sábado, junho 30, 2007

Dúvida metódica

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E não pode ser o contrário?

Notas Soltas - Junho/2007

Entrada em Almeida


Tribunal de Contas – A eficiência e isenção do tribunal presidido por Oliveira Martins, no escrutínio das contas do Governo, autarquias e Regiões Autónomas, tornou-se o paradigma do bom serviço público no combate à incompetência e corrupção.

União Europeia – O gigante económico está à deriva, sem desígnio, a lamber as feridas da invasão do Iraque. Cabe à presidência portuguesa relançar o projecto comum sem o qual a Europa não vence a irrelevância política em que mergulhou.

Rússia – A estratégia militar dos EUA, na Europa, divide a União Europeia e compromete as relações com a Rússia assentes no respeito mútuo e interesses comerciais recíprocos.

Espanha – A ETA, ao pôr fim à trégua que lhe deu a oportunidade de substituir o terrorismo pelo combate político, esbanjou a generosidade do PSOE, que pode não se repetir, e regressa à espiral de violência após um excelente favor ao PP.

Justiça – Franquelim Lobo, acusado de associação criminosa e tráfico de droga, considerado um dos maiores traficantes da Península Ibérica, foi absolvido, na repetição do julgamento que o condenara a 25 anos de cadeia, graças a uma «falha processual».

10 de Junho – Permanecem as cerimónias fúnebres herdadas da ditadura, que exaltam o passado e apelam à nostalgia. O dia de Portugal, que celebra a cidadania, a liberdade e o sonho é, e será sempre, o 25 de Abril.

França – As eleições legislativas confirmaram a popularidade de Sarkozy e deram a vitória à Direita, com o Partido Comunista a perder força e o espectro político a encaminhar-se para a bipolarização.

Ota – A fúria com que a CIP e a Ordem dos Engenheiros atacaram a localização do novo aeroporto, aceite por quatro Governos sucessivos, foi um exemplo de dedicação ao bem público. O motivo de tamanha generosidade começa a vir à tona.

Palestina – A progressiva influência do Hamas é mais uma acha no caminho do ódio, da violência e da intolerância religiosa que lavra na região. Depois da faixa de Gaza a instabilidade ameaça contaminar a Cisjordânia.

Cavaco Silva – A vocação para primeiro-ministro impeliu-o para a ingerência em assuntos do Executivo – Ota e TGV –, mas é obrigação de Sócrates ajudá-lo a cumprir o mandato com dignidade.

PSD – Tem o domínio da comunicação social e da maioria das autarquias. Os Tribunais aceitam as providências cautelares que tolhem o Governo. Falta-lhe um líder e a confiança do eleitorado.

CDS – Com a PJ e o Ministério Público a investigar as contas do partido por suspeita de ligação ao caso Portucale, Paulo Portas já chamuscado no caso Moderna, em trapalhadas fiscais e numa empresa de sondagens, vê a sua indignação desacreditada.

Eutanásia – 39% dos médicos oncologistas são a favor da legalização. João Lobo Antunes, mandatário de Cavaco Silva nas últimas eleições, declarou: «Há situações em que acho que a devia ter feito». Urge discuti-la.

TGV – O acordo assinado por Barroso e Aznar não mereceu, então, ao PSD, qualquer crítica. Agora, depois da Ota, é o TGV que é preciso adiar para impedir o relançamento do emprego.

IVG – A regulamentação da lei que a autoriza até às 10 semanas, a pedido da mulher, exclui das consultas os médicos objectores de consciência e a crueldade de exibir a ecografia a quem, em situações dramáticas, recorre ao aborto.

Assembleia da República – A proposta de redução de 230 para 181 deputados, apesar da simpatia que desperta, é um acto demagógico e perverso que visa prejudicar os partidos mais pequenos – PCP, BE e CDS.

Círculos uninominais – A eventual criação conduzirá à multiplicação do número de caciques. A proporcionalidade e democraticidade seriam bem melhor defendidas, em sentindo inverso, com cinco círculos continentais, um por cada região plano.

Polónia – A extrema-direita no poder é uma fonte de perturbação e um enorme obstáculo à coesão da União Europeia cujo tratado é indispensável para que à economia se possa juntar a cooperação política e social.

Inglaterra – O primeiro-ministro Gordon Brown não emenda o erro nem releva o crime de Blair, que fez do Iraque o cemitério da honra, da legalidade e dos militares da coligação, mas nomeou ministro dos Estrangeiros um oponente à invasão.

Joe Berardo – A arrogância e rudeza com que se comporta o alegado benemérito deixa dúvidas sobre o filantropo e suspeitas sobre o oportunista de todas as negociatas.

sexta-feira, junho 29, 2007

Viseu - Agressão ao padre

Foto: Diário as Beiras

Mahatma Gandhi, se era empurrado e derrubado por um contínuo de Sua Majestade nas escadas de um palácio indiano, erguia-se cheio de pena pela humilhação que o agressor tinha sofrido, mas Gandhi era um homem singular e uma figura ímpar do século XX.

Na nossa cultura a humilhação é da vítima, o algoz é o herói, seja a vítima um velho, o ser isolado entre a multidão que ulula ou um padecente perante a canalha que lhe atira pedras e insultos.

Do coice da besta ou da selvajaria de um primário ninguém está livre. O padre Manuel Barranha, agredido e escorraçado em Pindelo de Silgueiros, foi a vítima da boçalidade que avança sem que a censura da opinião pública se exerça. Cercar um padre ou outro cidadão com a ajuda de outros primatas, insultá-lo e agredi-lo dá direito aos cinco minutos de fama, à fotografia do jornal ou à entrevista televisiva e, raramente, a uns dias de enxovia.

A sensatez foi exonerada da opinião pública e a força física recuperou o prestígio do tempo da pedra lascada. Quanto mais frágil for a vítima mais prestígio assume o algoz. E não há quem faça vingar a urbanidade sobre os instintos primários nem a delicadeza dos modos sobre a rudeza dos instintos.

