Goldman Sachs, política e terrorismo financeiro

Ignoro se o banco Goldman Sachs influiu na falência do Lehman Brothers, que iniciou a funesta recessão em que numerosos países estão ainda mergulhados, mas sei, de ciência certa, que beneficiou dessa falência e continua a provocar danos irreparáveis.

Esteve por trás da manipulação das contas públicas da Grécia, permitindo a sua adesão ao euro, e mantém a reputação e influência intactas. O dinheiro até isso compra. Os seus relatórios continuam a destruir empresas e a arruinar países, em autênticos atos de terrorismo financeiro cujo rigor técnico traz à memória o caso grego.

No dia 1 deste mês, o seu relatório sobre a banca arrasou várias instituições bancárias, o que provocou uma colossal desvalorização do BCP, cujo futuro tornou mais incerto, e debilitou o setor financeiro português, ameaçado na sua sobrevivência.

O maior banco mundial de investimentos, que produz relatórios, recomenda a compra e venda de ativos financeiros, vende serviços de consultoria aos outros bancos e participa nas maiores fusões e aquisições mundiais, é aquele que, com os seus relatórios, influi no valor dos ativos em cujas transações participa. Joga nos dois lados do tabuleiro mundial do xadrez financeiro, com todas as peças, sem cometer crimes. A lei permite-os.

Conhecem-se os quadros europeus que o Goldman Sachs emprega, ex-governantes e economistas, quase sempre ligados a partidos filiados no Partido Popular Europeu, de onde vão para o referido banco ou de onde vêm para altos cargos da União Europeia, fazendo desta uma sucursal sua.

António Borges, Carlos Moedas, António Horta Osório e José Luís Arnaut foram alguns dos nomes conhecidos, ligados ao PSD, que circularam entre o poder político nacional, altos cargos no Goldman Sachs e as mais altas funções da UE, com a displicência com que Maria Luís Albuquerque saiu de ministra das Finanças para a administração de um fundo abutre inglês, Arrow Global, “de que nunca tinha ouvido falar”, que fez negócios com o Banif e adquiriu a empresa Whitestar, criada pelo Lehman Brothers, para agregar o crédito em risco de incumprimento, em Portugal. Saiu do Governo para cobradora de fraque.

Tudo legal. As leis jamais são feitas pelas vítimas e a própria ética depende da opinião publicada cuja obstinação acaba por transformá-la em opinião pública.

Esta promiscuidade, com que o País anestesiado se conforma, traz à memória o general De Gaulle que nacionalizou alguns bancos coniventes com o nazismo, durante a guerra, e, alguns anos depois, se disse arrependido de os não ter nacionalizado todos.

Ponte Europa / Sorumbático

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