Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
De qualquer modo, temos de "congratular-nos" - pela negativa - com este acto de desobediência ao Vaticano.
Bento XVI que, pelo menos publicamente não é um negacionista, deveria saber que, a História não retrocede.
A "re-habilitação" dos chamdos "integristas", sucessores de Mons. Lefebvre , não é possível, sem ferir uma "outra Igreja", a pós-conciliar.
É impossível, mesmo para místicos, retoceder centenas de anos.
Ele que comandou, durante 24 anos a Cogregação da Doutrina da Fé, deveria ter aprendido que as chamdas heresias (sejam quais forem) não são domáveis.
Como não aprendeu, passa por mais este opróbrio.
Donde se conclui que, nem sempre, um fidelíssimo perfeito do ex-Santo Ofício (...ofício de mandar para a fogueira) será um bom chefe da Igreja.
A ICAR começa, sob os auspícios de Bento XVI, a desconjuntar-se.
O que não é um acto prematuro. Dura há mais de 2.000 anos...
O bispo não abandona o Papa.
O bispo afronta o Papa, com as mesmas armas com que este afrontou outras derivas doutrinárias, como o do frade franciscano Leonardo Boff, etc.
Bento XVI, perdeu a noção do carácter universal que permitiu à Igreja sobreviver tantos séculos e está confinado a um âmbito eurocêntrico, redutor e limitadíssimo.
Não progride na América do sul onde as seitas surgem como cogumelos depois das chuvas e, no Oriente, não consegue contornar uma cultura milenar, com muitos vectores identitários, que lhe é, temporalmente, anterior.
Mas o grande embate estrá a decorrer com a religião judaica, onde as declarações de Richard Williamson que, Bento XVI, não conseguiu abafar, estão a incendiar o diálogo inter-religioso.
A cometer erros deste quilate, por quanto tempo perdurará o seu magistério?
É que a ICAR apesar da sua aparente bonomia é impiedosa em resguardar-se das previsíveis hecatombes...