O caso da obscura aldeia, independentemente dos motivos, é o paradigma de um país rude, numa zona selvagem com gente primária e mal-educada.

A fachada da capela, sem janelas e com altifalante, é a imagem certa da aldeia onde não entra o ar da civilização e donde só saem ruídos.

Espaço dos leitores

Jardins Suspensos da Babilónia
(wikipédia)

Viagem de autocarro

Ontem, entrei num autocarro com um padre católico sentado no banco ao lado do meu, do outro lado da coxia.

Olhei aquele rosto triste de um homem de 70 anos, com o colar romano a apertar-lhe o pescoço como o cincho onde se estreita o queijo para extrair o soro. Há muito que não via tal adereço na via pública. O uso manteve-se com a resignada dedicação ao múnus.

Não pude deixar de apreciar aquele homem só, a caminho de uma casa da Igreja ou de um ritual que perdeu o sentido e de que a sociedade se desinteressou.

Que sofrimento ajudou a desenhar aquelas rugas? Quantos desejos reprimidos e quantos anos perdidos com o pescoço apertado por um colar e a lapela ornada com uma cruz?

Terá amado, teve sonhos, realizou-os? A meu lado um cidadão, sozinho, levava os olhos vazios e o ar de quem cumpriu a vida sem a viver.

Era preciso ser cínico ou mau para não sentir compaixão por quem dedicou o tempo e a juventude a uma quimera, perdeu a vida perseguindo o sonho do Paraíso e chega ao fim da estrada sem saber por que a percorreu.

Somos ambos da mesma massa. Com poucos anos de distância ensinaram-nos a ajoelhar e a rezar. Eu levantei-me, ele ficou de joelhos. Eu vivi a vida, amei e passei incógnito na estúrdia, sem um colar a que só falta a trela e sem a cruz a que não faltaram espinhos. Ele imolou a vida por um mito e esqueceu-se de si próprio por coisa nenhuma.

É injusto que aquele homem que sofreu o que eu não sofri, que trocou a vida por outra que não existe, tenha os mesmos sete palmos de terra à sua espera sem um filho que lhe recorde o nome ou guarde o retrato. Por um deus que inventaram para lhe tramar a vida.

Câmaras estão falidas (2). Opinião de um leitor*


Não tendo especial admiração pela qualidade da gestão dos nossos responsáveis autárquicos, o que é certo é que precisamos ter algum cuidado com estas notícias que, por serem descontextualizadas, podem confundir as pessoas menos familiarizadas com estas questões da contabilidade pública e do POCAL.


Alguém me sabe responder o que é, em termos de contabilidade pública, uma Câmara falida?


Como as Câmaras não são empresas, os rácios financeiros aqui não têm a mesma eficácia informativa e mesmo, por vezes, podem induzir, os menos avisados, em erros de avaliação.


Este relatório diz-nos que uma das Câmaras que apresenta maiores problemas financeiros é a de Gondomar. Completamente falso. O rácio utilizado para esta conclusão é completamente desajustado da realidade autárquica. Só na Área Metropolitana do Porto, financeiramente em muito maior dificuldade que a Câmara de Gondomar, está a de Gaia, a de Valongo e mesmo a do Porto.

Haveria muito mais a dizer, mas por hoje fico-me por aqui.

Momento de Filosofia

Fanatismo e Tolerância

Como se define o fanatismo Lord Russell?

Inclino-me a classificar de fanático todo o indivíduo que considera uma determinada coisa tão avassaladoramente importante que a coloca acima de tudo o mais.Vou dar-lhe um exemplo. Suponho que toda a gente bem formada reprova a crueldade para com os cães; mas se alguém considerar essa crueldade como a pior que pode haver, esse alguém é um fanático.

Acha que na história da humanidade se têm visto muitos casos em que se formam numerosos grupos de fanáticos?

Sim, tem havido casos desses em quase todas as épocas, e na grande maioria dos países. É uma das doenças mentais a que estão sujeitas as comunidades.

“…. Porque é que o fanatismo atrai tanta gente?

Porque em certa medida confere uma agradável sensação de solidariedade. Os fanáticos quando se juntam, sentem-se à vontade entre amigos.Entusiasmam-se. Pode apreciar o facto em qualquer partido político.
Há sempre um grupo de fanáticos à roda dele, que se sentem muito bem em companhia uns dos outros e quando a coisa se espalha e se combina com uma tendência para odiar um outro grupo, então o fanatismo floresce.

Mas o fanatismo pode alguma vez servir de mola real para boas acções?

Serve de mola real para acções, sem dúvida, mas não sou capaz de me lembrar de nenhum caso na história em que essas acções fossem boas. Têm sido sempre acções más, creio eu, porque o fanatismo é parcial e tem quase inevitavelmente um elemento de ódio. Os fanáticos odeiam os que não comungam nas mesmas ideias. È praticamente inevitável.

“in A minha concepção do mundo”

Bertrand Russell

quinta-feira, junho 28, 2007

Coimbra - Tribunal condena líder distrital do CDS-PP


Sónia Sousa Mendes, dirigente distrital do CDS-PP de Coimbra, foi condenada pelo tribunal da Lousã a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa de três anos, pelo crime de peculato

O tribunal deu como provado que a dirigente partidária se apropriou em proveito próprio de cerca de 15 mil euros referentes ao transporte de alunos.
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Nota: O Tribunal não acreditou em Paulo Portas que veio à Lousã, pessoalmente, testemunhar a honestidade da sua fiel presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra.

Vendetta?

Faculdade de Direito de Lisboa
Saldanha Sanches chumbado

O fiscalista Saldanha Sanches foi hoje (ontem) chumbado nas provas de agregação da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Seis dos nove elementos do júri votaram contra a tese apresentada pelo mandatário da campanha de António Costa.

Câmaras estão falidas

Do total dos 308 municípios, 227 não têm dinheiro para pagar as dívidas

Gondomar foi em 2005 o município do país com a maior dívida a fornecedores, que deveria ter sido paga com as receitas do ano anterior. A conclusão é do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses.

