As catilinárias cavaquistas …

Cavaco Silva - que os portugueses julgavam num tranquilo e remanso retiro depois de tantos anos de atividade política - isto é, gozando das delícias da(s) sua(s) ‘conquistada(s)’ reforma(s) não desiste de perorar sempre que lhe dão oportunidade e, na passada, continua a exibir uma confrangedora deficiência democrática que raia as bordas da indigência.

Surge agora com novo diagnóstico ao nível da mediocridade a que já nos habituou anunciando a abrir que a política económica do atual governo ‘não tem novidade’. Logo de seguida, afirmou sibilinamente que as carências de investimento (financiamento) que fustigam o SNS (desde há largos anos), com reflexo na qualidade da resposta e na acessibilidade, são consequência da descida do IVA da restauração link. Um raciocínio ao nível do inefável Camilo Lourenço.
 
Um dia – mais cedo que o homem de Boliqueime esperará – a realidade virá ao de cima e será impiedosa no julgamento das opções políticas passadas de um homem que - tendo estado mais de 20 anos na política desde o 25 de Abril - sempre que pode ‘morde a mão do dono’ (o regime democrático).
No presente, já sem credibilidade política ou profissional suplanta as suas insuficiências com permanentes e abusivas divagações fantasiosas, distorcidas e execráveis.
Na verdade, um economista que se preze – não me parece ser o caso vertente - não deve ficar pela espuma das coisas.
 
É certo que este governo (PS) tem exibido um ‘obsessivo pendor orçamental’ restritivo, centralizado na diminuição do deficit a todo o custo e tem por esse motivo sido criticado à Esquerda - legitimamente por que têm sido apresentadas propostas alternativas - por esse comportamento político.
Não houve vontade política nem clarividência social para, p. exº., combater o subfinanciamento crónico do SNS que existe desde o seu começo e teve diversas flutuações, uma das maiores (pela negativa) durante o governo Passos Coelho/Portas/Troika.
 
Mas as causas mais recentes para a deterioração do Estado Social poderão ser procuradas e encontradas, noutros terrenos, e que Cavaco Silva ostensiva e manhosamente contornou, como, p. exº., nas enviesadas e ultraliberais privatizações de sectores estratégicos da economia (CTT, GALP, EDP, REN, PT, BRISA, etc.) que, em devido tempo, tiveram a ‘bênção cavaquista’ e, feitas as contas por alto, acabam por subtrair ao Orçamento do Estado avultadas verbas (3.000 milhões de euros?), montante que no balanço anual o conjunto destas empresas capitalizam e poderiam ter – se as opções cavaquistas e decisões correlativas tivessem sido outras – sido revertidas em investimento público.
 
As afirmações de Cavaco Silva serão ainda mais gravosas se tivermos o discernimento de ir um pouco mais atrás e ‘encalharmos’ no tenebroso ‘caso do BPN’ um típico produto do desvario financeiro cavaquista executado pela sua entourage.
 
Várias perguntas se colocam à volta desta escandalosa fraude financeira indissociável do ‘cavaquismo’.
- Quantos milhares de milhões de euros custou ao Estado – logo, aos contribuintes - a intervenção pública no BPN?.
- Qual o impacto orçamental diferido no tempo (desde 2 de Novembro 2008) do ´resgate’ deste Banco’?
- Por quanto tempo mais e com que custos orçamentais anuais vamos continuar a sustentar os ‘veículos resolutivos’ (Parvalorem,  Parups, Participadas) encontrados para ‘(en)cobrir’ esta fraude?
- O que teria sido possível investir, por exemplo, no SNS ou na Educação Pública ou nas prestações da Segurança Social, isto é, no Estado Social, com os quase 4 mil milhões de euros definitivamente enterrados no BPN?
 
São perguntas  que Cavaco ostensivamente ilude, quando não deturpa as respostas, desviando-se dos assuntos, como aliás tem acontecido com outras situações referentes ao seu interminável e desastroso consulado.
Na verdade, a Direita sempre esgrimiu as suas baterias contra o Estado Social, e a sua conceção ideológica de ‘Estado Mínimo’ é, por si só, muito explícita.
 
O aberrante é uma avantesma deste tipo continuar a pensar que tem autoridade para perorar sobre opções económicas, presentes ou futuras, num claro e ostensivo abuso da paciência e tolerância dos cidadãos ou, pior, na convicção que todos os outros (os portugueses e as portuguesas) são estúpidos(as) ou um bando de incautos. 
 
Cavaco suscita uma célebre frase de Cícero: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?”…
O tempora!, O mores!’…

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