Governo, malfeitorias e pinoquices…

Marques Guedes é o exemplo típico do apparatchik cordial e comedido que vive na obsessão do ‘politicamente correcto’. Trata-se de uma versão revista e aumentada do velho modelo acaciano.
Surge lesto a personificar o vulgar navegar, lesto e vazio, pelas margens de ‘uma no cravo, outra na ferradura’. Tem gasto muito da sua energia e tempo a passar por entre os pingos da chuva, tentando não molhar-se.
Tem, na realidade, uma missão difícil, para não dizer impossível. É o porta-voz de um Governo imerso num mar de contradições e opacidades e começa a dar sinais de que se esgotou nesta infindável ginástica na (pesada) barra dos equilíbrios instáveis. Já teve oscilações e foi temporariamente ‘reestruturado’ nas suas funções, tendo as suas oraculares dissertações no final dos conselhos de Ministros, sido substituídas por briefings em catadupa conduzidos pelo jovem e afoito secretário de Estado, Pedro Lomba. Não vale a pena recordar estas performances porque dificilmente os portugueses as esquecerão de que é paradigmático a indigente e penosa prestação link de um ‘homem das swaps’ (J. Pais Borges) que, entretanto, tinha sido guindado, por Maria Luís Albuquerque, a Secretário de Estado do Tesouro.
Na ressaca destes episódios pouco edificantes e nada recomendáveis, Marques Guedes, regressou às suas primitivas funções de porta-voz do Governo.
E lá foi andando até que ontem tentou tapar o sol com uma peneira. Perguntado sobre o assunto do dia (cortes definitivos nas pensões) ‘arranjou’ uma desculpa esfarrapada. Perante declarações de fonte oficial do Ministérios das Finanças começa por chamar-lhe uma ‘não-notícia’ ou, indo mais além, ‘uma especulação alarmista’ link.

Insatisfeito por, debalde, tentar justificar o injustificável investe contra os órgãos de comunicação social que – no seu entender – não teriam observado uma conduta deontologicamente correcta. De facto, o injustificável não coincidia com o inaudito. E na conferência de imprensa após a reunião governamental debita esta perola: "...se os jornalistas entenderam transformar uma conversa em 'off' sobre um ponto de situação num dado adquirido, eu não chamaria a isso fuga de informação, chamaria, quando muito, manipulação de informação". 
Os jornais e a agência governamental Lusa vieram, no imediato, a terreiro para esclarecer a tão propalada ‘manipulação’: "O tema da reunião seria a convergência de pensões. Durante o encontro, foi referido que os temas abordados e discutidos poderiam ser noticiados, mas sem serem atribuídos a nenhum responsável, apenas a fonte do Ministério das Finanças. Os temas tratados, com embargo de divulgação até à meia-noite de quarta-feira, acabaram por fazer a manchete da maioria dos títulos de imprensa de quinta-feira". link
Ou muito me engano ou o Ministro Marques Guedes ficou, daqui para o futuro, em ‘off’. Não me admiraria nada que a próxima conferência de imprensa venha a ser protagonizada por um qualquer Pinóquio ou um especialista em dislates. Um ‘ajustamento’ urgente e necessário!

Comentários

O Governo não é composto por ministros e secretários de Estado.

É um bando com aves perdidas em voos descoordenados. Só a cartilha ultraliberal lhes serve de GPS.

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