Governo e adversários medrosos

Pasmo com alguns comentários deixados no Ponte Europa por anónimos justiceiros e corajosos democratas na clandestinidade.

Antigamente era perigoso combater o Governo, hoje é incómodo apoiá-lo. Então era a prisão e a tortura que se abatiam sobre os adversários, hoje é o insulto e a calúnia que zurzem os meros suspeitos de serem correligionários.

Antes do 25 de Abril temiam-se os informadores, agora aturam-se os anónimos, filhos dos bufos e inimigos da democracia, incapazes de suportarem os resultados eleitorais.

Permanecem a miséria intelectual, a pusilanimidade de atirar a pedra e esconder a mão e a subserviência de tirar o chapéu para procurar um empenho e viver do expediente.

A coragem cívica de dar a cara e abraçar causas é privilégio de poucos. Há os filhos e a profissão, o padrinho, o gerente, o patrão e muitos outros que não convém aborrecer.

Os adversários são venais, pedófilos, ignorantes, crápulas e gatunos. Os correligionários são imaculados, generosos e incorruptíveis.

Quem não consegue escrever uma frase sem erros, julga-se intelectual por chamar besta a um ministro, sob anonimato, na caixa de comentários de um blog.

É desta massa de invertebrados, incapazes de apoiarem uma greve, receosos de saírem à rua no 1.º de Maio, cuja política – afirmam – é o trabalho, é desta horda de homúnculos que depende o futuro do País.

Muitos vivem como podem e raros vivem como devem.

Quem vive como quer, despreza os que nunca quiseram correr riscos e acredita cada vez mais que é bem pior o País que somos do que o Governo que temos.

quarta-feira, junho 27, 2007

Notícias

REINO UNIDO – Gordon Brown nomeado primeiro-ministro

TIMOR LESTE – Violento ataque de Mari Alkatiri a Xanana Gusmão

IRAQUE – Capturado cabecilha da al-Qaeda

AUTARQUIAS – Três quartos dos municípios sem dinheiro para pagar dividas

Não atropelarás a mulher do próximo...

Ninguém está livre...

«Se ele está com problemas de saúde ou com problemas mentais que se vá é curar» [sic]. Sua Excelência o Comendador Berardo, referindo-se a António Mega Ferreira.

A cultura e o dinheiro

Ponte Europa/Pitecos - Zedalmeida

Falso padre tão bom como os verdadeiros

Agostinho Coutinho Caridade, de 34 anos, natural de Barcelos, andou dois anos pelo concelho da Trofa. Terá celebrado dois casamentos e um baptizado, segundo rezam os livros da paróquia de Alvarelhos. Nas missas, "emocionava as pessoas", recorda a paroquiana.

Tratado Europeu – Opinião de um leitor

1.Bem gostaria que já tivesse havido um debate nacional profundo sobre a União Europeia, seguido de um referendo sobre a adesão de Portugal. O momento mais apropriado teria sido quando o Governo de Mário Soares solicitou a adesão ou, mais tarde, quando da ratificação do Tratado de Maastricht, pela razão de que este tratado alterou e aprofundou significativamente o Tratado de Roma, instituindo uma união política em substituição de uma comunidade económica, com profundas implicações no que eram os poderes tradicionais do Estado.

Outro momento para tal poderia ter acontecido se o processo de ratificação do Tratado Constitucional não tivesse sido suspenso.

Eu sou assumidamente europeísta, porque acredito que Portugal é indiscutivelmente um país europeu (ao contrário do que dizia Salazar), cujo destino está na Europa, e porque creio que fora dela Portugal e a Democracia seriam inviáveis – a História no-lo ensina. E a Europa que desejo é a Europa dos cidadãos, a Europa das liberdades e dos valores civilizacionais, a Europa dos direitos sociais, enfim, a Europa do modelo social europeu, como foi pensada pelos seus «pais» fundadores. Por tudo isto, discutir e conhecer melhor o projecto europeu é para mim fundamental, para que o processo de integração política se possa aprofundar.

2. Mas também defendo o Estado de direito democrático e constitucional. A União Europeia não substitui os seus Estados-membros, e o respeito pelo ordenamento constitucional de cada Estado é um dos seus princípios basilares. Sou muito crítico deste Governo por, em diversas matérias, haver defraudado os portugueses, nomeadamente esquecendo ou subvertendo as suas promessas eleitorais. Mas em matéria de Europa, o que foi prometido foi o referendo do suspenso (morto) Tratado Constitucional. Não me incomodo nada de, nesta matéria, estar, eventualmente, de acordo com o pensamento do PR - em quem não votei. A fixidez partidária é um dos males que mina a saúde do nosso sistema político. O que o país precisa é de mais participação crítica dos cidadãos.

3. Quanto ao conteúdo concreto do esperado «Tratado de Lisboa», bastará ler na imprensa a súmula do que foi aprovado no Conselho de Bruxelas, ou, para os mais exigentes, o texto da respectiva resolução, disponível na Internet ou num Centro de Documentação Europeia (existe um em Coimbra).

a) Monteiro Valente - Ter Jun 26, 11:17:00 PM

terça-feira, junho 26, 2007

As relações entre Varsóvia e Berlim

Capa da revista 'Wprost'
A chancelerina Merkel e os gémeos Kaczynski
( Foto: EFE)

Basta de demagogia

O aeroporto de Lisboa é o quarto pior da Europa que mais população afecta, essencialmente com o ruído, segundo uma escala elaborada por uma organização não governamental britânica.

Espaço dos leitores

(Júlio Pomar)

Não se pode ser prior na paróquia do PSD

Também Pedro Santana Lopes, na crónica semanal na TSF, considerou que o primeiro-ministro e o Presidente da República «têm razão na questão do referendo».

No sábado à noite, num jantar em Gaia, também Luís Filipe Menezes assumiu ser contra o referendo ao tratado simplificado.

Barrosistas não querem referendo ao tratado.

Cavaco contra referendo sobre Tratado da União Europeia.


