segunda-feira, março 31, 2014

Momento zen de segunda_31-03_2014 – DN

João César das Neves (JCN), megafone ortodoxo do clero reacionário e depositário da herança do concílio de Trento, brindou-nos hoje com uma homilia a que deu o título de “O fósforo e a gasolina”.

Execrou a cultura ocidental porque, “após ter tentado (…) revolucionar religião, política e economia”,  “decidiu abalar a família”. Trocou a ordem tradicional pela “libertinagem mais total». Ele lá saberá os meios que frequenta e os hábitos da sua madraça, para dizer que “Foi formulado um axioma sensual, decretando o prazer venéreo como supremo e absoluto” [sic]. Freud veria na obsessão sexual o recalcamento que substitui pelo cilício.

Informa que “Os horrores da Revolução Francesa, União Soviética, etc. resultaram do esquecimento da estrutura social natural”. Não explica, basta-lhe a fé. “Também a crise financeira global ou os desastres de automóvel vêm do descuido de velhos princípios de prudência. Nada se compara, porém, com o arrasador mito libertino contemporâneo”, diz JCN. Talvez não seja o substantivo que o apavora, é o adjetivo que o excita. Aceita, decerto, o mito, adora os seus mitos, apenas execra a lascívia.

No fervor da homilia pergunta, citando o livro de cabeceira: "Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?" (Mt 6, 27). Ignora os progressos da medicina e da farmacologia e de como está obsoleto o livro citado.

JCN – “Os resultados da nossa experiência libertina são há muito evidentes. Explosão de divórcios e violência familiar, queda catastrófica da natalidade, patologias mentais, sobretudo infantis, pornografia, degradação da mulher, insucesso escolar, marginalidade, droga, exclusão, vício, miséria, suicídio”.

Quem imaginaria na prática do sexo, que JCN chama “experiência libertina”, sequelas tão devastadoras e contraditórias? Nem um pároco de aldeia! JCN parece ignorar que a castidade é a mais demolidora atitude contra a reprodução e jamais alguém provou que a prática sexual seja culpada do insucesso escolar e, muito menos, da queda catastrófica da natalidade, entre as desgraças que aponta ao único prazer que não prejudica a saúde.

JCN finda a homilia, sem a ameaça do Inferno, mas acusando o Estado: “O propósito supremo é proteger desesperadamente o precioso postulado lascivo. Pode dizer-se que nisto o nosso tempo confirma o famoso epitáfio irónico: "Aqui jaz o homem que foi com um fósforo ver se havia gasolina no tanque. E havia."


JCN ensandeceu mas continua a ser um manancial de humor num país sorumbático. 

O pai de Passos Coelho, o fascismo e a intolerância


O pai de Passos Coelho não é um analfabeto embrutecido na paróquia, um salazarista a quem castraram o raciocínio e intoxicaram a mente, um fascista impedido de ler jornais e dedicado a conversas de tasca e a atoardas das alfurjas da reação.

É um reacionário com habilitações, o médico que regressou à Pátria ressentido e que foi o presidente da Comissão Politica Distrital do PSD, em Vila Real. É um político cuja ignorância e ressentimento disputa com o filho, um indivíduo que não deu conta da má independência de toda a África colonial e que bolça alarvidades contra quem não podia já fazer uma descolonização.

Para se conhecer a minha posição republico um texto que escrevi há tempos:


***

Carta sobre a descolonização a velhos fascistas empedernidos

Vocês sabem que toda a gente sabe que vocês sabem que não houve descolonizações pacíficas depois das guerras de libertação e do sangue vertido.

Vocês sabem que toda a gente sabe que vocês sabem que não há um único exemplo de sucesso, que não tenha apanhado pacíficos colonos no vendaval das convulsões e dos ataques, às vezes tribais e bárbaros, que deram início à luta pelo direito inalienável à autodeterminação dos povos.

Vocês sabem que toda a gente sabe que vocês sabem que a obstinação fascista de Salazar, e seus cúmplices, esteve na origem da tragédia anunciada e da inevitabilidade do desastre.

Eu estive lá, nessa guerra absurda e criminosa, enquanto a guerrilha se estendeu a outras regiões de Moçambique. Cheguei com a guerra em Cabo Delgado e Niassa e voltei com ela estendida à Zambézia e a saber que alastraria como mancha de óleo, do Rovuma a Lourenço Marques.

Vocês julgam que não me comovi com o regresso e o drama das famílias sobreviventes, com a chegada de quem tudo perdera, o habitat, os haveres, a segurança e as ilusões? E que não pensei nos que combateram do lado errado e lá ficaram entregues à vindicta dos que, tal como eles, queriam sobreviver num ambiente onde escasseavam a comida e as oportunidades?

Ignoro o motivo por que insistem em responsabilizar quem não foi criminoso e teimam  ainda em branquear a ditadura opressora do povo português e dos povos coloniais. Um país com escassos recursos conseguiu integrar sem discriminações centenas de milhares de retornados numa epopeia de generosidade e inexcedível solidariedade, num momento grandioso da sua História.

Mas há sempre quem olhe sem ver, quem fale sem pensar e dirija o ódio às vítimas em vez de visar os algozes. Há fascistas que não vergam e ódios que não cansam.

Caros fascistas, vocês sabem que toda a gente sabe que vocês sabem como circulam as ideias de quem não compreende a História e ambiciona aventuras totalitárias na ânsia de uma desforra que transmitem de geração em geração e que parece estar a acontecer sob os auspícios de muitos que nunca viram África.

A vossa rede capilar venosa transporta sangue salazarista até à veia cava, que o deposita na aurícula direita (só podia ser a direita). A oxigenação não se conclui como devia. Na circulação pulmonar não liberta o anidrido carbónico do ressentimento e mingua-lhe o oxigénio da democracia, em doses suficientes, antes de chegar ao ventrículo esquerdo (exatamente por ser esquerdo). É por isso que esse sangue bombeado para a aorta ainda leva produtos finais do metabolismo reacionário quando bombeado para as ramificações arteriais que atingem todas as partes do corpo, cego e surdo aos ventos da História.

Há um veneno que vos intoxica enquanto não se libertarem dos resquícios fascistas que empeçonham o país que é de todos.

COMENTÁRIO A UM ARTIGO DO SEHOR DOUTOR REGATEIRO

O Senhor Doutor Fernando Regateiro publica hoje no diário “As Beiras” um artigo intitulado “Sim a um programa cautelar”, no qual, resumidamente, diz que “a preparação da saída da Troika” (…) “exige sentido de Estado e consensos alargados entre os partidos do arco da governação.” (onde é que eu já ouvi isto?)

Defende ainda que “não há condições para uma saída ‘limpa’, à irlandesa.” E que “por isso é essencial um programa cautelar, (…)”.

Segundo o Autor, “Neste ponto o PS não tem ajudado – ao exigir uma saída ‘limpa’, está a encostar o PSD às cordas!”

 Para tal, segundo entende, “será essencial a solidariedade da família europeia” (sic).

E termina com um dramático apelo aos portugueses: “Arregacemos as mangas!”

 Salvo o devido respeito, permito-me modestamente discordar. Em primeiro lugar discordo da ideia de Cavaco sobre os “consensos”, que certamente resulta da sua brilhante e original teoria segundo a qual (cito de memória) “duas pessoas bem informadas postas perante os mesmos factos chegam necessariamente à mesma conclusão.” (!!!)

Em meu modesto entender, não há que distinguir entre saídas “limpas” e “sujas”. As saídas que o Presidente e o seu governo, orquestrados pela megera Angela Merkel, propõem, são todas sujas. Sujíssimas. Como é timbre de todas as “saídas” provindas daquela tríade. De todas elas resulta que o povo português vai ter de passar mais umas décadas (sim, décadas!) de austeridade, isto é, de pobreza, de miséria, de fome, de pessoas sem sequer um teto. Ora isto é intolerável.

Por outro lado a “solidariedade” europeia é zero (ou menos que isso, atendendo aos juros agiotas que nos extorquem). E hoje só por piada de mau gosto se pode falar em “família europeia”! A Europa, de magnífico projeto que foi, é agora um conjunto de egoísmos, de exploradores e explorados.

 “Arregacemos as mangas” sim, mas para correr de vez com a corja de facínoras que nos rouba e humilha a nossa Pátria. E, como muito bem disse Vasco Lourenço, “nem que seja à paulada!”

domingo, março 30, 2014

FRANÇA – eleições municipais

As eleições municipais francesas revelaram mais do que uma vitória da Direita ou da Extrema-Direita uma contundente derrota do PSF.
Em França, estas eleições devem causar ajustamentos políticos. Para a Esquerda europeia são o exemplo e a confirmação de como tempos em que socialistas – ou as novas versões sociais-democratas – foram 'aliciados' para aplicarem políticas liberais, acabaram. A dissimulação neste terreno não é virtuosa e esgota-se muito rapidamente.

Salazar, o governante sério


Uma mentira pode ser repetida até ao infinito mas não passa a ser verdade. Há quem chame ao abutre de Santa Comba, estadista; incorruptível, ao verme de S. Bento; honrado, ao infame que a censura, a pide, a legião e o medo deixaram que fosse uma cadeira a resgatar a honra que os portugueses não puderam.

O antigo dirigente do CADC não tratou da vida mas tirou-a a muitos. O ódio à liberdade aleitado no seminário e assanhado no poder, fez dele uma referência fascista universal, o delinquente que manteve a guerra colonial durante 13 anos, um malfeitor que demitiu insignes professores, prendeu democratas e assassinou adversários.

