O arcebispo de Braga e a democracia

O Dr. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, antigo Cónego Capitular da Sé de Braga e ex-presidente da Comissão Episcopal da Doutrina da Fé, herdeira do Santo Ofício, há de ter estudado rudimentos de democracia com o Cónego Melo a quem a prudência vaticana negou o anelão e o báculo, mas conseguiu uma estátua.

O que o Dr. Jorge Ortiga não aprendeu, trocando o cuidado das almas pela volúpia da caixa de esmolas estatais, foi o significado da palavra ‘totalitarismo’, apesar da tradição da Igreja católica e da licenciatura na Faculdade de História Eclesiástica da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

Não sei onde viu o total controle sobre os direitos das pessoas em proveito da razão de Estado, onde viu ameaçada a liberdade religiosa, que a Igreja católica só reconheceu no início da década de 60 do século passado, com azedume, no concílio Vaticano II, e onde viu limites à liberdade de expressão pia nos jornais paroquiais, colégios ou homilias!

O que o Sr. Dr. Jorge Ortiga, fiel à tradição caceteira da diocese de Braga, não suporta é a independência do poder político que a separação do Estado e das Igrejas impõe e, mãe de todos os totalitarismos, que o Estado se limite às isenções de impostos, ao pagamento dos professores de EMRC, cujo programa e docência pertencem ao poder discricionário dos bispos, ao pagamento de capelães militares, prisionais e hospitalares, e a privilégios intoleráveis num Estado laico.

É verdade que a Igreja portuguesa, onde só o honrado bispo do Porto, António Ferreira Gomes, foi a única voz dissonante do episcopado, em 48 anos de ditadura, não tem pela democracia o amor que nutre pelos negócios e, nem que seja preciso recorrer à calúnia, não abdica da chantagem para encontrar no Estado um mealheiro pio.

Jorge Ortiga, ao defender o dossiê dos contratos de associação com as escolas privadas, que comparou ao “totalitarismo de Estado”, mostrou a chantagem de que a sua Igreja é capaz para combater a laicidade e fazer ajoelhar o Estado.

Sob o ponto de vista ético não ultrapassou a estatura física do seu antecessor de há três séculos, Rodrigo de Moura Teles. À falta de paramentos amarelos, resta-lhe usar a cor na roupa interior.

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