Prazo de validade à beira do fim

Paulo Portas afirmou, ontem, que os principais interessados nos resultados das eleições na capital são ele próprio e José Sócrates, assumindo que as eleições na capital são um teste à liderança do CDS.

segunda-feira, junho 25, 2007

Era só o que faltava...

Lisboa – Alberto João Jardim encontrou-se hoje com o Presidente da República, Cavaco Silva, e defendeu «um aumento do poder legislativo» para a Madeira.

BBB - Banco Berardo e Benfica

Ponte Europa/ Pitecos - Zédalmeida

Tratado europeu e partidos políticos

Os tratados não são referendáveis mas o Tratado Europeu foi uma decisão que todos os partidos com assento parlamentar se comprometeram a sufragar nos programas e nas promessas eleitorais e que levou à alteração da nossa lei fundamental para o permitir.

É conhecido o apoio do PCP e do BE ao NÃO, bem como a ambiguidade e a posição intermitente que ora o CDS ora o PP vêm tomando a esse respeito, e sabe-se do apoio sem reservas do PS e do PSD ao SIM, posição que perfilho com entusiasmo.

Sou um europeísta convicto e sei o que Portugal deve à Europa. Muitos compatriotas aí encontraram a sobrevivência e a liberdade nos tempos da ditadura, hoje devemos-lhe o desenvolvimento e a paz de que gozamos. Dito isto, penso que a ausência de uma consulta popular diminui a cidadania europeia dos portugueses, impede-nos de assumir um compromisso colectivo num futuro comum e fragiliza a nossa legitimidade.

Temos de perguntar ao País que somos se queremos ser parte da União Europeia. Esta não pode ter um Tratado tão minimalista que não mereça uma consulta nem tão amplo que dispense a manifestação expressa dos portugueses.

Cavaco chegou tarde à democracia, Sócrates teme-a e Durão Barroso nunca foi praticante.

Tem riscos a consulta? – Claro que tem, mas uma boa opção coxa na sua legitimidade é uma má decisão.

Defendo a consulta popular, a progressiva integração europeia e o aprofundamento da cidadania comum; bater-me-ei para que a transparência e a democracia sejam a regra de conduta de um destino colectivo do velho continente, herdeiro da cultura greco-romana, do Renascimento e do Iluminismo.

Espero que Portugal manifeste um retumbante apoio à União Europeia a cujo destino colectivo estamos presos e que saibamos manter este espaço de tolerância, bem-estar e modernidade que o coloca na vanguarda do mundo civilizado.

sábado, junho 23, 2007

Joe Berardo - patriota e filantropo

Não me perguntem porquê. Não saberia responder por que motivo desconfio de certas pessoas, o que me leva a associar as falhas da gramática às do carácter, a confundir um benemérito com um impostor ou um filantropo com um oportunista.

Acontece-me com o Sr. comendador Joe Berardo. Teve a modéstia de dar o seu nome a uma colecção de arte e eu vi no gesto um acto de narcisismo, como julguei oportunismo a humildade com que recebeu uma comenda e passou a usar o título.

A negociação generosa da Fundação Berardo com o Estado português pareceu-me uma sequência de jogadas, onde só havia são patriotismo, e, nas pressões sobre a ministra da cultura, ajudado pela comunicação social, eu vi actos de chantagem onde apenas havia a defesa do património nacional e o desapego aos bens materiais.

É por isso que a sua diversificação de negócios através do novo aeroporto de Lisboa e da compra de um clube desportivo, sendo opções do domínio dos afectos, me parecem negociatas para vender a areia que lhe sobrou das minas de ouro da África do Sul.

O roto e o descosido

A Polónia actual, tal como o Portugal de Salazar, gosta de contar com os mortos para fins eleitorais.

A negociação do tratado da União Europeia veio provar que o actual regime polaco é antieuropeu e vagamente compatível com a democracia.

A ministra dos Estrangeiros referiu o nazismo alemão como responsável pela redução da população polaca, fazendo crer que considerava polacos os judeus que o seu país tão entusiasticamente ajudou a exterminar.

A simpática representante de um país que tem no PR e no primeiro-ministro dois irmãos gémeos de extrema-direita e anti-semitas não se recorda do regozijo dos polacos na exterminação dos judeus nem da colaboração autóctone nos campos de extermínio.

Alguém lhe devia ter lembrado o número actual de judeus em relação à década de trinta do século passado. E não foram os alemães os únicos responsáveis.

A Polónia aceitou, finalmente, o acordo para aprovação do compromisso proposto pela presidência alemã da UE mas, com os actuais dirigentes, será sempre um país pouco recomendável.

H. C. U- C. – Hospital Católico da Universidade de Coimbra

Os Hospitais da Universidade de Coimbra tinham no projecto de construção um espaço destinado a crentes e não crentes onde, nas horas de tristeza, pudessem recolher-se para meditar ou rezar.

Era um espaço amplo, sem símbolos religiosos. A Igreja católica começou por colocar a cruz, depois o patrono do hospital e finalmente a iconografia habitual. Uma Senhora de Fátima, de grandes dimensões, numa peanha lembra aos cristãos que ali é um espaço exclusivamente católico.

Há sessenta cadeiras e genuflexórios e, nos anexos, dois capelães têm os seus gabinetes. O vencimento dos capelães católicos é equivalente ao dos chefes de clínica - grau mais elevado da carreira médica. São médicos das almas que atingiram o grau máximo sem concursos, sujeição a vagas ou competição com o clero de outras religiões.

À entrada da capela estão quatro grupos de publicações religiosas:

1 - Folheto da Capelania cujo verso se reproduz;
2 - Um folheto A8, com a história em casa de Simão, onde Jesus teve um encontro casto com uma mulher impura, e que termina com «cânticos»;
3 - O «Correio de Coimbra» onde o bispo resignatário de Aveiro, António Marcelino, publica um artigo sob o título: «Teremos ainda Portugal por muito tempo»?
4 - O Amigo do Povo cujo artigo principal «À sombra do castanheiro» é um ataque ao primeiro-ministro e uma tentativa de humor com o percurso académico de Sócrates cujo nome nunca é referido.