Já poucos se lembram das eleições de Humberto Delgado, onde a vontade popular foi falsificada e a honra de um país enxovalhada.

Em 1958, durante a campanha eleitoral publicou o decreto-lei que proibiu a oposição de fiscalizar o funcionamento das mesas de voto. Foi assim que o fascista indigitado, Américo Tomás, «ganhou» as eleições a Humberto Delgado.

sábado, março 29, 2014

A calhandrice de Durão Barroso

O mordomo da cimeira da invasão do Iraque não é um europeu qualquer, é um europeu alemão com passaporte português.

Não duvido do seu europeísmo pró-americano, mas só o vejo como o indivíduo capaz de saquear a mobília da Faculdade para munir a sede de um partido a que, de momento, se encontre avençado.

A proposta de um PR eleito com o apoio do PS, PSD e CDS, espécie de União Nacional sem o nojo da ditadura, é uma calhandrice de um refinado reacionário que enxerga no PS vários diletos do PSD, desde António Barreto a Luís Amado.

Não podendo ser ele, pouco estimável na ética, no currículo e na dedicação a Portugal, pretende um pulha sem ideologia, um calhordas sem moral, um crápula a quem apenas interesse o lugar de PR e as mordomias.

Quer um homúnculo sem escrúpulos, um Barroso qualquer, um traste com uma rosa ao peito, uma seta no coração e o emblema do CDS na cabeça, sem honra nem vergonha.

A torpeza de Durão Barroso é o paradigma da Comissão Europeia que ele transformou numa repartição alemã, sem rasgo, decência ou recato.

Depois de dez anos de Cavaco, só faltava a Portugal alguém cujo perfil fosse desenhado por um pintor de tabuletas que se imagina um artista sem bigode.

O antissemitismo cristão

Surpreende o vigor com que o cristianismo e, em particular, o catolicismo nega quase vinte séculos de antissemitismo militante, hoje menos virulento do que o islâmico.

Martinho Lutero que conhecia a Bíblia tão profundamente quanto a corrupção papal, dizia dos judeus: «são para nós um pesado fardo, a calamidade do nosso ser; são uma praga no meio das nossas terras». (1543)

Quanto à ICAR não é preciso recordar o tribunal do Santo Ofício, basta relembrar as declarações papais ou citar as abundantes e descabeladas manifestações de ódio que o Novo Testamento destila.

Eloquente, chocante e demente foi a atitude do cardeal da Alemanha, Bertram, ao saber da morte do seu idolatrado führer Adolfo Hitler. Já nos primeiros dias de maio de 1945, com a derrota consumada (a rendição foi no dia 8), ordenou que em todas as igrejas da sua arquidiocese fosse rezado um requiem especial, nomeadamente «uma missa solene de requiem, em lembrança do Führer». Entretanto o católico Salazar decretou três dias de luto pelo facínora.

Para alguns católicos e, sobretudo, para ateus, agnósticos e fregueses de outras religiões, é preciso dizer-lhes que, de acordo com a liturgia do requiem, uma missa solene de requiem  se destina a que os devotos possam suplicar a Deus, Todo-Poderoso, a admissão no Paraíso do bem-aventurado em lembrança de quem a missa é celebrada.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Atos dos Apóstolos são uma fonte de ódio antijudaico cristão, tal como o Corão para os muçulmanos. Felizmente, os cristãos, sobretudo os católicos, leem pouco a Bíblia e creem vagamente no conteúdo.

Em períodos de crise, há o risco de se agarrarem ao livro sagrado como os alcoólicos à bebida e, tal como estes, sem discernimento ou força anímica para renunciarem à droga, inibem-se pela habituação e dependência que os escraviza.

O livre-pensamento é uma tentativa séria para promover uma cura de desintoxicação, absolutamente necessária nesta Europa onde o antissemitismo desponta em numerosas manifestações de matriz nazi.

sexta-feira, março 28, 2014

Governo, malfeitorias e pinoquices…

Marques Guedes é o exemplo típico do apparatchik cordial e comedido que vive na obsessão do ‘politicamente correcto’. Trata-se de uma versão revista e aumentada do velho modelo acaciano.
Surge lesto a personificar o vulgar navegar, lesto e vazio, pelas margens de ‘uma no cravo, outra na ferradura’. Tem gasto muito da sua energia e tempo a passar por entre os pingos da chuva, tentando não molhar-se.
Tem, na realidade, uma missão difícil, para não dizer impossível. É o porta-voz de um Governo imerso num mar de contradições e opacidades e começa a dar sinais de que se esgotou nesta infindável ginástica na (pesada) barra dos equilíbrios instáveis. Já teve oscilações e foi temporariamente ‘reestruturado’ nas suas funções, tendo as suas oraculares dissertações no final dos conselhos de Ministros, sido substituídas por briefings em catadupa conduzidos pelo jovem e afoito secretário de Estado, Pedro Lomba. Não vale a pena recordar estas performances porque dificilmente os portugueses as esquecerão de que é paradigmático a indigente e penosa prestação link de um ‘homem das swaps’ (J. Pais Borges) que, entretanto, tinha sido guindado, por Maria Luís Albuquerque, a Secretário de Estado do Tesouro.
Na ressaca destes episódios pouco edificantes e nada recomendáveis, Marques Guedes, regressou às suas primitivas funções de porta-voz do Governo.
E lá foi andando até que ontem tentou tapar o sol com uma peneira. Perguntado sobre o assunto do dia (cortes definitivos nas pensões) ‘arranjou’ uma desculpa esfarrapada. Perante declarações de fonte oficial do Ministérios das Finanças começa por chamar-lhe uma ‘não-notícia’ ou, indo mais além, ‘uma especulação alarmista’ link.

Insatisfeito por, debalde, tentar justificar o injustificável investe contra os órgãos de comunicação social que – no seu entender – não teriam observado uma conduta deontologicamente correcta. De facto, o injustificável não coincidia com o inaudito. E na conferência de imprensa após a reunião governamental debita esta perola: "...se os jornalistas entenderam transformar uma conversa em 'off' sobre um ponto de situação num dado adquirido, eu não chamaria a isso fuga de informação, chamaria, quando muito, manipulação de informação". 
Os jornais e a agência governamental Lusa vieram, no imediato, a terreiro para esclarecer a tão propalada ‘manipulação’: "O tema da reunião seria a convergência de pensões. Durante o encontro, foi referido que os temas abordados e discutidos poderiam ser noticiados, mas sem serem atribuídos a nenhum responsável, apenas a fonte do Ministério das Finanças. Os temas tratados, com embargo de divulgação até à meia-noite de quarta-feira, acabaram por fazer a manchete da maioria dos títulos de imprensa de quinta-feira". link
Ou muito me engano ou o Ministro Marques Guedes ficou, daqui para o futuro, em ‘off’. Não me admiraria nada que a próxima conferência de imprensa venha a ser protagonizada por um qualquer Pinóquio ou um especialista em dislates. Um ‘ajustamento’ urgente e necessário!

A diplomacia económica de Paulo Portas


Ele sabe que a ansiedade mata


Aznar, um franquista da família dos Aznos e de monsenhor Escrivá

Aznar voltou à ribalta política em Espanha, em acumulação com os negócios e a mulher à frente do município de Madrid. Só não conseguiu a mais alta condecoração americana, porque há, nos EUA, senadores insubornáveis e, em Espanha, jornalistas incorruptíveis.
 
José Maria Aznar, quando presidente do Governo espanhol, não foi particularmente feliz nas decisões que tomou quando o Prestige demandou as águas espanholas. Foi cúmplice da catástrofe ecológica ao procurar alterar-lhe o rumo em direção à costa portuguesa, em vez de o acolher e ter evitado o naufrágio. Desde então as manchas negras perseguem-lhe a reputação com a violência com que atingiram as praias da Galiza.

Mais tarde tomou, em relação ao Iraque, a comovente decisão que inundou de felicidade os falcões dos EUA. Não se limitou a acompanhar Blair na deriva belicista e no apoio incondicional à direita religiosa que dominava a Administração americana. Foi o mentor de um grupo de países, Portugal incluído, que arrastou para uma posição condenável no plano ético e legal (ao arrepio da ONU), lesiva do direito internacional e manifestamente impopular nos respetivos países.
Os comentadores políticos atribuíram a atitude a razões plausíveis: uma estratégia para obter vantagens para Espanha e a abertura do caminho para as suas ambições políticas, ambas no plano internacional. A última era a presidência da União Europeia.

Penso que houve algo mais a empurrar Aznar para a insólita decisão, contrária aos interesses de país, com fortes relações comerciais com os países árabes, e prejudicial ao futuro das relações com a América Latina.
Tenho para o facto uma explicação que faz com que Aznar não possa ser visto como capataz de Bush, acusação de um deputado espanhol, mas ser ele a aproveitar-se da estratégia americana.

São do domínio público os laços que ligam Aznar, e particularmente a sua mulher, ao Opus Dei, laços que não podem deixar de ser relacionados com a posição assumida.

Escrito por Robert Hutchison “O Mundo Secreto do Opus Dei”, que tem como subtítulo “Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o radicalismo Islâmico”, talvez ajude a compreender a posição de Aznar. São 536 páginas, escritas muito antes dessa crise, que podem explicar não só o que o fez correr mas também o que o fez ajoelhar-se.

