem Mundial’ já não passa estritamente pelo ‘eixo Europa/EUA’. 
Existem outros vectores económicos e financeiros em desenvolvimento e consequentemente novas potências em ascensão (‘emergentes’) que estão a fragmentar o status quo (conseguido no pós-guerra) e criarão outros e novos (des)equilíbrios.
Entretanto, o Clube continua a reunir anualmente mantendo-se fechado, isto é, preservando os seus membros e ‘convidados’, mantendo seus obscuros contornos iniciais e as suas ambições de ‘governar o Mundo’, à margem de qualquer escrutínio público, numa ostensiva postura usurpadora de poderes e funções visceralmente anti-democrática.

Enquanto as mudanças não se impuserem no terreno ficamos a saber que a mais recente ‘aposta’ do clube para este rincão à beira mar plantado é Maria Luís Albuquerque.  
Da recente reunião é manifesta a intenção de dotar o ‘eixo atlântico’ de marionetas capazes de levar a bom porto o TTIP.
Três dúvidas: a primeira, é se a aposta foi acertada; a segunda, circunscreve-se ao impacto a médio prazo na política nacional; e a terceira, trata-se de perceber como esta mensagem subliminar será entendida no Largo de S. Caetano à Lapa.

Comentários

Apesar de se tratar de uma mulher habilidosa e diabólica,a Maria Luis não tem chance de liderar o PSD,outros valores mais credíveis estão a posicionar-se para a sua ocupação.

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