Deus Pinheiro liberta-se deste PSD

Uma manhã. Foi quanto Deus Pinheiro aguentou no Parlamento.
Só ele e a Presidente do PSD saberão as razões que o levaram a aceitar uma candidatura que manifestamente não desejava.
Talvez fosse um candidato encapotado a Ministro ou a Presidente da Assembleia da República? Se para este último cargo, o seu Partido não teve votos suficientes, para o primeiro só se pode queixar da dita Presidente e da estratégia autofágica que ela abraçou.

Sócrates convidou o PSD para o Governo. Deus até tinha afirmado, repetidas vezes, que estaria disponível para a "salvação nacional," mas o seu partido nem debateu esse assunto.
A linha de Pacheco e Leite aposta tudo numa cavalgada contra Sócrates e contra o PS para conquistar uma maioria, um Governo e um Presidente em 2011.
Mas diz o povo: "quem tudo quer, tudo perde...!"

Comentários

Morcego disse…
Sócrates convidou o PSD para o governo? E o CDS? E o BE? e o PCP? Convidou-os a todos? Será uma Maria vai com todos? E que cedências em matéria política faria a cada um deles? Seria interessante podermos apreciar os diversos menus governativos e escolher "à la carte". Observe-se a diferença entre o que seria o conjunto de políticas PS-BE-CDU e PS-CDS ou PS-PSD. Qual estará mais próxima daquilo que defende o PS?Poder-se-ia ter explicitado isso durante a campanha eleitoral? Seria possível ao mesmo tempo que se minorizam e ridicularizam os adversários políticos, como foi feito? Será uma operação política genuína ou meramente tática e para a fotografia?
Enfim, não gosto destas encenações e jogo de cintura tão característico dos politiqueiros (todos eles).
Morcego:

A verdadeira pergunta é «o que pode fazer o PS para que o deixem governar?»

OU, melhor ainda, o que pode fazer cada partido para deixar gogernar o País quem ganhou as eleições?

Não se trata de abdicar da luta política mas de viabilizar a governação.
Morcego disse…
Verdade, mas só agora nos lembrámos disso? Qual o cenário mais próximo das políticas defendidas pelo PS? O que se fez (o PS e os outros), não só agora mas sobretudo antes, a favor dessa convergência? Todas as questões que coloquei merecem um pouco de reflexão, e mais uma. Iremos mais uma vez descobrir os inconvenientes de uma maioria relativa, que nos faça falar novamente da mudança da lei eleitoral, no sentido de ser mais fácil formar maiorias? Este assunto tem sido objecto de diversas mudanças de opinião ao longo dos tempos, ao sabor dos intereses eleitorais imediatos. Aposto que, nos próximos meses, vamos falar bastante dele novamente.
Morcego:

Estou de acordo com várias afirmações suas.

Não me surpreenderá que vários partidos, em especial o PSD, se venham a sentir mal por não haver uma maioria absoluta.

As maiorias não se formam de acordo com a vontade do partido mais votado, dependem da disposição de quem pretende voabilizá-las.
andrepereira disse…
Uma vez que os partidos em Portugal não têm maturidade para fazer coligações, como acontece em tantos países europeus, temos que mudar a Constituição para garantir a governabilidade. Sugiro:
1) diminuir o Parlamento de 230 para 201 deputados; 2) um grupo de 100 deputados seriam eleitos por círculos eleitorais com um máximo de 10 deputados; 3) os outros 101 lugares seriam eleitos por circulo uninominal. Assim haveria maiores condições de governabilidade e formar-se-iam claras maiorias de alternância e alternativa ao poder.

Nada disto seria necessário se as direcções dos partidos pensassem no país e não apenas na sua estratégia de sobrevivência.
e-pá! disse…
Os "blocos" políticos que, ao contrário do que a direita afirma, existem.
Continua a haver Esquerda e Direita.

Só que a Direita reagrupa-se, ao menor sinal, em torno de interesses capitais, como por exemplo a governação.

A Esquerda, continua prisioneira de um longo debate ideológico, sempre inacabado, para a qual a governação, antes de provocar uma conjugação de forças e de mudanças, tem sido historicamente um foco de conflitos.
As "divergências" entre as forças de Esquerda não são meras questiúnculas práticas como no PSD - nacionaliza-se ou não?.
São profundas convicções ideologicas que têm como alvo um governação para o bem-estar do Povo. E, neste campo, os caminhos são muitos. Por isso, no rescaldo de uma Legislativas em que a Equerda é sociologicamente e politicamente maioritária, não há entendimento possível.

Na futura Legislatura vão surgir situações, ditas, "fracturantes".
É, também, daí que, para o futuro, deveremos tirar ilações sobre acções conjuntas...
De resto, a governação decorrerá acidentada, mas possível.

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