Há 45 anos ainda o fascismo resistia

Faltam algumas horas para a madrugada do mais belo de todos os dias.

Gastei as palavras, ao longo dos anos, a exaltar Abril, mas não deixei que a emoção me abandonasse nos anos que passaram, em todos os aniversário que celebrei, em cada dia da madrugada em que nasceu o dia mais belo dos dias de todos os anos da minha vida.

Aguardava esse dia e nunca duvidei de que viria. Quando ouvi o comunicado do “Posto de Comando”, soube que chegara. Não pensei que houvesse outro lado, que outras mãos pudessem empunhar armas, que as prisões políticas continuassem fechadas ou a censura ousasse continuar.

Sofia disse-o na intensa beleza da forma e na densidade da substância, em quatro versos onde se imaginam os cravos que florescem e perfumam a democracia.

“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

Hoje virá a noite que será sempre madrugada. Amanhã é um novo dia e todos os cravos serão poucos para homenagear os militares que, há 45 anos, libertaram Portugal do pesadelo de 48 anos.
Na apoteose do sonho, nasceu o Portugal de Abril, saído do ventre da madrugada pelas mãos do MFA.
Viva o 25 de Abril, sempre!

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