Presidenciais brasileiras: a 2ª. volta e a “vitória” de Marina Silva…

A grande vencedora das eleições presidenciais do Brasil foi – perdendo – Marina Silva.
Começam agora os jogos de bastidor para “encaminhar” os votos de Marina…
Uma situação difícil para os dois candidatos na 2ª. volta eleitoral.
Marina Silva, nos últimos 2 anos, sempre expressou profundas divergências com a praxis política do Palácio do Planalto [o caso "mensalão" terá sido determinante] que a levaram, primeiro à saída do Governo, depois, ao abandono do PT. A suas tensas relações com a Administração Lula, e mais especificamente, os confrontos políticos e pessoais com Dilma, serão importantes - embora politicamente possam ser não decisivos – no próximo acto eleitoral.

Marina Silva imprimiu à sua campanha uma pesada carga ideológica. Tal facto, distancia-a - essencialmente - das propostas de José Serra.

Não é certo – nem se coaduna com a personalidade política de Marina – uma indicação de voto em favor de qualquer dos candidatos. Muito menos em abono do candidato do PSDB.

A expressiva votação em Marina Silva mostra um elevado grau de maturidade do povo brasileiro. De facto, Dilma apareceu sempre como a "candidata-robot" de Lula da Silva.
Embora, o actual presidente obtenha, no final do 2º. mandato, um largo consenso de apoiantes entre os brasileiros, na arena eleitoral, tal como na arte dramática, uma coisa é ser o actor principal outra será o figurante.
Marina Silva desenvolveu uma campanha que é - apesar de todas as críticas - o aprofundamento da política de Lula e do PT.

A 2ª. volta das presidenciais é um novo acto da mesma eleição. A natureza das questões em causa não muda. Podem mudar as tácticas de aproximação e de captação do eleitorado mas a essência deste acto cívico, não. Estrategicamente o que está em causa é o desenvolvimento económico do Brasil e, com ele, a erradicação da pobreza, através de uma mais justa distribuição da riqueza. Este é o grande trunfo de Dilma já que, muito embora a sua visibilidade política seja reduzida, é co-autora desta impressionante mudança operada no Brasil. E o seu "apagamento" será, acima de tudo, mais uma consequência do retumbante êxito da governação de Lula do que subsidiário de uma menor [ou fraca] performance política.
A campanha de Dilma na 2º. Volta será mais fácil. Será a campanha da continuidade e, com certeza, contará [ainda] com um maior empenhamento de Lula.

Até 31 de Outubro José Serra terá de efectuar importantes ajustamentos, muitas cambalhotas. A primeira das quais é "limar" [contornar] a sua tenaz oposição à política desenvolvida por Lula da Silva nos dois mandatos, nomeadamente no combate à pobreza.
Não sendo um herdeiro político de Lula – em certa medida Marina Silva ainda o será – dificilmente penetrará no eleitorado à Esquerda.
É que, apesar da miscelânea de partidos que “povoam” o espectro político brasileiro, continuam a existir a Esquerda, o Centro e a Direita.

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