O Iraque continua um matadouro de gente. Os cristãos da cruzada contra Saddam dormem serenos mas o mundo não pode esquecer os mortos diários e a cimeira dos Açores cujo mordomo fugiu de Portugal a caminho de uma carreira internacional.


quinta-feira, março 27, 2014

Uma hipótese alternativa para a fábula bíblica


Reflexões sobre um mundo doido

Quando se fala em recuperação económica, lembro-me de que Portugal teve 30 meses sucessivos de queda do produto.

Quando se fala da Crimeia, lembro-me do Kosovo.

Quando se fala do pouco estimável Putin, lamento que Iulia Timochenko tenha saído da prisão para defender a «eliminação dos russos» numa entrevista publicada na NET, o que levou Angela Merkel a dizer que Timochenko «ultrapassou uma linha vermelha».

Quando este Governo de Portas, Cavaco e Passos Coelho fala de um «Documento de Estratégia Orçamental» (DEO), já não tenho dúvidas de que os suplementos da função pública e os cortes das pensões passam a definitivos.


O vizinho da subcave esquerda (Crónica)

O Luís pode ter passado por mim, durante anos, sem eu me ter apercebido. Não recordo quando o conheci, talvez já tarde, depois de ter visto indivíduos de olhar esgazeado que me obrigavam a desviar da sua trajetória para não ser literalmente abalroado quando nos cruzávamos no hall do edifício onde resido.

Percorrem a entrada do prédio, vêm cegos, sabem de cor a distância, viram à esquerda e, dois passos depois, descem, absortos, os lances de escadas até à subcave onde o Luís faz a pequena traficância e um grande consumo de droga.

Habituei-me a eles, à substituição de alguns que desapareceram, no excesso da dose, por outros que vieram, sem que a clientela sofresse alterações quantitativas visíveis. Apenas dou conta da pressa com que avelhentam, da rapidez com que os dentes os abandonam e da ruína que tão breve os toca.

O Luís tem aquele apartamento que a mãe lhe comprou quando presumivelmente o filho lhe destruiu o casamento e a alegria. É lá que às vezes um cobertor de papa se incendeia e que o cheiro evita a asfixia ou a cremação enquanto um vizinho chama os bombeiros.

É aí que diariamente a mãe o procura para lhe trazer comida e o levar à distribuição da metadona, substância de mais fácil desmame, mas que os consumidores associam, sem deixarem as anteriores. Às vezes vem a irmã, tem de ser irmã, para tão amorosamente o apoiar na descida dos degraus, como bálsamo na descida quotidiana ao inferno.

A polícia conhece-o e despreza a bagatela do tráfico e do cultivo de plantas que vicejam na varanda. Há um limoeiro do quintal que o abastece. Depois do AVC, não o deixa a hemiplegia chegar a outros, esse dá limões para as necessidades.

Há dias vinha a arrastar a perna deficiente e, à sua volta, um cachorrinho cirandava. É uma cadelinha, disse-me a tartamudear com as lesões que lhe destroçaram a perna, um braço e a fala, quando passei por ele. Só tem um mês, o pai é lavrador e a mãe pastor alemão, olha o vizinho, vai com ele, e a cadelinha a menear-se, a mostrar o pelo negro e a aguardar o passo lento e os solavancos do dono.

Transposto o passadiço que separa o prédio da rua, abri a porta, entrei e segurei-a para evitar que o trinco a fechasse, conheço a dificuldade dele em abri-la. Nesse instante um automóvel passou por cima daquele cachorrinho e vi-o a contorcer-se, a ganir de forma lancinante, e o Luís, em aflição, a conseguir baixar-se para o aconchegar no colo, como um progenitor a quem tivessem atropelado o filho.

Doeu-me o espetáculo, a cadelinha em sofrimento, as vascas, o ganido estridente, aquela amargura do Luís e, deixando encostada a porta, arrepiado, galguei as escadas, desejoso de esquecer o estertor do bicho e a aflição do dono.

Três ou quatro dias depois, cruzei-me com o vizinho e, pela primeira vez, dirigi-me a ele, com ar de quem vai manifestar condolências, a perguntar pelo animal. Vi uns olhos brilhantes, antes de me dizer, já foi operada, correu tudo muito bem, custou bastante dinheiro mas isso não interessa, amanhã já tem alta e volta para casa. Naquele rosto, que se abriu num sorriso, havia uma felicidade imensa, a ansiedade contida de quem espera o ente querido que regressa do internamento de futuro incerto. A cadelinha, estropiada por um condutor que não parou, teve cuidados que só o afeto prodigaliza. Dei-lhe os parabéns. Sinceros. Num jovem precocemente destroçado, mora ainda o afeto por uma criatura que pode ser a última a acompanhá-lo numa vida que tão cedo deixou secar.

Ontem cruzámo-nos de novo. Virou-se para mim, comovido e feliz: amanhã já vai tirar os pontos.


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 26, 2014

Em defesa do Governo, injustamente acusado

A comunicação social acusa hoje o Governo de fazer publicidade a determinada marca de automóveis. É injusto. Basta alguém conotá-la com o Executivo, que cada vez menos portugueses toleram, e só prejudicará a referida marca.

Passos Coelho foi aconselhado, por um dos numerosos assessores, de que o Governo é um casino e o pagamento de impostos uma oportunidade original para vender rifas de automóveis.  Se lhe dissessem que o pagamento de impostos era uma obrigação cívica, demorava o resto da legislatura a explicar-lhe e não compreenderia.

Aliás, a dupla Portas/Passos Coelho, sendo o primeiro mais inteligente e preparado, quis convencer o País de que iam cortar nas gorduras do Estado. Os eleitores caíram no logro porque não sabiam que a perversa dupla chamava gorduras aos funcionários públicos.

A evolução político-semântica não se verificou apenas em relação a adjetivos, cujo caso paradigmático é «irrevogável». A eficiência do Estado é um eufemismo para alargar os anos de serviço aos funcionários e diminuir-lhes os vencimentos. A redução da dívida pública, apesar de não parar de aumentar, é um processo de empobrecimento coletivo.

As únicas gorduras que o governo identifica são os salários e as pensões e, verdade seja dita, não se tem poupado a esforços na cura de emagrecimento que se propôs.

Como é possível a um governo malvisto e execrado ajudar o que quer que seja? Precisa de pagar a quem o promova e, no caso dos automóveis, ninguém compraria como novo um veículo vindo do Governo.

É, pois, injusto, acusar de impulsionar uma marca quando apenas pode comprometê-la.  

Salazar não era nazi/fascista


terça-feira, março 25, 2014

Reflexões acerca do que ouço sobre os canais televisivos

É mais interessante discutir ideias do que pessoas, analisar os factos do que os autores, emitir opiniões do que manifestar estados de alma.

Mas como fugir ao estado de sítio montado pelo Governo, com a tropa de choque dos seus avençados a debitar ofensas, preparar emboscadas e intoxicar a opinião pública?

Como se pode refletir, e formar a opinião ponderada, com os comentadores do Governo a ocuparem o espaço público, sem contraditório?

Marques Mendes e Marcelo são agentes pagos por canais privados. Morais Sarmento é pago pelo público.  Todos segregam o seu veneno sem antídoto,  atacam as oposições e defendem o Governo de Portas, Cavaco e Passos Coelho, pagos para isso.

Do PCP e do BE nem de graça os aceitam. Curiosamente, a Sócrates, o único que não se faz pagar, ao que teve a mais vergonhosa campanha de censura para o impedirem de ter acesso à TV pública, ao contrário dos outros, atiram-lhe às canelas José Rodrigues dos Santos, de orelhas em riste, para o contraditório de que os outros estão isentos.


Dos jornais - Notícias do dia




O sexo dos anjos e a esquerda portuguesa

Constantinopla já estava cercada pelos turcos otomanos, mas, antes da queda iminente, os teólogos discutiam, com ardor científico, a dúvida perturbadora do sexo dos anjos.

Todos sabemos que os zelosos funcionários alados, que a vontade divina distribuiu por rígida hierarquia, não podem ser desprezados, nem que o céu caia em cima dos devotos e eminentes investigadores.

Para os menos versados na hierarquia celeste, decalcada da militar, ou vice-versa, aqui fica por ordem decrescente a fauna que povoa o Paraíso:

- Serafins, Querubins e Tronos (oficiais generais); Dominações, Virtudes e Potestades (oficiais superiores); Principados, Arcanjos e Anjos da Guarda (subalternos). Convém esclarecer que Lúcifer, caído em desgraça, era um Serafim, não um anjo de segunda linha ou mero alcoviteiro, ao nível do arcanjo Gabriel.

A importante discussão não foi interrompida nessa terça-feira, em 29 de maio de 1453, em que o sultão Maomé II destruiu o Império Romano do Oriente e fez de Constantino XI Paleólogo o último imperador bizantino, cuja alma logo enviou para o Paraíso.

Nesse dia, a Idade Média expirou na Europa e apenas o sexo dos anjos e o seu nebuloso método de reprodução continuaram uma incógnita.

Lembrei-me da discussão quando foram anunciados os resultados da eleições francesas. O PCP logo descobriu que o PSF foi o culpado e o PS português emitiu um comunicado a dizer que o maior aliado da direita é o PCP. Independentemente da razão que a ambos decerto assiste, preocupa-me o ardor dos teólogos da política, mais interessados na caça ao voto do que nos esforços comuns para conter a extrema-direita que surge apoteótica, esquecida a linhagem fascista e a matriz genética donde provém.