Consta que foi contratada mais uma freira para os serviços religiosos. Palpita-me que é mais um encargo com as almas à custa do orçamento.

Resta perguntar se isto é admissível num Estado laico e se esta forma de proceder não choca os católicos que são vítimas de injustiças e perseguições onde são minoritários.

Onde são maioritários comportam-se como se vê.

sexta-feira, junho 22, 2007

Espaço dos leitores

A Branca de Neve (Paula Rego)

Rendimento mínimo garantido

António Guterres
Recordar 10 anos de solidariedade com os mais desfavorecidos é também prestar homenagem ao mais bem preparado primeiro-ministro de Portugal, o mais humano e o que fez da utopia um projecto de futuro interrompido por uma coligação negativa de adversários mesquinhos e poderosas associações de interesses.

CML - António Costa à beira da maioria absoluta

Se em 15 de Julho se verificassem as intenções de voto da sondagem CM/Aximage, realizada entre 18 e 20 de Junho, 36,2 por cento dos cidadãos lisboetas atribuiriam o seu voto ao ex-ministro da Administração Interna e número dois do Governo de José Sócrates.

INTENÇÃO DE VOTO PARA A CM DE LISBOA
António Costa: 36,2%
Carmona Rodrigues: 13,6%
Fernando Negrão: 12,8%
Helena Roseta: 10%
Ruben de Carvalho: 9,3%
José Sá Fernandes: 4,4%
Telmo Correia: 1,6%
Indecisos: 9,1%
OBN: 3%

DISTRIBUIÇÃO DOS VEREADORES (Com distribuição de indecisos)
António Costa: 8
Carmona Rodrigues: 2
Fernando Negrão: 2
Helena Roseta: 2
Ruben de Carvalho: 2
José Sá Fernandes: 1

Paula Rego - uma pintora singular

O quadro Moth (1994) da série Dog Women da pintora portuguesa Paula Rego, bateu um recorde para obras desta, ao ser vendido na quarta-feira em Londres, pela Christie's, por 378 400 libras (560 mil euros).

Madeira - Jangada à deriva

A titularização de créditos, realizada pelo Governo Regional em Dezembro de 2005, no montante de 150 milhões de euros, aumentou a dívida da Madeira.


Esta é a conclusão do Tribunal de Contas (TC), que acaba de dar razão a Teixeira dos Santos e pôr em causa a decisão do Tribunal Administrativo do Funchal, que condenou o ministro das Finanças pela retenção de verbas nas transferências para a região, uma penalização pelo incumprimento do limite de endividamento. Lília Bernardes in Diário de Notícia, hoje.

O PR e a IVG. Lei foi regulamentada.

O respeito que merece o Presidente da República devia resguardá-lo de algumas atitudes susceptíveis de provocar críticas legítimas e uma indesejável animosidade. Não perdeu o respeito que lhe é devido depois da vitória tangencial que o colocou em Belém, é certo, mas arriscou a consideração ao pretender defraudar as expectativas do referendo.

Depois do pouco avisado apoio da esposa aos movimentos do Não, irrenunciável direito de cidadã, o PR ficou conotado com os vencidos no referendo e afectado na sua isenção e neutralidade. Devia ter vetado a lei ou abster-se de comentários.

A vitória da Lei na AR foi equivalente à das urnas, motivo bastante para não arriscar um veto inútil e demolidor para o seu prestígio, mas não se coibiu de ditar sentenças em que o homem de Estado deixou transparecer a matriz conservadora a respeito da IVG:

1 - «A invocação de objecção de consciência não justifica a exclusão dos profissionais de Saúde de consulta prévia».
2 - «Deve-se mostrar o nível de desenvolvimento do embrião com recurso a uma ecografia».

A regulamentação da lei proíbe expressamente os médicos que evoquem a objecção de consciência de participar na consulta prévia às mulheres que pretendam interromper a gravidez e é omissa quanto à obrigação de exibir a ecografia. Felizmente.

Se triunfassem os desejos do PR as mulheres, no uso de um direito, teriam de suportar um sermão e um vexame, acompanhados de uma crueldade injusta, inútil e gratuita.

Ninguém, nem o PR, tem o direito de confundir a natureza pública das funções que ocupa com as convicções privadas.

A perseguição d' «Os Lusíadas»

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quinta-feira, junho 21, 2007

A imprensa que temos

Fonte ligada à investigação do escândalo Portucale fez chegar ao JN elementos que envolvem, através da escuta de conversas telefónicas, três membros do actual Governo e uma figura destacada do PS.
DN, hoje in Editorial.

***
O procurador-geral da República (PGR) nega, em comunicado, que tenham sido "recolhidos quaisquer indícios de crime praticado por membros do Governo PS, contrariamente ao divulgado por alguma imprensa".
DN, hoje in Nacional.

Em que ficamos?

Sócrates processa autor de blogue


Naturalmente que assiste ao primeiro-ministro o direito de responder pelas vias legais aos insultos de que é alvo.

A qualidade de primeiro-ministro não lhe retira direitos de que qualquer cidadão goza e, muito menos, o de recorrer ao poder judicial na defesa da honra e do bom-nome.

Acontece que não usa um poder discricionário nem manda a polícia buscá-lo a casa para o agredir na Rua António Maria Cardoso e enviá-lo, depois, para Caxias, sem culpa formada, como acontecia no tempo do fascismo, por intermédio da PIDE.

Mas penso que procedeu mal, por três razões:

1 – Dá relevo público a um obscuro personagem que apenas quer mostrar serviço ao partido;

2 – Permite à comunicação social que alimente um folhetim que transforma o agressor em vítima e só o prejudica a si;

3 – Como político calejado devia saber que os insultos e a difamação de detentores de altos cargos políticos são «ossos do ofício».
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Adenda: Ao ler o Causa Nossa deparei-me com idêntica posição de Vital Moreira.

