Em memória de Jo Cox....

A Europa na sua generalidade condenou o bárbaro assassinato da deputada trabalhista Jo Cox. Quando utilizamos a expressão “na sua generalidade” é disso mesmo que se trata. 
Na verdade embora tenha sido uma indefectível europeísta as suas posições chocavam literalmente com os eurocratas de Bruxelas. Jo Cox não pactuava com aqueles que pretenderam ‘comprar’ o Governo de Londres, nomeadamente, numa questão que é um dos calcanhares de Aquiles da Europa. Isto é, a maneira como a UE está a lidar com o problema dos refugiados. Primeiro, não compreendia as hesitações perante o drama das pessoas que fogem de cenários de guerra, depois verberava a condescendência de Bruxelas relativamente às autorizações de discriminação face aos descendentes de emigrantes.

Mas, por outro lado, a imprensa do Mundo, dito ‘ocidental’, enfeudada aos ditames neoliberais, tem tentado esconder as causas remotas deste horrendo crime. Jo Cox morreu quando fazia campanha pela permanência da Grã-Bretanha na UE. Na realidade, Jo Cox não defendia esta União, tal como existe e teima em prosseguir mas, convictamente, acreditava que, neste momento, o importante seria defender ideais marcadamente socialistas, nomeadamente, o Estado Social e de Direito. A Europa tem sido apresentada como uma (boa) ‘solução’, todavia nunca se explicita de que Europa se está a falar.

E a imagem amplamente transmitida para o Mundo na comunicação e nas redes sociais foi mais um embuste. Quando Cameron se curva perante o cadáver da deputada trabalhista assassinada e, reverencialmente, deposita um ramo de flores devemos ter a plena convicção de Jo Cox morreu a lutar contra as políticas do primeiro-ministro britânico que conduziram a Grã-Bretanha e a Europa a esta encruzilhada. 
Ignorar esta premissa é premiar a hipocrisia que se apossou do projecto europeu e dos governos conservadores e vilipendiar a memória de uma combatente pela Liberdade e pelo Socialismo.

Comentários

Jaime Santos disse…
Uma belíssima e singela homenagem, a fazer lembrar o 'Why I write' de Orwell, em particular: 'Every line of serious work that I have written since 1936 has been written, directly or indirectly, against totalitarianism and for democratic socialism, as I understand it.' Nem mais. Parabéns!

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