Em 1453 acabou a Idade Média – sei que os historiadores inventaram outras divisões –, e agora pode começar o fim da Idade Contemporânea. A vida é um eterno retorno mas as pessoas serão já outras.

segunda-feira, março 24, 2014

Oh, D. Teodora!... porque não vai embora?

A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, deixou aos deputados do PSD uma nova forma de cobrar impostos no pós-troika: taxar os levantamentos que são feitos nas contas bancárias onde são depositados os salários e as pensões.link

Bem, para a maioria dos portugueses que não são especialistas em fiscalidade esta parece uma forma encapotada e ardilosa de aumentar (mais uma vez) o IVA. Aguardemos, porém, as análises dos especialistas e dos constitucionalistas.

Teodora Cardoso preside ao Conselho de Finanças Públicas (CFP). Um órgão “com a missão de proceder a uma avaliação independente sobre a consistência, cumprimento e sustentabilidade da política orçamental, promovendo a sua transparência, de modo a contribuir para a qualidade da democracia e das decisões de política económica e para o reforço da credibilidade financeira do Estado…link.
Não existe qualquer equívoco. A presidente deste ‘orgão independente’ deslocou-se à reunião do grupo parlamentar do PSD em Viseu - provavelmente para 'alimentar' a sua independência - e vai daí resolve dar um contributo aos portugueses que, por exemplo, no ano 2012, contribuíram para a actividade do dito CFP com 2 milhões de euros (CFP Relatório de Actividades de 2012, pág. 4) link
Agora, e fazendo mais uma vez jus à sua independência sugere uma justa e equitativa ‘retribuição’. Isto é - nem mais nem menos - a proposta de mais um imposto (a somar ao 'enorme' aumento de 2013) e a recair sobre os mesmos (trabalhadores e pensionistas).

Tirem-me deste filme!

Factos & documentos

Para que a memória não se apague. 
Foi Cavaco que deu a pensão a dois pides.

O Estado, as honras e o luto nacional

Salazar levou o luto a milhares de lares portugueses e teve, na morte, direito a três dias de luto nacional e a intensa alegria popular. O luto foi decretado pelo sucessor enquanto os foguetes estralejavam em várias localidades. Não se deve confundir o luto oficial com a dor dos portugueses.

O protocolo de Estado tem exigências, rituais que se cumprem em casos tipificados. Os chefes de Estado dos países com os quais temos relações diplomáticas, falecidos  no exercício das suas funções, têm direito a três dias de luto. É essa exigência protocolar que concede três dias de luto aos Papas católicos, não por serem líderes religiosos mas por serem chefes do Estado do Vaticano, quando morrem no exercício das funções, o que só não sucederá com Bento XVI.

O suicídio de Hitler foi um alívio e os países que o combateram não decretaram luto. Só Salazar, que tinha relações com a Alemanha e o nazismo, decretou os três dias da praxe.

Eusébio teve direito a três dias, Saramago a dois. Amália levou com três e levaram-na para o Panteão, à espera de Eusébio. Sá Carneiro, que morreu PM, não teve direito ao Panteão. Salgueiro Maia, herói de Abril, também não. O patriarca Policarpo, já sem funções episcopais, abichou dois dias de luto nacional. Eusébio teve direito a um Saramago e meio, Amália valeu um patriarca e meio.

Este Governo, e não é único, sendo o pior, não pode ser levado a sério. Outros também não. Pela parte que me toca, prefiro que se cumpra o poema de Mário Sá carneiro:

***
Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro


domingo, março 23, 2014

Morreu Adolfo Suárez


Morreu Adolfo Suárez um político fulcral na transição do franquismo para a actual democracia espanhola. 

Trata-se de um homem oriundo do interior do movimento falangista que ao assumir responsabilidades governativas, após o desaparecimento físico do caudilho, despertou desconfianças nos sectores democráticos. 
Viria a revelar-se como um político de Direita, de uma franja esclarecida, inteligente, que cedo percebeu os ventos da história e com determinação conseguiu, por difíceis caminhos, levar a bom porto uma Espanha armadilhada pelo franquismo (foto).
Em 1977, consegue organizar eleições democráticas, depois de um interregno de quase 40 anos (correspondente à ditadura franquista).
De seguida, consegue liderar um amplo consenso político (incluindo o PSOE e o PCE) no sentido de redigir e fazer aprovar uma nova Constituição de cariz democrático que, referendada em 1978, mereceu ampla ratificação popular. 
Será um dos poucos espanhóis a quem a democracia espanhola muito deve e, por esse mérito, ganhou – por boas razões - um lugar na História de Espanha do séc. XX

Dois milhões de pessoas contestam o Governo, em Madrid


A amarga ironia da geopolítica e as doces mentiras de conveniência

A Rússia detesta bases da NATO junto ao seu território, seja na Geórgia ou na Crimeia, vá-se lá saber porquê. Não me venham dizer que Putin é comunista e a União Europeia  campeã do direito internacional e baluarte da democracia.

A cultura, sensibilidade e circunstâncias fazem de mim um europeísta militante. Teria votado, sem vacilar, a adesão de Portugal à União Europeia quando o PM Cavaco Silva, cujo mérito não lhe coube, negou o direito ao referendo, com o argumento de que ficava caro. A sua formação democrática foi sempre rudimentar.

Defendo, continuo a defender, a federação europeia e o aprofundamento da democracia. Penso que já era tempo de termos uma política externa comum, Forças Armadas únicas e o governo central saído do Parlamento Europeu, sabendo que já teria havido decisões que me contrariavam. Mas é assim que entendo a democracia, sujeitar-me à decisão dos que, pensando diferente de mim, ganham as eleições.

Entre a Rússia e a UE escolheria a primeira, mas uma coisa é a nossa pertença histórica, cultural e afetiva, e outra a imparcialidade de julgamento, ainda que nos prejudique.

Vale a pena lembrar, do que me recordo em tempos recentes, qual é o comportamento da minha Europa, sem esquecer que vai até aos Urais.

- Nos Estados Bálticos, na Estónia e Letónia, há 30% de cidadãos apátridas, excluídos dos direitos de cidadania, só por serem russos, sem que a União Europeia exija solução.

- O Chipre foi invadido pela Turquia e retalhado ao sabor do idioma e da religião sem que a Nato manifestasse a musculatura que exibiu no Iraque ao arrepio da legalidade, da ONU e da decência.

- A Jugoslávia foi desfeita de acordo com os apetites alemães, o proselitismo católico e o apoio da Nato.

- A Sérvia foi barbaramente bombardeada pela Nato e, contrariamente ao prometido, foi amputada do Kosovo para se transformar num centro de treino da al-Qaeda e no quartel-general da circulação da droga.

Bastam estes exemplos para ferir a reputação euro/americana e desinteressar os povos do projeto comum que líderes sem grandeza estão a inviabilizar.


sábado, março 22, 2014

SEGURO CONVIDA O VICE DE MERKEL PARA AS COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL!

O inimaginável aconteceu: noticia o Expresso de hoje que A. J. Seguro convidou para festejar com ele o aniversário do 25 de Abril, participando no megajantar com que os socialistas vão celebrar a efeméride, nada mais nada menos do que…o vice-chanceler da Merkel! Sim, o vice-1º ministro do governo da Merkel, um tal Sigmar Gabriel.

 É certo que este se declara social-democrata, e pertence ao chamado Partido Social-Democrata germânico, que por sua vez pertence à denominada Internacional “Socialista”. É certo também que esse partido já foi verdadeiramente social-democrata, designadamente no tempo em que foi dirigido pelo saudoso Willy Brandt; mas hoje é tão social-democrata como o Partido “Social-Democrata” português.Quem se coliga com o partido da Merkel não pode ser socialista; nenhum socialista se aliaria a essa megera. Por isso o tal Sigmar não deve ser muito melhor que ela.

Assim sendo, a participação dele nas referidas comemorações é um insulto ao 25 de Abril e ao partido fundado por Mário Soares, Salgado Zenha e outros da mesma têmpera. Mais: é uma autêntica provocação.

Cada vez compreendo menos o atual Partido Socialista. De cedência em cedência, de “pragmatismo” em “pragmatismo”, o seu caráter socialista vai-se diluindo. Se assim continuam, acabarão por se reduzir a uma “coisa” mole, informe e indefinida, como aliás tem acontecido à maior parte dos partidos “socialistas” europeus e à própria Internacional Socialista, que hoje não passa de um clube de partidos burgueses que na sua juventude irreverente foram socialistas.

Madeira – o conselho regional da ‘pescadinha’…


O conselho regional do PSD-Madeira decorria havia 39 minutos e já o 'Jornal da Madeira', órgão totalmente financiado pelo Governo Regional, tornava públicas as conclusões do encontro. O ponto mais importante - o pedido de Miguel Albuquerque para antecipar o congresso para junho - ainda não tinha sido votado, nem o líder, que falou durante uma hora e meia, tinha concluído a intervenção…”  link.

Palavras para quê?  Uma ‘pescadinha’, i. e., aquele ser que antes de ser já o era!

‘Laundromat Portugal’: uma nova marca exportadora?

Hoje, fomos surpreendidos por aquilo que meio mundo andou a anunciar e a prever à volta do celebrado ‘Programa de Autorização de Residência para Actividade de Investimento em Portugal (ARI)’, uma ‘das estrondosas vitórias’ de Paulo Portas link.
É claro que vai ser anunciado que ‘uma andorinha não faz a Primavera’. Este Governo não mostra capacidade de captar e analisar indícios. Mais depressa aceita transformar o País num vasto alfobre de 'lavandarias de capitais' (do tipo da rede de laundromats de Al Capone em Chicago nos tempos da Lei Seca e da Grande Depressão).
O que para os portugueses que ganham honestamente a sua vida num mercado de trabalho em acelerada ‘desconstrução’, não passa de mais uma humilhação.