A exótica Polónia

O primeiro-ministro polaco reafirmou, esta terça-feira, que vai vetar a proposta de novo Tratado Europeu se não for reaberta a discussão sobre o sistema de voto. A Polónia é o único país da UE que rejeita o sistema de votação dupla contemplado no tratado.

Comentário: Os dois gémeos polacos são independentes de direita. Estão entre o Pinochet e o Hitler.

Eutanásia (3). Preocupações de um cristão.

Aqui está a agenda dos esquerdistas ateus. Depois de conseguirem (por enquanto...) legalizar o homicídio/aborto, querem agora continuar a sua cruzada anti-VIDA!Eutanásia!

Pois sim...

Mas ainda não. Ficará para depois.

Depois da legalização do casamento entre as aberrações homossexuias, cujo termo mais exacto é "paneleiros" e da consequente adopção de crianças inocentes por estes erros da Natureza. Está na ordem do dia...

Depois sim, a eutanásia.

Matam à nascença, chacinando criancinhas inocentes ainda no ventre materno, matam a natalidade através da promoção de "casais" contra-natura, e querem depois matar os doentes, que julgam inúteis e sem préstimo, muitos deles já velhinhos, dignos do nosso maior respeito.

Matam, matam, matam.
Destroem o fundamento da nossa querida Nação, vilipendiam os Ensinamentos da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.
Ofendem e perseguem o Santo e Imaculado Clero, nas pessoas dos seus Crentes, Padres e até ofendendo o Santíssimo Papa!

Onde é que isto vai parar?

Não sabem que os alicerces da Nação Portuguesa são os da Santa Igreja?

Não sabem que o "laicismo" é uma miragem?

Não sabem que será impossível calar a Santa Madre Igreja?

Que pretendem, vós, os ateus?

Acabar com a Civilização?

a) Pai de Família

Momento de poesia

Fotografia: Afonso de Castro




TEMPO DINOSSÁURICO *


Ali, fala um tempo
que não é daqui, deste chão
que piso…
É um outro tempo mais profundo
a desafiar o cosmos
feito das raízes da Terra
e marcado nas pegadas de lama
agora transformadas em pedra…
Um tempo assombrado, telúrico e duro
de ermos e solidão
recuado aos espaços densos do Jurássico
habitado pelos ecos
dos urros lancinantes de dinossáurios gigantes
a sacudir montanhas, a apagar relâmpagos
e a calar trovões…
Ali, fala um outro tempo
a vencer lentamente a máquina
precisa e exacta do universo
a secar o silêncio dos rios, dos mares e dos pântanos
a enrugar rochas e sedimentos,
um tempo de cinza, vazio e sonâmbulo,
queimado pela lava dos vulcões…

Alexandre de Castro - Ourém, Janeiro de 2007

* Inspirado nas pegadas de dinossáurios (saurópedes)
na Serra d´Aire (Bairro, Ourém)

quarta-feira, junho 20, 2007

Espaço dos leitores

Queda de Ícaro (Rubens)

Eutanásia (2)

O respeito pelos direitos individuais e pela dignidade humana estão a mudar as pessoas. É um processo lento que não acompanha a rápida secularização, umas vezes por cálculo político dos partidos, outras por preconceito e hipocrisia.

A eutanásia é uma palavra que, tal como a morte, parece ser do domínio do obsceno. É preciso que haja coragem para as trazer para a discussão pública, para fazer reflectir os que nunca têm dúvidas e gostam de verdades imutáveis.

Mal se avança num interdito beato e logo o apodo de assassinos carimba os que ousam pôr à discussão assuntos dolorosos ou dramáticos. Invocam Deus, em vão, à espera de que a Idade Média refulja em apoteose por entre fogueiras, torturas e banimentos.

É neste caldo de cultura que ganha relevância a afirmação de João Lobo Antunes, neurologista, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e mandatário nacional de Cavaco Silva na última candidatura presidencial: «Há situações em que acho que a devia ter feito [eutanásia]».

Não admira, pois, que – segundo um inquérito – 24% dos médicos oncologistas fariam eutanásia e 39% defendem a sua legalização. Estes médicos portugueses são os que melhor conhecem o paroxismo da dor e a crueldade de prolongar o sofrimento inútil.

Claro que aparecem os ressentidos do costume, incapazes de respeitar a vontade alheia, possessos de uma pulsão totalitária que pretendem impor a todos os outros as legítimas convicções que os outros lhes respeitam.

A eutanásia já se encontra legislada em países civilizados que têm pela vida e bem-estar das pessoas mais respeito do que aqueles que se opõem à discussão e que confundem o eventual direito com a imposição da obrigação.

A experiência holandesa é um bom ponto de partida para a reflexão serena e urgente.

Não se pode trocar pela Turquia?


Líder da Oposição dixit...

Depois do fracasso da OPA sobre a PT tornou-se mais atrevido.

Eutanásia

Trinta e nove por cento dos médicos oncologistas portugueses é a favor da legalização da eutanásia. Esta é uma das conclusões do estudo ‘A Boa Morte: Ética no Fim da Vida’, realizado pelo coordenador da Unidade e Serviços Paliativos do IPO Porto, Ferraz Gonçalves, que inquiriu 143 médicos que lidam com doentes terminais.


Comentário: Há situações que exigem compreensão e caridade. Prolongar o sofrimento de quem o não suporta pode tornar-se um acto de crueldade.

terça-feira, junho 19, 2007

Coimbra - Câmara Municipal

Eles é que sabem...

