Eleições presidenciais 2026

Eleições presidenciais 2026

Sem a perversidade de Marcelo e a cumplicidade de Lucília Gago, António Costa seria ainda PM, até outubro, e o Chega teria 12 deputados. Assim, Seguro não seria PR e Montenegro, após liderar o PSD, teria regressado a Espinho, aos negócios, à advocacia e à Spinumviva.

Mas as coisas são o que são e Marcelo termina o mandato com a habitual empatia para com as vítimas das sucessivas tempestades e os discursos excelentes que sabe proferir, mas sairá como ativo tóxico da democracia, fracassado, ferido na honra e na vaidade.

As eleições foram ontem e só houve um vencedor, de forma avassaladora, A. J. Seguro.    

O tartufo, como usualmente, anunciou a ida à missa de onde saiu bem confessado, bem abençoado, rezado e ungido, esem conversar com o Divino, que certamente não o ouve, e sem balbuciar: «Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?». Enquanto era visto, como queria, elaborou o discurso de derrota com a ameaça de vir a ser PM, já esquecido das vítimas do temporal e a ameaçar tornar-se o Trump português. E o perigo existe!

Ventura foi derrotado por 2/3 dos eleitores, que o rejeitam e recusaram o adiamento do ato eleitoral e a proposta de suspender a Constituição e a democracia. Reprovaram ainda o aproveitamento obsceno que fez da tragédia que atingiu Portugal.

Seguro teve uma vitória retumbante, mérito seu, após dez anos a andar por aí, sem dar sinais de vida, graças à coincidência de candidaturas de direita, que se anularam entre si. A antecipação da sua candidatura, depois de Pedro Nuno Santos o  referir como possível candidato do PS, entre outros, acabou por ter a máquina partidária a apoiá-lo, máquina sem a qual seria impossível a vitória.

A Constituição (CRP), a democracia e o 25 de Abril saíram vitoriosos contra a tentativa golpista de revisão da primeira, descaracterização da segunda e vingança contra o 25 de Abril e os militares do MFA a quem devemos o regime democrático.

A direita democrática existe e deteve a radicalização deslizante que a ameaçava, desde Passos Coelho, sem que Rui Rio pudesse travá-la. A vitória de um PR da ala direita da social-democracia, deixou-a satisfeita enquanto todos os democratas exultaram.

A extrema-direita teve arimeticamente os votos do Chega somados aos da IL, isto é, dos que negam o aquecimento global e se opõem a medidas para a contrariar. O populismo já não é monopólio de Ventura e vai ter de partilhar a clientela com Cotrim que, depois de se lamentar “Vocês têm ideia do que é que fizeram à minha vida?”, vai agora para a SIC-N a tratar da vida política para o lugar onde Marques Mendes fracassou.

O PM, pusilânime na escolha do campo democrático, desejou, após a fulgurante vitória de Seguro, neutralizá-lo, «a eleição não mudou nada». Ocupou o espaço mediático, fez um longo e inapropriado comício, como PM, e ameaçou cumprir o programa desenhado com o Chega, o que lhe poderá valer o primeiro amargo pós-eleitoral.

Enquanto Montenegro prepara a remodelação para apresentar ainda a Marcelo, e Passos Coelho aguarda o regresso para fundir a direita e a extrema-direita, vale a pena observar os membros da AD, afins do Chega: Sebastião Bugalho, Paulo Núncio e Nuno Melo.

Nem o novo PR, nem a esquerda, na sua diversidade, terão uma vida fácil, mas o golpe de Estado jamais virá de Belém. E a esquerda só espera do novo PR o cumprimento da promessa e do juramento que fará: «Defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição».




Comentários

JA disse…
Não foi fácil desistir de votar em branco!
Gostei do discurso do novo Presidente eleito.
Reergui a esperança, mesmo que de modo muito ténue.
Como cidadão, julgo-me no direito de exigir do novo inquilino de Belém que cumpra a Constituição tal como prometeu.

No mínimo, "quero" ver cumprido o seu artigo 7º, que reza:
"!(Relações internacionais)
1. Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.
2. Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.
3. Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.
4. Portugal mantém laços privilegiados de amizade e cooperação com os países de língua portuguesa.
5. Portugal empenha-se no reforço da identidade europeia e no fortalecimento da acção dos Estados europeus a favor da democracia, da paz, do progresso económico e da justiça nas relações entre os povos.
6. Portugal pode, em condições de reciprocidade, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado de direito democrático e pelo princípio da subsidiariedade e tendo em vista a realização da coesão económica, social e territorial, de um espaço de liberdade, segurança e justiça e a definição e execução de uma política externa, de segurança e de defesa comuns, convencionar o exercício, em comum, em cooperação ou pelas instituições da União, dos poderes necessários à construção e aprofundamento da união europeia.
7. Portugal pode, tendo em vista a realização de uma justiça internacional que promova o respeito pelos direitos da pessoa humana e dos povos, aceitar a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, nas condições de complementaridade e demais termos estabelecidos no Estatuto de Roma."
Haja dignidade e sentido de Independência Nacional e não será difícil cumprir tal desiderato, para bem do Povo Trabalhador deste País!
Carlos Antunes disse…
O problema é que a competência do PR em matéria de relações externas é muito limitada como decorre do artigo 135.º da Constituição:
“Competência nas relações internacionais
Compete ao Presidente da República, nas relações internacionais:
a) Nomear os embaixadores e os enviados extraordinários, sob proposta do Governo, e acreditar os representantes diplomáticos estrangeiros;
b) Ratificar os tratados internacionais, depois de devidamente aprovados;
c) Declarar a guerra em caso de agressão efetiva ou iminente e fazer a paz, sob proposta do Governo, ouvido o Conselho de Estado e mediante autorização da Assembleia da República, ou, quando esta não estiver reunida nem for possível a sua reunião imediata, da sua Comissão Permanente”.
O PR tem igualmente, de algum modo relacionado com o art.º 7.º (Relações Internacionais), o de:
- Exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas (art.º 134.º, alínea a)) - foi por ex, invocando este disposição que o Presidente Jorge Sampaio impediu o envio de militares portugueses para a invasão ao Iraque, como pretendia Durão Barroso;
- Pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República (art.º 134.º, alínea e)).
Mas como se vê, em matéria de política externa, a competência pertence sobretudo ao Governo e não ao PR.



JA disse…
1. Nos termos do Artigo 120.º da CRP, "O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.
E,
2. Conforme o nº 3, do artº 127º, "No acto de posse o Presidente da República eleito prestará a seguinte declaração de compromisso:
Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.

Assim, com o devido respeito, e sem mais considerações, não será por falta de poderes constitucionais que o Presidente deixará de exigir o cumprimento do artº 7º. Tenha ele vontade e coragem políticas para o fazer, como deve.

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