Escala de valores

José Medeiros Ferreira teve direito a um voto de pesar da Assembleia da República e a um minuto de silêncio.

O patriarca emérito de Lisboa, teve direito a um dia de luto nacional e a vários dias de ruído com o governo de joelhos e o PR em oração.

Vale mais um dia ao serviço da religião do que uma vida ao serviço do País.


À medida que o aniversário de Abril se avizinha


sexta-feira, março 21, 2014

PR, consensos & dissensos …

Tornaram-se absolutamente fastidiosos e vazios de conteúdo os repetidos apelos do Presidente da República e de membros do actual Governo com vista ao consenso partidário (na prática o PS) para o chamado ‘programa pós-troika’.

Hoje, Cavaco Silva face às ‘divergências insanáveis’ anunciadas pelo líder do PS depois de um encontro com o primeiro-ministro em S. Bento link, ocorrido há menos de 1 semana, voltou à carga.

O Presidente da República afirmou que o “melhor programa cautelar que nós poderíamos ter em Portugal é um acordo interpartidário entre as diferentes forças políticas…”. link.

Para já esta declaração para além do caracter relapso, introduz uma pequena nuance. Isto é, a necessidade de um programa cautelar após um duríssimo (devastador) programa de resgate. De certo modo, este facto traduz a percepção presidencial do insucesso resultante da execução do bailout receitado para o nosso País. De facto, o ‘bail(ing)’ existiu, mas o ‘out’ não parece garantido.

A insistência do PR sobre consensos partidários revela antes de tudo um défice de percepção sobre o funcionamento democrático. Durante o PAEF ainda em curso Cavaco Silva foi promulgando decretos oriundos deste Governo e leis da actual maioria na AR sem mexer uma única palha no sentido de gerar consensos. A única excepção que fez diz respeito à ADSE e cujo final para além de levantar suspeitas de entendimento prévio, corre o risco de ter um desfecho afrontoso e vexatório para o PR. 
A poucos dias do fim do PAEF resolve conotar a saída do programa com um consenso irrealista e oportunista na medida em que, se acaso ocorresse um entendimento, este seria julgado como um aval político da oposição ao percurso desta maioria governativa. Ora, as discordâncias assumidas ao longo destes últimos 3 anos foram públicas e notórias. Se o PS subscrevesse um acordo deste teor descredibilizava-se estrondosamente [e fatalmente] perante os portugueses e perante o regime que alienaria a capacidade de gerar alternativas.

Mas existe um outro vício – mais grave - subjacente aos repetidos ‘apelos de Belém’. Será legítimo suspeitar que o PR concebe um regime democrático sem uma oposição forte, esclarecida e livre. Ficamos à espera de entender como o PR classifica um regime onde a oposição esteja totalmente manietada (parcialmente já esteve estes 3 anos ao subscrever o programa de entendimento). Seria uma ‘democracia orgânica’?

Por outro lado, Cavaco Silva sabe que os consensos no final de um ciclo político são mais actos suicidários do que outra coisa. De facto, a realidade sociológica do País modificou-se, já não é a mesma de 2011 e construir um consenso sob a batuta de uma maioria que deixou de o ser só pode gerar mal entendidos. São dissensos que não ajudam o País, nem o regime democrático.

Resta, finalmente, uma outra vertente, a patológica. Assim, quer a maioria quer a PR (e esta consonância vigorou durante a legislatura) estariam possuídos de uma síndrome obsessiva. Mas este é outro problema, com uma história pregressa própria, de outro foro, sendo difícil correlacioná-lo com o 'período pós-troika'.

PE e oportunos acordos ‘pré-eleitorais’…

Estamos nas vésperas de eleições para o Parlamento Europeu (PE). Não serão muitos os europeus que reconhecem um papel fulcral – quanto a decisões e à capacidade de influenciar a política europeia - ao Parlamento sediado em Estrasburgo e aí residirá a principal motivação do alheamento que se tornou endémico pela UE. 
Aliás, o ‘sentimento europeu’  vai em direcção à constatação de que as instituições existentes na UE (nomeadamente a Comissão Europeia) estão a ser esvaziadas de competências, de conteúdos e personalidades políticas. 
De momento, a deslocalização está a ser feita em direcção a Berlim, onde a estabilidade política (assegurada pela ‘convergência’ CDU/SPD) assentou arraiais e, ontem, 'alinhavou-se' um acordo entre técnicos do PE e do Conselho Europeu para uma próxima transferência das competências financeiras (já instaladas em Frankfurt sob o ‘modelo DeutshBank’) com a ilusão de que uma futura União Bancária Europeia criada de ‘novo’, sob a batuta do Banco Central Europeu (BCE), ficará imune a interferências políticas… link
Finalmente, para perturbar [ainda mais] a credibilidade das instituições europeias marca-se uma próxima votação sobre este assunto em plenário do PE em Abril próximo, isto é,  em cima das eleições.

Resumindo: A União Bancária Europeia, consagrada no papel como um importante instrumento de regulação da política financeira da UE, arrasta-se penosamente desde o Tratado de Lisboa. Vítima de cíclicos adiamentos vincadamente políticos a que não são estranhos ‘tiques hegemónicos’ é desbloqueada na véspera das eleições para o PE. 
Ninguém acredita que este ‘passo eleitoral’ represente uma efectiva mudança, já que as efectivas decisões financeiras (e os consequentes reflexos no desenvolvimento económico europeu) continuarão dependentes do Conselho Europeu, onde não existem ilusões sobre quem e como aí pontifica. 
O timing do desbloqueamento processual (e só isso!) desta União Bancária deve ser encarado como um trunfo eleitoral do Partido Popular Europeu que, partidariamente, domina a composição do actual PE. Logo, uma oportuna mas ignóbil ‘jogada eleitoral’…

Os portugueses têm razões de sobra para se queixar destas manobras e dos sucessivos diferimentos políticos. Se a União Bancária tivesse nascido a tempo e a horas é de pressupor que, nos termos presentemente delineados no divulgado acordo PE/Conselho Europeu, estaríamos aliviados da pesada ‘carga BPN’. Mas mais uma vez estamos confrontados com um triste e histórico fado: ‘É tarde, Inês é morta’.

Campanha sem querelas

Cavaco Silva, patriota apaziguador, pediu uma campanha sem querelas, na comunicação em que anunciou a data das eleições europeias e trocou o faceboock pela televisão.

Cavaco pediu «uma campanha sem crispação a olhar para o futuro», depois de ter sido o maior responsável pela crispação, sem olhar para o seu passado. Apela ao consenso com o entusiasmo com que defende as suas reformas, sabendo que, como mediador, é o pior dos árbitros, ele que decidiu integrar-se no Governo e combater a oposição.

A perseguição ao PS, para o comprometer perante a opinião pública com o responsável pelas divergências com o Governo, é uma obsessão que devia levar o PS a declarar que não aceita como mediador o jogador da equipa adversária.

A insistência interessada e interesseira do PR no casamento do PS com o PSD exige que seja desmascarada todas as vezes que a repetir. Não pode haver uma convergência feita na secretaria, que ignore o PCP e o BE e tenha como objetivo a capitulação do PS, não para salvar Portugal e os portugueses mas para salvar o Governo e o PR do julgamento dos portugueses.

Nenhum simpatizante da esquerda parlamentar pode ter pelo PR mais respeito do que o mínimo exigido para evitar as sanções do Código Penal.


quinta-feira, março 20, 2014

Ainda a Crimeia, o comunismo e a democracia

Para quem recusa ler a Wikipédia (não é preciso mais) para saber a história da Ucrânia; para quem a guerra de 1939/45 nada lhe diz; para quem o mundo é a preto e branco e é escravo de preconceitos partidários, jamais perceberá a luta geoestratégica que se joga em várias partes do mundo.

Há quem não tenha seguido a guerra da Ossétia do Sul, em 2008, e não perceba como terminou o aventureirismo de um nacionalista da Geórgia; quem ignore como a União Europeia se portou no seu subcontinente, desmoronando a Jugoslávia e arrasando a Sérvia, para criar uma espécie de Guiné-Bissau europeia no Kosovo, um entreposto da droga e da jihad.

Talvez por desconhecimento e preconceito, há quem julgue que a Ucrânia é um espaço onde se joga uma luta entre o comunismo (representado por Putin) e uma democracia de pessoas pouco recomendáveis que transformaram justíssimas manifestações públicas no assalto sedicioso a um poder corrupto que as eleições tinham sufragado, em Kiev.

Do maniqueísmo judaico-cristão não podemos partir para uma serena análise na defesa da paz. Parece que gostamos de ser vuvuzelas das potências que lutam pelos mercados e pela hegemonia a nível global.

Putin não é melhor do que Cavaco, mas tem mais força. Obama é melhor do que Putin mas tem menos razão no caso da Crimeia.

Valha-nos o facto de não estar Bush no poder, uma espécie de Passos Coelho da maior potência mundial.  


Já copeiam, já devedem, o pior são os ivões (Crónica)

Alguém me contou que Carvalhão Duarte, o corajoso jornalista que foi diretor do jornal República e empenhado antifascista, foi um dia recebido por Salazar na qualidade de presidente do organismo de classe dos professores primários, profissão de que viria a ser demitido por motivos políticos.