C O N V I T E

APELO


O CONSELHO DA CIDADE


1. Tendo tomado conhecimento da decisão do Executivo Municipal, de promover nos próximos dias 21 e 27 de Junho, na Casa Municipal da Cultura, quatro fóruns para apresentação e discussão públicas do Estudo de 400 páginas, que pode ser consultado em Urbanismo no sítio da Câmara Municipal, primeira etapa do Plano Estratégico de Coimbra que, depois de concluído, definirá as linhas orientadoras para o Plano de Urbanização de Coimbra
2. Considerando a importância de tal Estudo
3. Estimando como positiva a atitude e oportunidade do Executivo em o colocar à Apreciação pública
4. Reafirmando a sua vocação de “cluster” do movimento associativo e a relevância da democracia participativa

APELA

1. A todos os seus membros, colectivos e individuais
2. Aos membros dos corpos gerentes das suas 45 associadas
3. Aos cidadãos membros de quaisquer associações ou partidos
4. Às lideranças públicas, às privadas e às associativas
5. Aos Cidadãos


PARA QUE PARTICIPEM NESTES IMPORTANTES ACTOS PÚBLICOS QUE AJUDARÃO A PENSAR E A DEFINIR O NOSSO FUTURO COMUM

Coimbra 07 Junho 18 - A Comissão Executiva

segunda-feira, junho 18, 2007

A intolerância religiosa (2)

Beato ou impostor?
João César das Neves (JCN) parece um clérigo saído do Concílio de Trento a defender a pureza da fé e a zurzir os infiéis. É a versão romana dos talibãs, um mullah para quem a verdade é um detalhe que não deve atrapalhar o proselitismo.

Ao acusar a República portuguesa de perseguição religiosa, por ignorância ou má fé, esquece os caceteiros de Paiva Couceiro e o clero ultramontano que nunca perdoaram ao regime a lei do divórcio, a do Registo Civil obrigatório e, sobretudo, a da separação da Igreja e do Estado.

JCN pensa que os portugueses são cegos. Ao afirmar na sua homilia de hoje que, em Portugal, «a expressão religiosa é possível, mas deve ser privada, e as manifestações da civilização cristã são silenciadas ou distorcidas» vê-se que não assiste à missa dominical pela televisão pública, perde as cerimónias de Fátima em directo, não acompanha o terço na rádio Renascença e não vê as reportagens das viagens papais nem a mensagem de Natal do patriarca Policarpo.

A RTP, na sua dedicação à causa da fé, tem avençado um sacerdote católico na RTP1, de manhã, onde é presença regular. Haverá, pois, alguma honestidade na queixa de JCN?

Há uma justificação plausível para o delírio mitómano de JCN nas suas próprias palavras:

«Quem se afunda no deboche e sofre as suas dramáticas consequências sente a necessidade de descarregar os remorsos».

A intolerância religiosa no Irão

Rushdie cavaleiro é «insulto» ao Irão

Reacção dura à decisão do Reino Unido em homenagear o escritor

«Se algum homem-bomba se fizer explodir, ele teria toda a razão para o fazer a não ser que o governo britânico peça desculpa e retire o título de «cavaleiro» a Salmon Rushdie, referiu esta segunda-feira o ministro dos Assuntos Religiosos do Irão, Mohammed Ijaz ul Haq citado pela Sky News.

RE: Para além do erro de sintaxe, fica a demência do ódio, a intolerância da fé, o horror à liberdade e o coice da besta.

«Este é o momento para 1.5 biliões de muçulmanos de todo o mundo se aperceberem da gravidade desta decisão», acrescentou salientando ainda que o «Ocidente está a acusar os muçulmanos de extremismo e terrorismo».

RE: Não são os muçulmanos os extremistas, é o Islão que é criminoso, bárbaro e boçal, que odeia a liberdade mais do que o álcool e o toucinho.

O Irão acusou o Reino Unido de insultar o Islão ao ordenar cavaleiro o escritor Salman Rushdie, autor da polémica obra «Versículos Satânicos», que lhe custou uma fatwa, lançada pelo Ayatollah Khomeini.

RE: Quem insulta a inteligência e a democracia é o Irão com a violência contra as mulheres, com autorização de casamentos por meia hora e a legitimidade de um homem se poder casar com uma criança de 9 anos.

Segundo Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do ministro dos negócios estrangeiros, a decisão de honrar o novelista é um atentado à sociedade islâmica, uma vez que Rushdie é «uma das figuras mais odiadas».

RE: Ser uma figura odiada do Islão é a prova da grandeza moral da vítima.

«Honrar e entregar uma comenda a essa figura odiosa coloca definitivamente os oficiais britânicos em confrontação com as sociedades islâmicas», disse, indo ainda mais longe nas acusações: «Este acto demonstra que o insulto aos valores sagrados do Islão não é acidental. É planeado, organizado, guiado e apoiado por alguns países ocidentais».

RE: Quem se coloca em confrontação com as sociedades livres e democráticas é o Corão, um livro pouco recomendável, arauto de uma civilização falhada e de inomináveis atrocidades.

França - Maioria absoluta de Sarkozy

UMP conquista entre 319 e 329 dos 577 lugares da Assembleia Nacional

A União para um Movimento Popular (UMP) do Presidente francês conseguiu a maioria absoluta no Parlamento, mas os socialistas obtêm um melhor resultado do que o previsto, com mais de 200 eleitos, segundo os institutos de sondagens.

Só pode ser mentira...

O estudo que apresenta o Campo de Tiro de Alcochete como alternativa à Ota para a localização do novo aeroporto de Lisboa, apresentado faz hoje uma semana por Francisco Van Zeller ao Presidente da República, contou desde o início com o apoio de Cavaco Silva. E o próprio Chefe de Estado, preocupado com a falta de uma análise comparativa entre custos e benefícios sociais na Ota, incentivou a iniciativa.

Comentário : Repudio a notícia que pretende denegrir a imagem de seriedade do Sr. Presidente da República.

domingo, junho 17, 2007

Sobre o Kosovo (e a Macedónia) - Rui Cascão

Palavras de um amigo, Rui Cascão:

"Se uma eventual deliberação do conselho de segurança for vetada, e se os EUA e outros países reconhecerem unilateralmente a independência, vai ser um caos: cria-se um novo costume em direito internacional público, permitindo-se novo título relativamente à secessão.
Ora isto não interessa a muitos países que têm furores nacionalistas e separatistas dentro da sua casa: Espanha, Bélgica, Rússia, etc. Alguns países da UE, por exemplo Espanha, Polónia, Rep. Checa, Grécia, Eslováquia, etc. já declararam publicamente não reconhecer a eventual independência unilateral do Kosovo. Por outro lado, os seguidistas do costume vão ser muito destros a reconhecer a independência unilateral.

