Um negócio da China….

O PM chinês Wen Jiabao anunciou, a 02.10.2010, em Atenas, que a China vai fazer um grande esforço para apoiar os países da Euro Zona [e especialmente a Grécia] a ultrapassar a crise económica internacional. link

Uma intromissão directa - à luz do dia - da China na crise económica [e, ao que parece, na financeira] europeia [e internacional] poderá ser um novo cavalo de Tróia para a UE.
Pequim pretende usar a Grécia como porta de entrada para a Europa. Sábado, o PM chinês, celebrou, em Atenas um amplo acordo relativo ao desenvolvimento dos investimentos chineses na Grécia. Os acordos comerciais incidem sobre sectores como a Marinha mercante, as Telecomunicações [a logística é uma questão estratégica!], o Turismo e importações de matérias-primas gregas [como o mármore].

No plano financeiro a China tem adquirido obrigações de diversos Países em crise para além da Grécia [Espanha, Portugal, Irlanda, etc.] o que devido aos altos juros praticados fornece à China a possibilidade de pagar com facilidade [com os elevados spread’s das obrigações colocadas no mercado financeiro] o investimento das importações europeias. A estratégia chinesa será intensificar a sua presença nestes mercados financeiros. Paralelamente, o investimento nos Países mais fragilizados da UE reduz-lhe os riscos de incumprimento por parte desses Estados, todos a braços com uma elevada dívida pública.

Secundariamente, a verificar-se a sua presença em força nos mercados financeiros internacionais, retirando o monopólio da especulação aos boss’s de Wall Street, poderá aliviar a pressão desses mercados sobre os Países periféricos da Europa. A lei da oferta e da procura a funcionar…, associada a uma tradicional subtileza dos orientais na técnica do bluff.

Um óptimo negócio para a mais poderosa potência emergente do Mundo. A China avança para a Europa, fundamental para garantir a comercialização dos seus produtos, enquanto a Europa não conseguindo coordenar políticas, continua distraída com problemas migratórios, identitários, xenofobismo, etc.

Resumindo, Wen Jiabao, está na Europa para concretizar um “negócio da China”…

Apostila:
Por facilidade de escrita e inércia referi a República Popular da China como " China".
Hoje, particularmente, deveria ter tido o cuidado de a denominar, pelo menos, República...

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