Carvalhão Duarte queixou-se de que os vencimentos dos professores não correspondiam à categoria profissional, ao que o ditador respondeu que, não podendo elevar os salários ao nível da categoria dos reivindicantes, faria com que a categoria viesse a corresponder aos vencimentos que auferiam.

Não surpreende que tal possa ter acontecido pois o encerramento das Escolas Normais e a criação dos Postos Escolares e respetivas Regentes, a quem bastavam quatro anos de escolaridade, correspondeu ao desprezo que a instrução lhe mereceu. Deve-se à ditadura o retrocesso escolar de quem temia a cultura e a julgava prejudicial à doutrina cristã e ao cuidado das almas de que Cerejeira se encarregou.

Os anos 30 do século XX foram de uma enorme regressão na formação dos professores e nas importantes inovações da I República, tragédia que só seria alterada na agonia do regime fascista, com Veiga Simão, no consulado marcelista.

O ensino obrigatório era, no meu tempo de escola, a 4.ª classe para rapazes e a 3.ª para meninas. Recordo a minha mãe a entrar nas casas das pessoas da aldeia, a dizer às mães que já lhe tinha matriculado a filha na 4.ª classe, senhora professora não me faça isso, faz-me falta para criar os irmãos, é uma boa aluna merece ir mais além, quem me fica com os outros filhos quando tenho de ir para a horta, a professora a submeter a mãe da menina que gostava da escola, a mãe a lamuriar-se, e a professora a conseguir mais um ano de escolaridade para a menina que não podia ser criança e para quem a 4.ª classe era considerada supérflua.

Em 1963, as regentes ganhavam 600$00 mensais, vencimento igual para as agregadas e as efetivas, tendo estas direito a 12 meses de vencimento anual e as outras a 9 meses e 12 dias. Para se fazer ideia da exploração e miséria a que eram condenadas, vale a pena recordar os salários miseráveis dos funcionários públicos, em geral, e os dos professores primários, em particular: 1.600$00, agregados; 1750$00, efetivos; e 2.000$00, 2200$00 e 2.400$00, após 10, 20 e 30 anos de serviço, respetivamente.

Em 1963, quando, por ser o único professor, fui nomeado Delegado Escolar, encontrei 16 regentes escolares no concelho, todas mulheres, em pequenas aldeias. Sem elas, muitas crianças ficariam desobrigadas da escola porque uma residência superior a 3 km da escola era motivo legal para isentar as crianças da frequência escolar.

Contrariamente às anedotas e humilhações a que a condição as submetia, devemos-lhes a alfabetização de muitas crianças que, doutro modo, não teriam oportunidade de, mais tarde, obter um passaporte e emigrarem, para fugirem à fome e à miséria a que estavam condenadas.

As regentes eram frequentemente ridicularizadas pela escassez de habilitações literárias e rudimentares conhecimentos, objeto de anedotas, tantas vezes injustas, quase sempre racistas, e da arrogância de professores que presidiam às provas de passagem dos seus alunos.

Era vulgar atribuir-lhes redações de ofícios onde a sintaxe e a ortografia abalavam os mais rudimentares alicerces da ortodoxia gramatical. Apareciam datilografados e eram divulgados para gáudio de quem tinha aprendido um pouco mais e subido na hierarquia rígida da função pública.

Havia muitas histórias atribuídas a regentes, que, com a miséria do vencimento, sofriam o sarcasmo de quem se julgava superior. É dessa indigência, do quotidiano repisado de «um país em “inho”» que aqui deixo a suposta afirmação de uma regente para o inspetor que a visitou: «os alunos já copeiam, já devedem, o pior são os ivões...», 3 vezes 8, 24, ‘e vão’ 2; 9 vezes 8, 72, ‘e vão’ 7», malditos ‘ivões’, a conjunção e a conjugação do presente do indicativo do verbo “ir”, a tornarem-se o plural de um absurdo substantivo.


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 19, 2014

A comunicação de Cavaco Silva ao País

O PR anunciou hoje a data conhecida das eleições para o Parlamento Europeu. Para tal, interrompeu os noticiários, dispensando o Faceboock.

Aproveitou para dizer que as eleições em causa são para o Parlamento Europeu e não para outro fim o que, na sua mansidão, quis dizer que o seu Governo e ele próprio não estão em causa.

Concordo em quase tudo com o PR, com a data marcada, que tem de ser anunciada com um mínimo de 60 dias, com a comunicação através da televisão, em vez do faceboock, e com o horário escolhido, altura em que o noticiário impede que se desligue o televisor.

A única diferença está no sentido do voto. Votar em qualquer partido que não seja os do Governo é um voto contra o PSD, o CDS e o PR, três em um.


Nunca uma derrota estrondosa foi tão necessária para punir os principais responsáveis pelo agravamento sucessivo da crise. Um voto contra a coligação é a catarse mínima do povo que a tem suportado. 

Os apelos de Cavaco e a salvação nacional

Angela Merkel disse que “Portugal está no caminho certo”, distraindo-se de parafrasear na íntegra essa eminência da direita e da fé que dá pelo nome de Bagão Félix e utiliza o pseudónimo de ex-ministro das Finanças, cargo de num patético e efémero governo de Santana Lopes que os portugueses se encarregaram de dissolver.

Bagão Félix disse que “Portugal está melhor, mas os portugueses estão pior” e Merkel não disse que “os portugueses estão no caminho errado” depois de afirmar que ‘o País está no caminho certo’.

Estando Portugal melhor, segundo Bagão Félix, amigo do peito e da hóstia de Portas, e ‘no caminho certo’, segundo a líder da Europa alemã, não se entendem apelos repetidos de Cavaco ao diálogo entre o PS e o PSD, primeiro por não ser preciso, depois por tudo correr bem no melhor dos países, exceto para os portugueses.

Cavaco Silva, por falta de perfil para o cargo, ou por incontido rancor contra a anterior liderança do PS, renunciou a ser um referencial de estabilidade e tornou-se o máximo divisor comum dos portugueses. Ignorou, com arrogância, a existência do PCP e do BE, cujos deputados foram eleitos democraticamente, e colocou os seus discursos e recursos da sua Casa Civil em confronto com o PS.

Se, contrariamente ao que disseram Bagão Félix e Angela Merkel, o país não estiver tão bem, a necessidade de consenso será inevitável, mas terá de fazer-se sem Cavaco, Portas e Passos Coelho, com os partidos representados na Assembleia da República, local onde os consensos e divergências devem ter lugar.

Então se verá quais os partidos interessados numa solução e os que apenas procuram os votos.


terça-feira, março 18, 2014

A Espanha, o fascismo eclesiástico e a IVG

Gil Tamayo
Gil Tamayo, secretário-geral da Conferência Episcopal Espanhola, diz que “O debate sobre a malformação não é negociável”.

A Espanha, sob a influência tenebrosa da Opus Dei, regride nas leis da família e nega o direito ao aborto de um anencéfalo. Sob as sotainas acalenta-se o ódio e os homens que gostam de vestir roupas femininas exigem às mulheres que o seu corpo esteja ao serviço dos preconceitos deles.

Quem conhece dramas de mães de filhos com espinha bífida ou das que trazem no útero um feto incompatível com a vida, sem poderem interromper a gravidez, sabe a maldade que encerra a decisão imposta por um governo que a Opus Dei corroeu por dentro.

O rancor de celibatários, as manhãs submersas dos seminários e o veneno misógino dos livros pios conduzem a esta demência perversa a que falta um módico de sensibilidade, um resquício de compaixão, um mínimo de humanidade.

A refinada maldade que impõe à mulher a continuidade de uma gravidez teratogénica só é possível germinar em pessoas sem coração e com o cérebro embotado pela violência de uma educação castradora da sexualidade, dos afetos e da inteligência.  

A IVG não é uma obrigação que se imponha, sejam quais forem os riscos, é um direito.

Criminalizar a grávida que aborte por ter rubéola ou por lhe ter sido diagnosticada uma má formação fetal, só pode sair da mente perturbada de um fascista misógino ou de um clérigo embrutecido por jejuns, abstinências e cilícios com que pensa salvar a alma.

A.J.SEGURO / P.COLEHO ou como diálogos circunstanciais não podem ‘fintar’ soluções democráticas…

O diálogo que o Governo tem andado a solicitar às oposições (leia-se PS) viveu ontem mais um episódio desta, ao que parece, infindável novela político-partidária.

A.J. Seguro aceitou deslocar-se a S. Bento e saiu de lá ao que parece igual (ou pior) do que quando entrou link .
De facto, face aos enredos recentes, nomeadamente os levantados pelo manifesto do 74 e o prefácio dos Roteiros, os portugueses não acalentavam particulares esperanças neste tão mediatizado encontro.
Existe a percepção comum de estarmos perante um ritual democrático, de certo modo vazio e notoriamente inconsequente.

Na verdade, Passos Coelho ‘precisava’ deste encontro por duas razões essenciais.

Primeiro, para não divergir publicamente da estratégia ‘pós-troika’ que o Presidente da República assumiu querer conduzir e controlar e que passa por insustentáveis ‘convergências’. A posição de Belém não pode andar por aí a navegar sozinha polarizando na generalidade as definições para o período que se segue e o primeiro-ministro tinha – por motivos tácticos - de fingir embarcar nesta ilusão de consenso. Nenhum político, em Portugal, acredita num ‘período pós-troika’ que seja necessário definir com liberdade democrática e soberanamente, mas tão-somente no ‘prolongamento do reinado da troika’ que daqui para a frente se deseja (a troika e o Governo) mais discreto.