Uma declaração unilateral de independência (sem deliberação do CS da ONU) terá consequências terríveis:

Desde já, nova crise no seio da União Europeia, prevendo-se profunda divisão entre os estados-membros;

É de esperar profunda tensão na região, acicatando raivas adormecidas. Para já, os países vizinhos vão ser confrontados com a decisão de reconhecer ou não a declaração unilateral de independência. E aguentar com as consequências, especialmente aqueles que têm minorias e/ou população albanesa entre portas.

O país que mais vai sofrer será a MACEDÓNIA, que tem uma minoria de albaneses que representam 28% da população, existindo um equilíbrio precário entre as várias etnias. Se a Macedónia reconhece a independência unilateral do Kosovo, arrisca-se a sanções diplomáticas, económicas e outras pela Sérvia, que irá vender cara a pele. Recordemos que a Sérvia é o segundo parceiro comercial da Macedónia, que existem minorias sérvias na Macedónia (1%) que ficaram agitadas, e minorias macedónias na Sérvia. E não fica livre, criado o precedente, de as suas regiões albanófonas, um dia darem o Ipiranga. Se não reconhece a independência, o que será tentado pelos sectores mais à direita da comunidade macedónia eslava (VMRO), a consequência será quase inevitavelmente a guerra civil: os albaneses macedónios nunca perdoaram um eventual não reconhecimento da independência do Kosovo, e darão como impossível a continuação do estado multi-étnico saído dos acordos de Ohrid. Semelhante será o dilema do MONTENEGRO, que apesar de tudo tem uma minoria albanesa menos significativa.

A GRÉCIA, que conta com um milhão de albaneses entre portas, também sofrerá com um eventual não reconhecimento. A SÉRVIA perderá parte do seu território nacional, e as minorias albanesas no resto da Sérvia (em Preševo e Bujanovac continuarão a pugnar pela sua independência. Abre-se a buceta de Pandora nos Balcãs. Os Sérvios, os Ciganos e outras minorias no Kosovo estão praticamennte condenados.

Isto também significará a sentença de morte da BÓSNIA E HERZEGOVINA. Para além da polémica que rodeará inevitavelmente o eventual reconhecimento, é lógico que ninguém poderá realisticamente negar a secessão da parte Sérvia (Republika Srpska) constitutiva da federação da Bósnia e Herzegovina. Acorda-se um conflito latente.

Para além disso, quem poderá depois dizer aos Bascos, aos Catalães, aos Corsos e aos Flamengos que não podem ser independentes.

E finalmente, sem reconhecimento internacional sólido, o Kosovo vai perder tempo, e prolongar a sua miséria, podendo sentir-se tentado a aceitar mecenatos menos recomendáveis, leia-se petrodólares wahabistas e jihadistas.

Há que tirar várias ilações desta trapalhada:

1) É impossível constituir estados etnicamente homogéneos nos Balcãs

2) A irresponsável aventura militar dos EUA e da NATO foi mais uma daquelas guerras à cowboy americano, para dar tareia aos maus, sem ter qualquer estratégia clara de como preparar a paz após a cessação das hostilidades.

E a irresponsabilidade continua, liderada por duas pessoas:

Bush, porque já disse que já tinha decidido pela independência, a bem ou a mal, com ou sem a chancela do conselho de segurança. Putin, porque atiça as brasas arriscando a chamuscar-se.

Feito o mal (a agressão militar da NATO) e criada a solução de facto, é imperioso que a independência se dê sob a chancela do Conselho de Segurança da ONU, demore o tempo que for necessário, e que não se ceda a tentações de reconhecimento unilateral."

Mais espaço dos leitores. Mais filantropos

Ponte Europa/ Zédalmeida - Pitecos

Marques Mendes ensandeceu?

Com um mapa colorido das futuras ligações ferroviárias de alta velocidade na mão, Durão Barroso confirmou que a ligação Porto-Vigo estará concluída em 2009, a de Lisboa-Madrid um ano depois, a de Aveiro-Salamanca em 2015 e Faro-Huelva em 2018. Para Durão Barroso, trata-se de um plano que "serve os objectivos portugueses, de equilíbrio entre diferentes regiões", pelo que entende ser uma "solução perfeita". «Público, 9-11-2003»


O dirigente do maior partido da oposição, partido que, estando no governo há três anos, assinou um tratado internacional com a Espanha acerca de um investimento conjunto, com datas, com objectivos, com toda a solenidade, acerca da alta velocidade (...), diz agora que é preciso pôr em causa essas decisões», disse Vieira da Silva, muito crítico em relação ao líder do PSD. Portugal Diário 2007/06/17 17:23


Pergunta: Os portugueses podem confiar no PSD?

Lembrete. Última vez

O Ponte Europa reserva-se o direito de apagar comentários considerados sem ligação alguma ao artigo em questão.

Escusam de insistir.

Têm o «Espaço dos leitores».

Ota - Filantopia e coincidências

O estudo da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e da Associação Comercial do Porto (ACP) com vista a encontrar uma alternativa à Ota para a construção do novo aeroporto de Lisboa foi financiada, em parte, pela Lusoponte. (17-06-2007)


Ponte Europa - Notas Soltas - Abril/2007 (1 de Maio/2007)

OTA – Os Governos de Guterres, Barroso e Santana convergiram, após 30 anos de estudos, na localização do já atrasado aeroporto. Só agora, depois da decisão, surge a controvérsia. Gato escondido com Lusoponte de fora?

Vaticano - Regresso ao passado

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI assinou um documento autorizando a realização de missas em latim. O documento será publicado em data 'muito próxima', segundo a agência 'Ansa', que cita fontes da Pontifícia Comissão 'Ecclesia Dei'. O documento 'Motu Proprio', que o Pontífice redigiu por decisão pessoal e que contém a normativa sobre as missas em latim, será de 'três páginas', de acordo com a mesma fonte. (Agência EFE)