Agências “independentes”, políticas dependentes…
Portugal convive com um pandemónio de sugestões, palpites e aforismos, vistos prévios, etc.Vivemos inquietos sobretudo pelas duras medidas de austeridade cá dentro [pavor da recessão, do crescimento do desemprego, etc.] e impressionados com a nossa imagem no exterior [ assustados com os mercados financeiros, as agências de rating, a OCDE, o FMI, a CE, o Ecofin, a Srª. Merkel, etc.]…
Cá dentro vale tudo. Desde as doutas [inefáveis] prelecções do Prof. Medina Carreira à mais recente aleivosia demagógica [o recente site do PSD para os portugueses mencionarem os seus “cortes” na despesa pública].
Mas o défice orçamental é que nos tira o sono. Todas as medidas tomadas [e a tomar, não sejamos ingénuos…] são à priori más e existem sempre ocultas alternativas ensombradas pelo espectro do desastre a cada esquina.
De facto, a governação do País caiu no mais profundo descrédito. A política caminha para o mais completo vazio, para uma impediosa desacreditação. O normal em situações de crise.
Mas há situações que pelo seu proselitismo são inconcebíveis. Qualquer cidadão sente que o País está sob o ferrete dos diktats do mundo financeiro. Uma coisa será reconhecer esse facto, outra será aceitá-lo acriticamente ou, desastradamente, propor a sua consagração.
Existem, para cada momento, para cada situação, "os instáveis humores do mercado" que não podem ser importunados, contrariados, muito menos questionados. Nada pior para um País frágil [económica e financeiramente] do que "o nervosismo" dos mercados financeiros. O País deixa de dormir descansado. E de manhã acorda com pensamentos estranhos…
Se não, vejamos:
Hoje, tivemos a oportunidade de conhecer mais um convertido ao pavor dos mercados ou ao altar dos interesses financeiros. O governador do Banco de Portugal (BdP) propôs, esta segunda-feira, a criação de uma agência independente para acompanhar a evolução das finanças públicas portuguesas...
link
Provavelmente mais um IP para onerar a despesa pública. Ou então mais um órgão supranumerário para “curto-circuitar” as relações institucionais entre a AR e o Governo.
A evolução das finanças públicas decorre da boa ou má governação do País, do bom ou mau exercício do papel fiscalizador da Assembleia da República. São os órgãos que estão, periodicamente, sob o escrutínio popular.
Substituir, delegar, ou enxertar competências em agências “independentes” [ao que penso do escrutínio popular] é tentar substituir a democracia pela tecnocracia.
Basta de tantas desgraças! Já nos chega a total perversão das decisões políticas pela omnipresente pressão financeira.
O que os portugueses vêm nos seus pesadelos é, tão somente, o dinheiro [tecnocraticamente] a arder. Independentemente da sua vontade!
Se não, vejamos:
Hoje, tivemos a oportunidade de conhecer mais um convertido ao pavor dos mercados ou ao altar dos interesses financeiros. O governador do Banco de Portugal (BdP) propôs, esta segunda-feira, a criação de uma agência independente para acompanhar a evolução das finanças públicas portuguesas...
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Provavelmente mais um IP para onerar a despesa pública. Ou então mais um órgão supranumerário para “curto-circuitar” as relações institucionais entre a AR e o Governo.
A evolução das finanças públicas decorre da boa ou má governação do País, do bom ou mau exercício do papel fiscalizador da Assembleia da República. São os órgãos que estão, periodicamente, sob o escrutínio popular.
Substituir, delegar, ou enxertar competências em agências “independentes” [ao que penso do escrutínio popular] é tentar substituir a democracia pela tecnocracia.
Basta de tantas desgraças! Já nos chega a total perversão das decisões políticas pela omnipresente pressão financeira.
O que os portugueses vêm nos seus pesadelos é, tão somente, o dinheiro [tecnocraticamente] a arder. Independentemente da sua vontade!
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