BRASIL - Considerações sobre o anúncio de Marina Silva…



A segunda volta das eleições presidenciais brasileiras entrou numa nova etapa (fase) com o anúncio do apoio da candidatura (derrotada) de Marina Silva ao candidato Aécio Neves link.
Existem, contudo, na declaração proferida por Marina Silva algumas passagens que não se entendem ou são preocupantes.

Marina não declarou o apoio ao candidato do PSDB enquanto ‘cidadã independente brasileira’, como tentou fazer passar na sua proclamação. A ex-canditada concorreu pelo partido PSB e foi nessa condição que expressou a sua decisão.  Muito embora este apoio não seja pacífico no seio do PSB, como demonstra a carta aberta do presidente do partido link, Roberto Amaral, a declaração de Marina Silva parece representar a posição oficial do mesmo. Aliás, qualquer cidadão brasileiro verifica que as questões políticas no seio do PSB estão a ser tratadas por processos muito pouco ortodoxos já que não se entende em que qualidade Marina (pertencente ao movimento ‘Rede Sustentabilidade’) e a família Campos interferem nas questões partidárias. Tudo indica que o PSB ficou refém do ‘grupo pernambucano’ e deixou de ser um partido nacional.

Por outro lado, a ‘rejeição de qualquer interpretação’ (estes foram os termos ultilizados) sobre a ‘carta de intenções’ assumida pelo candidato Aécio Neves, não passa de uma manobra de prestigiação para ocultar negociações prévias link.  Negociações que, como Roberto Amaral revela na sua carta, já contemplam (‘nas ante-salas da sede em Brasília’) a distribuição de pastas ministeriais num futuro e eventual governo de Aécio Neves.

A reorientação da campanha eleitoral na 2ª. volta das presidenciais à volta da sigla ‘todos contra Dilma’ não é um bom prenúncio nem conduzirá a resultados satisfatórios porque não será baseada no esgrimir democrático de projectos e objectivos para o quadriénio 2014-18 mas parece condenada a sucessivas chicanas políticas e eleitorais. 
Escudar-se numa almejada ‘alternância do poder’ só pelas virtudes democráticas da ‘alternância’, sem ter na manga uma alternativa programática e verdadeira é extremamente superficial e frágil. 
Sem subscrever cegamente a acção governativa de Dilma Rousseff que a realidade mostrou ter fracassado em muitos aspectos, será difícil deixar de constatar que, quando a Presidência foi entregue pelos brasileiros ao PT, muito mudou no Brasil e muito poderá ser revertido, por exemplo, por uma governação ultra-liberal.

Certamente que existirão outras e várias alternativas dentro de um quadro de governação de Esquerda. Mas não as que foram anunciadas por Marina a reboque da declaração de compromisso de Aécio.
Por princípio um partido socialista seria uma natural aternativa ao PT, desde que se mantivesse fiel aos princípios ideológicos do socialismo. Marina na declaração de endosso e orientação dos seus votantes para a 2º. volta, bem como Aécio na sua declaração, não tiveram a clareza e abertura suficiente para explicitar que programa têm acerca, por exemplo, do futuro do Banco do Brasil, uma alavanca financeira fundamental para o desenvolvimento País. Os boatos que inundaram a 1ª. volta link sobre uma eventual privatização e submissão aos mercados financeiros continuarão a ser esgrimidos e alimentados.

A Esquerda não deve gerar à sua volta um deserto de alternativas. É salutar que não o faça. Mas existe uma condição essencial e primária: que as alternativas caibam e identifiquem-se com o quadro ideológico onde a Esquerda tem necessária e historicamente de se movimentar.

Comentários

Manuel Galvão disse…
Em Portugal também houve um cavaco que ganhou com os votos socialistas anti alegre, logo na primeira volta!...

o socialismo "em liberdade" tem destas coisas...

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