O Estado, as honras e o luto nacional

Salazar levou o luto a milhares de lares portugueses e teve, na morte, direito a três dias de luto nacional e a intensa alegria popular. O luto foi decretado pelo sucessor enquanto os foguetes estralejavam em várias localidades. Não se deve confundir o luto oficial com a dor dos portugueses.

O protocolo de Estado tem exigências, rituais que se cumprem em casos tipificados. Os chefes de Estado dos países com os quais temos relações diplomáticas, falecidos  no exercício das suas funções, têm direito a três dias de luto. É essa exigência protocolar que concede três dias de luto aos Papas católicos, não por serem líderes religiosos mas por serem chefes do Estado do Vaticano, quando morrem no exercício das funções, o que só não sucederá com Bento XVI.

O suicídio de Hitler foi um alívio e os países que o combateram não decretaram luto. Só Salazar, que tinha relações com a Alemanha e o nazismo, decretou os três dias da praxe.

Eusébio teve direito a três dias, Saramago a dois. Amália levou com três e levaram-na para o Panteão, à espera de Eusébio. Sá Carneiro, que morreu PM, não teve direito ao Panteão. Salgueiro Maia, herói de Abril, também não. O patriarca Policarpo, já sem funções episcopais, abichou dois dias de luto nacional. Eusébio teve direito a um Saramago e meio, Amália valeu um patriarca e meio.

Este Governo, e não é único, sendo o pior, não pode ser levado a sério. Outros também não. Pela parte que me toca, prefiro que se cumpra o poema de Mário Sá carneiro:

***
Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

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