PSD e CDS – Surpresas e curiosidades políticas

Desde a vitória de Rui Rio contra Santana Lopes, uma clara derrota da tralha cavaquista reunida em torno de uma figura menor, ora catedrático por equivalência, não pararam os ataques a apoiantes do novo líder do PSD, umas justas, outras não, para o atingirem.

Percebe-se o medo do grupo de autarcas cuja corrupção foi denunciada na revista Visão, perante um líder sem mácula nem afinidades com o referido bando, e o silêncio à volta da denúncia, na comunicação social e na PGR.

Não admira que pasquins, onde se destaca o Observador, se tenham virado para a defesa de Assunção Cristas, comprometida e solidária com o péssimo governo e as decisões de Passos Coelho.

O congresso do CDS foi mais um, no pequeno partido cuja ideologia desapareceu com a morte de Amaro da Costa e o afastamento de Freitas do Amaral, para se tornar a muleta do PSD, a troco de amplas entradas no aparelho de Estado e compra de veículos de alta gama, dos submarinos aos tanques de guerra, indiferente à orientação ideológica.

Assunção Cristas não cresceu politicamente, inchou, e passou a reclamar a liderança da direita, tendo por referência Adriano Moreira, figura longeva de notável inteligência e imaculado passado fascista.

A curiosidade do Congresso do CDS está mais nas semelhanças com o passado do que na visão de futuro, se acaso a tem.

Nuno Melo, que ignora os assassínios do padre Max e Maria de Lurdes e imagina o ELP e o MDLP criações patrióticas, foi o trauliteiro de serviço. O autor do voto de pesar pela AR, na morte do incorrigível salazarista, cónego Melo, revelou à saciedade quais são os seus ídolos e fontes de inspiração.

Assunção Cristas, para lá da euforia incontrolável que a tomou, da sedução pela beleza das touradas e da exploração mórbida da tragédia dos incêndios, limitou-se a aproveitar a divisão do PSD e a repetir no 27.º Congresso do CDS slogans de sabor salazarista:

«[O CDS] ...sabe o que quer e sabe para onde vai» (Assunção Cristas, 11-03-2018)

[«Sei muito bem o que quero e para onde vou» (Salazar, 1928)].

Não conseguindo o PSD a vitória dos piores, conseguiu-a o CDS. Em breve, convidará Manuel Monteiro a regressar, em apoteose.

Ponte Europa / Sorumbático

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