Em segundo lugar, por uma questão de timing governamental já que a deslocação programada, para hoje, do primeiro-ministro a Berlim, onde segundo tudo indica se irá definir concretamente a saída do PAEF e o subsequente ‘período pós troika’ à revelia de qualquer discussão pública, impunha (a Passos Coelho) a realização deste inútil arremedo prévio.
Embora não seja um aspecto fulcral Seguro deveria ter percebido que o timing governamental não é obrigatoriamente coincidente com o do PS.

No concreto, passou-se para o País a imagem que estão na forja importantes decisões capazes de influenciar o destino de, pelo menos, uma geração.
Os portugueses assistem ansiosos e atónitos a estas manobras de diversão, desconhecendo em absoluto quais os contornos estratégicos e orçamentais em discussão. Não está em discussão coisa de pouca monta. Estamos numa das encruzilhadas do futuro, de que inevitavelmente restará memória histórica.

Perpassa a ideia que poderá ser necessário construir ‘entendimentos’ entre as forças políticas e os parceiros sociais para enfrentar dificuldades crescentes em conciliar o crescimento com o garrote imposto pelo Pacto Orçamental.
Os portugueses não vivem no reino das ilusões e sabem que tal só será possível – se continuarmos a privilegiar soluções democráticas - após eleições legislativas que sejam precedidas de um debate aberto, vivo, real e transparente.

Os ‘encontros de S. Bento’ não substituem, nem poderiam, este necessário ‘consenso colectivo’. A beira de terminar (formalmente e não de facto) o período de intervenção externa nada de sério e democrático pode ser concebido sem eleições gerais. A situação a que chegamos não tem nada a ver com a que existia em 2011. E as saídas não foram, nem podiam ser, discutidas (e escrutinadas) há 3 anos. E, mais, esta lacuna do processo democrático em curso não pode ser substituída por 'conversas em S. Bento'.

Todas as manobras, as dilações e diálogos de circunstância em curso não passam de um arrastado ‘encanar da perna à rã’.
O tempo que estamos a perder à conta de hesitações várias (da PR, da AR e do Governo) no doloroso e confrangedor prolongamento de soluções democraticamente esgotadas e caducas vai-nos sair caro e vamos pagá-lo com juros altíssimos. O que não é coisa inédita para os portugueses e portuguesas.

segunda-feira, março 17, 2014

O teatro do ‘pós-troika’…

Depois de um 'banho de água fria' subsidiário do preâmbulo inscrito in ‘Roteiros cavaquistas’ o Governo retomou a encenação da peça: ‘O Fim do Protectorado’.
Desta vez o artista principal não foi Paulo Portas.
Poiares Maduro entrou em cena com uma ‘deixa’: “Portugal já controla o seu destino!” link.
Daqui para a frente não haverá mais lugar aos constantes apartes de que ‘a troika impôs’.
A récita continua sem perder o fio à meada.
Os encenadores, os actores e os autores tiveram sempre o mesmo guião. Não precisam de ‘ponto’.
Todos – sem excepção - sabem o papel de cor.

Portugal, a Crimeia e a guerra fria

Os portugueses estão mais preocupados com a perda da soberania da Ucrânia sobre a Crimeia do que com a perda da soberania de Portugal perante a Troika.

Putin, o democrata educado na madraça do KGB, é um perigo maior do que os agiotas vindos do banco Goldman Sachs para explorarem o nosso país, ou aí colocados para que o banco saiba como melhor nos explorar.

A História recente não ensinou nada aos pequenos países que conseguem tornar-se mais pequenos com a subserviência aos grandes. Em vez de negociarem um estatuto razoável e conseguirem alguns benefícios, hipotecam-se ao sabor dos seus preconceitos.

Ver bandeiras com a foice e o martelo na Crimeia é assistir ao rebobinar de um filme de terror. Ver suásticas em Kiev é assistir aos preparativos da segunda sessão de um filme macabro.

O nacionalismo é a doença que se agrava com um hino, uma bandeira e um demagogo.
Em Portugal, a nostalgia do império, que terminou com o prazo de validade esgotado, é o alimento que entusiasma os saudosos da URSS e os salazaristas empedernidos.

Curiosamente, os antieuropeístas são os mais acirrados defensores da união da Ucrânia à União Europeia. Os católicos, que perseguiram os ortodoxos na cruzada fascista da 2.ª Grande Guerra, são agora defensores do patriarca de Kiev e é preciso repetir-lhes que o comunismo continua morto na capital da Rússia, os barqueiros do Volga já não fazem música e os coros da Armada Soviética foram extintos.


Oiçam a Kalinka e o voo do Moscardo sem esperarem estandartes soviéticos. Entrem numa boa casa de música, comprem o CD e homenageiem Nikolai Rimsky-Korsakov.

domingo, março 16, 2014

O intervalo referendário da Crimeia...

Hoje, na Crimeia, está em curso um referendo para a população residente pronunciar-se sobre um eventual regresso deste território do sul da Ucrânia (com um percurso histórico atribulado) à Federação da Rússia link.
Trata-se de uma manobra política de ‘fachada democrática’ – cuja legitimidade é contestada abertamente pelo Ocidente - que sendo patrocinada por Moscovo, pretende adiar, por algum tempo, uma grave crise na definição das fronteiras orientais da Europa .  
Ao mesmo tempo este ‘compasso de espera’, deverá proporcionar a consolidação de um novo eixo estratégico (geo-político, energético e acima de tudo económico) visando a criação e desenvolvimento de um influente e vastíssimo ‘mercado euro-asático’, onde a Rússia terá necessariamente um papel central e cuja efectivação é deveras preocupante para a UE e fatal para a hegemonia dos EUA.

O Ocidente tem desvalorizado a leitura de uma potência emergente (China) sobre a 'crise ucraniana' que, no quadro de mundialização em curso (é aí que nos encontramos e não no meio de uma ‘guerra fria’), decidiu abster-se no Conselho de Segurança da ONU  link, abrindo um 'espaço' vital a Putin. Recusando alinhar com a diplomacia ocidental - que pretendia liminarmente invalidar o referendo - deu um inequívoco sinal que não deixará de influenciar o curso dos acontecimentos.

A posição europeia quando à crise ucraniana, embora permaneça formalmente alinhada com os EEUU, parece ter entrado na ‘fase descompressiva’.
Uma visão realista do peso político da UE mostra, em relação à crise ucraniana, as primeiras fragilidades.
As sanções económicas contra a Rússia parecem não colher a simpatia dos alemães link o que condiciona  a via político-diplomática em aberto. No campo político continuará – por algum tempo - a existir um ensurdecedor ‘ruído de fundo’ link.

Na verdade, a Alemanha está confrontada com uma dupla condição (contradição). Por um lado, no campo energético depende (estrategicamente?) da importação de gás e petróleo russos e, por outro, tem vindo a investir (no mercado russo) de modo exponencial no domínio da metalurgia, dos produtos químicos,  da maquinaria, dos veículos, da fabricação de alimentos, etc.. 
Muito embora o volume de importações  europeias (Europa dos 28) referentas a produtos oriundos da Rússia seja diminuto (1% do PIB europeu) as exportações são significativas (15% do PIB europeu) link.  E como sabemos as sanções têm sempre um ‘efeito de reciprocidade’, que começam no campo político e se concretizam na vertente fiscal e aduaneira (medidas proteccionistas).

Uma ‘guerra comercial’ entre a Europa e a Rússia tem obviamente profundas consequências na economia russa. Esta será abruptamente empurrada para uma aceleração da sua expansão para Oriente (um velho ‘projecto’ estratégico de Putin) mas, por outro lado, há o reverso da medalha. Na realidade, estas medidas (sanções económicas) demonstram uma forte potencialidade de atirar a frágil economia europeia para um novo ciclo recessivo.
Segundo estimativas de organismos financeiros internacionais essas medidas poderão fazer o PIB europeu decrescer 1,5%, uma ‘queda’ acima do limiar de crescimento na UE entre 2003-2012 (a taxa média de crescimento foi de 1,2%) link . Uma dos indícios destas preocupações tem sido a evolução negativa das principais bolsas europeias neste período ‘pré-referendo’ link.

Sendo assim e dadas as ‘características práticas’ (pragmáticas) da política europeia que gravitam à volta de Berlim, os recentes problemas da Ucrânia, bem como os actos de força na Crimeia (militares e referendários) indiciam que a sua resolução será ditada na mesa de negociações multilaterais reguladas (condicionadas) por interesses político-económicos (neste momento em pormenorizada inventariação e análise).
Nada de novo em relação ao passado mas, nos dias que correm, estas situações representam ‘jogadas’ diferentes e  que tendem a ‘comandar’ a diplomacia. São, por outro lado, perfeitamente contabilizáveis e previsíveis.
 
Em resumo, não devemos esquecer que a Alemanha foi o berço da ‘realpolitik’ (europeia)  que tem influenciado  decisivamente as políticas do Norte e do Centro da Europa, desde os (prussianos) tempos de Bismarck…

Criminosos da fé interrompidos nas orações

As polícias de Marrocos e Espanha desmantelaram a rede de um espanhol, Amaya, um dos dementes convertidos ao Islão e ao crime. A rede recrutava jihadistas europeus que iam lutar para a Síria, Mali e Líbia, locais excelentes para o treino militar que devolvem os sobreviventes, mais prosélitos e ansiosos do Paraíso.

Na Síria encontram-se mais de 2 mil jihadistas europeus cujo regresso extasiará Maomé e não deixará de causar fortes preocupações à Europa que parece esquecida de violentas guerras religiosas que a dilaceraram.

Continuo sem perceber o que leva países democráticos a aceitar a pregação do ódio e a fanatização religiosa que proíbe a uma associação ou partido político. As religiões não são mais do que associações de crentes, submetidas ao código penal dos países onde se organizam. O direito à crença é incompatível com o direito ao crime.

A Europa continua a considerar moderado o Irmão Muçulmano que na Turquia transpira fé e corrupção. O PM Recep Erdogan, pode antever na instabilidade política ucraniana a oportunidade para desviar a pressão a que está submetido e se intrometer no conflito que divide a União Europeia e a Rússia.

A Europa que se ajoelha perante as religiões e os seus próceres está a deixar-se infiltrar por uma onda de demência mística virada para Meca. Mas quem ontem viu os políticos portugueses a transformarem o funeral do ex-patriarca de Lisboa numa reunião política, não se admirará da falta de coluna vertebral de quem anda de rastos e viaja de joelhos.

Assim, falta autoridade para respeitar a laicidade.

JOSÉ GOMES FERREIRA E A VELHA GUARDA

O menino José Gomes Ferreira, fazendo prova da sua má educação, atreveu-se a escrever uma carta em que dá reprimendas e conselhos paternais a um grupo de cidadãos que têm idade para poderem ser seus pais. Chama à geração desses cidadãos “uma geração errada”.

 Errada porquê? Por ter feito o 25 de Abril, conquistando para o povo português a liberdade que ele agora usa para bolçar asneiras atrás de asneiras? É claro que o Zezinho nunca se envolveria num 25 de Abril. Ele nunca se meteria nessas coisas. Porque o Zezinho é um menino ajuizado. Tão ajuizado que faz lembrar “aquele repelente menino Vicente, posto na vida só para ter juízo” de que falava o velho e nada ajuizado O’Neill.

 Acontece que, em termos de mentalidade, a velhice tem pouco a ver com a idade que consta do bilhete de identidade. Nesses termos, o Zezinho é muito mais velho do que aqueles que se permite repreender no seu malcriado artigo. Parece-me mesmo que já nasceu velho.

 Se eu pertencesse àquele grupo de cidadãos a quem ele tem o desplante de dar conselhos, certamente lhe diria em que parte da sua anatomia devia meter esses conselhos.

 Poderão aqueles cidadãos pertencer à “Velha Guarda”, e dizer-lhe, como o velho Cambronne: “A Velha Guarda morre mas não se rende!”. Não percebeu, Zezinho? Então repito: “A Velha Guarda morre mas não se rende!”. O quê? Ainda não percebeu? Então vá berda-merda!

sábado, março 15, 2014

ADSE ou o nascimento de uma nova transitoriedade …

Falando sobre o veto do PR ao diploma governamental que aumenta o valor dos descontos para a ADSE, Passos Coelho, afirmou hoje na inauguração do Centro de Investigação e Desenvolvimento do Instituto Politécnico do Cávado e Ave, em Barcelos, que a medida poderá não ser definitiva.
É muito provável que nós possamos em anos ulteriores fazer ajustamentos que permitam melhorar o sistema”, referiu. link

Estamos, portanto, perante o enésimo corte temporário deste Governo e, como é norma, em trânsito acelerado para se tornar uma medida definitiva do tipo das tão propagandeadas ‘reformas estruturais’.
Na verdade, o 1º. Ministro receia que uma Lei da AR cavalgando o actual decreto governamental (que a maioria se prepara para aprovar), acabe no TC. Daí a mistificação do temporário.
Na verdade, ou estamos perante mais um problema de estruturação espaço-temporal revelado por este Governo ou na presença de um relapso 'caramboleiro'.
Andaremos ‘nisto’ até 2015?

sexta-feira, março 14, 2014

FMI e as análises mixordeiras...

…In Portugal, the overall progressive incidence was due to progressive cuts in public wages and pensions, which offset the regressive cuts in means-tested social transfers which negatively affected households in the bottom decile.
Public sector pay cuts increased with wage to a maximum of 10 percent, and included the suspension of the 13th and 14th months of pay in 2012.
Benefit reductions included a decrease of the amount and tightening of the eligibility conditions for family benefits.
The suspension of the 13th and 14th months of pay was reversed in 2013 (after the period under consideration in the analysis). 
FMI (in Fiscal Policy and Income Inequalitylink

Neste relatório do FMI os cortes regressivos nas transferências sociais estão conotados com cortes progressivos no sector público (funcionários no activo e aposentados) que atingem no período em estudo – 2008 a 2012 - o máximo de 10% (para os mais ‘ricos’) que em termos médios contabilizam o valor de 6.3%, sendo de cerca de 5% nos escalões sociais mais baixos (os 'pobres').
Trata-se de uma análise ‘asséptica’ que se encaixa num permanente esforço de branqueamento dos programas de austeridade gizados por instituições político-financeiras internacionais (nomeadamente pelo FMI). Estes relatórios pretendem descartar das instituições  financeiras internacionais as graves consequências económicas e sociais resultantes dos programas que mecanicamente impõem as Países com dificuldades económicas e/ou financeiras. Um exemplo paradigmático:  a taxa de desemprego no período em análise quase duplicou (passou de 8,5 a 16%), facto que é toscamente contornado desta ‘análise fiscal’.

Bem, para um leigo em análise sociológica este relatório têm necessariamente outras leituras.
 
No período em estudo e relativo a Portugal o índice GINI (um ‘medidor’ do(s) coeficiente(s) de desigualdade) que estava em queda desde 2005 inverteu esta tendência em 2010 e 2011 link  (não estão disponíveis dados posteriores).
Significa isto que todos os esforços feitos no dealbar deste século para combater desigualdades sociais, sucumbiram às medidas de austeridade feitas em nome de desequilíbrios orçamentais e em prol modelos económicos ditos ‘sustentáveis’. Esta (a luta contra as desigualdades) será a primeira vítima da austeridade.

O relatório do FMI mostra, por outro lado, como os técnicos desta instituição tratam as questões humanas: O relatório anuncia que os cortes foram progressivos e que os 'mais pobres' tiveram uma redução do rendimento disponível à volta dos 5% link .
Ora, falar tão abstracta e levianamente (retórica tecnocrática) sobre um esquemático escalonamento económico-social só tem uma interpretação: a iniquidade dos cortes. Na realidade, foram buscar (saquear) 5% aonde, em termos práticos, existia muitíssimo pouco - para não dizer nada!...
De facto, só por ironia se pode defender esta política fiscal como justa e equitativa. 
Mas o escalonamento dos cortes tem um outro significado: a compulsiva proletarizarão da classe média está aí estampada como sendo uma (resgatadora) fatalidade. Como se as democracias ocidentais pudessem ‘dispensar’ esta ‘almofada social’ e o espaço de liberdade que – com todos os contraditórios - gravita em torno dela (a dita ‘classe média’).

É difícil entender um documento sobre políticas fiscais com tantos atropelos sociais. Excepto se for feito nessa prestimosa instituição internacional que é conhecida pelas recorrentes expulsões de vários Países espalhados pelo Mundo (Islândia, Hungria, Equador,…).

É preciso salvar as aparências.


O primeiro veto do PR a um diploma do Governo de que faz parte, obriga a um novo voto que o confirmará.

Desta vez não haverá a falta de compostura manifestada após a confirmação do Estatuto dos Açores.

O funeral do cardeal José Policarpo

Cavaco vai ao funeral do antigo patriarca de Lisboa, personalidade relevante da cultura portuguesa. Espera-se que vá na qualidade de católico, e não na de PR, pois a separação da Igreja e do Estado não permite que invoque tal qualidade.

A ausência do funeral de José Saramago permitia-lhe agora faltar a este, reincidindo na desculpa dos netos que então lhe serviu.

São cada vez mais os portugueses a lamentar o funeral de mortos errados.


Cavaco Silva e os assessores

Tendo o PR demitido os dois assessores que assinaram um manifesto cívico, para não se comprometer com as posições assumidas por esses colaboradores, é justo suspeitar que, ao não ter tomado idêntica atitude quando Fernando Lima se meteu naquela intriga reles de implicar o primeiro-ministro na inventada escuta aos telefonemas do PR, concordou.

Trata-se de incoerência, pois todos sabemos que Cavaco era incapaz de se comprometer em tão baixo golpe político.


quinta-feira, março 13, 2014

Cava[ca]delas….

Hoje, no final da reunião do Conselho de Ministros, apareceu o seu porta-voz, Marques Guedes, a fazer um número de 'acrobacia', sobre os aumentos dos descontos da ADSE, onde nitidamente exibiu a marca de 'encomendado'. 

Disse de viva voz: “…O exercício das competências constitucionais dos órgãos de soberania nunca pode ser entendido como uma afronta. …" link.

Não sei porquê lembrei-me do Tribunal Constitucional

Soma e segue


Mudam-se os tempos...

O caso das falsas escutas de Sócrates ao PR é o mais grave atentado político contra um PM, perpetrado na Casa Civil do PR. Fernando Lima, em silêncio perante as acusações repulsivas que assumiu, continua por lá.

Dois assessores que assinaram um manifesto cívico, no uso da sua liberdade cívica, foram imediatamente demitidos.

Depois disto, Cavaco Silva não pode deixar de ficar associado ao entusiástico suicídio a que o seu Governo conduz o País.

Nunca um Governo tão medíocre teve um PR a integrá-lo.