Lamentável é… defender um partido único

Urge reiterar as convicções democráticas quando os amigos julgam que um sistema de partido único possa ser uma democracia, quando há quem pense que a defesa do terror da Coreia do Norte possa ser uma opção democrática, quando se julga que a declaração de intenções possa disfarçar a cumplicidade com a tirania.

Julgo-me no direito de defender o aprofundamento económico, social e político sem o qual a democracia se esvazia, sem trocar a liberdade de expressão e o pluralismo por um qualquer amanhã, por mais musical que se apresente.

Combater este Governo é um dever cívico, uma manifestação de cidadania, uma questão de honra, mas não aceito alianças com quem não respeite a democracia representativa e os direitos das oposições.

A ditadura fascista foi uma vacina cuja validade ainda permanece.

Serei fiel aos valores da democracia representativa e ao seu aprofundamento. Não aceito modelos caducados e utopias cujo modelo se inspira neles. Seguirei os que buscam um novo paradigma, desde que não impeça o regresso quando virmos que nos enganámos. O século XX deu-nos a liberdade e o seu contrário, produziu os mais obscuros sistemas e as mais tenebrosas abjeções.

Não avalizo novas aventuras totalitárias, seja qual for o pretexto, qualquer que seja o quadrante.

Comentários

Manuel Galvão disse…
Eu também sou defensor da democracia representativa. Em que o povo se faz representar nos órgãos do poder por partidos, que têm Jotas, compráveis ao metro quadrado, para mais tarde serem úteis. Em que a Bolsa de valores é uma empresa privada detida pelos mesmos acionistas que são donos da banca, e donos das grandes empresas, e donos das empresas de raiting que "controlam" as primeiras, e donos dos jornais e televisões que "vendem" Júlias e Gouchas, e Big-brothers ao povo, indicando sub-liminarmente aonde este deve votar, para que as riquezas do país democrático passem para fora de fronteiras em meia dúzia de anos...

É o Admirável Mundo Novo, sem dúvida!

Temos que levar este mundo, altruístas que somos, à Argélia, Tunísia, Líbano, Egipto, Síria. Em breve à Ucrânia também!
Manuel Galvão

Os males que aponta nada têm a ver com a democracia representativa. Nos regimes totalitários também havia "jotas": a Mocidade Portuguesa, a Milícia, o CADC; a Juventude Hitleriana; na Itália fascista também havia qualquer coisa do género; e nos regimes autoproclamados "comunistas" também.
Quanto à Bolsa, etc., isso são males do capitalismo, não da democracia representativa. Pode haver democracia representativa socialista; o que não pode é haver democracia com partido único ou com a demagógica "democracia direta".
Quanto aos países que refere no último parágrafo, se neles houvesse democracia representativa talvez os respetivos cidadãos não andassem a matar-se uns aos outros!
z. disse…
Não estará MGalvão a questionar da possibilidade de democracia sob o capitalismo?
Temos democracia em Portugal e na maior parte do ocidente? Ou os direitos (culturalmente construídos), directa ou indirectamente, compram-se?
z.
A ser assim, não haveria democracia em parte nenhuma do mundo, a não ser talvez... na Coreia do Norte!!!
O que nunca houve até agora, infelizmente, foi democracia sob o soi-disant "comunismo". Dubcek tentou implantar, em 1968 na Checoslováquia, uma democracia socialista, mas a "comunista" URSS esmagou no ovo, pela violência, essa possibilidade.

É claro que os direitos não se compram. Conquistam-se!
Manuel Galvão disse…
Quando a mensagem não agrada, ataca-se, insulta-se o mensageiro!

Os comentadores de esquerda, como aliás também os de direita, contentam-se em debitar chavões e, de seguida, lavar as mão como Pôncio Pilatos.

Quando se diz que as democracias ocidentais estão minadas pela corrupção, que usurpa os direitos conquistados (imprensa livre, partidos políticos impermeáveis ao poder económico, independência do poder judicial face ao poder político, etc) a esquerda responde: então o que é que querias? querias um sistema como o da Coreia do Norte?

DEMAGOGIA, DESONESTIDADE INTELECTUAL!

Mauel Galvão
É evidente, pelo menos para quem está habituado a discutir civilizadamente, que nos meus comentários não insultei ninguém.

Tem obviamente todo o direito de discordar de mim. Mas então diga-me onde é que existe a democracia que preconiza!


Manuel Galvão disse…
António Horta Pinto,
penso que ambos desejamos uma refundação dos sistemas democráticos em vigor nos países ocidentais. Ambos desejamos que seja possível regressar aos direitos conquistados no pós-guerra (imprensa livre, etc. etc., como referi atrás), e ambos somos incapazes de apontar (um só país que seja) aonde a democracia não tenha sido adulterada pela evolução do capitalismo para zonas selvagens, com brutais concentrações de capital em grandes companhias monolopistas a nível mundial (quanto mais a nível nacional) e em bancos que são "grandes de mais para poderem falir".
Foi neste ambiente envolvente, aonde existem os países "democráticos" ocidentais, que se desenvolveram técnicas de sequestro das democracias por parte do Grande Capital: corromper tudo e todos para conseguirem transferir para esses grandes grupos económicos a maior fatia do PIB gerado nesses países, num assalto legalmente consentido pelos cidadãos. O consentimento é feito no ato da votação. Uma perfeita armadilha!

Será que faz sentido pessoas que se consideram de esquerda defenderem a intervenção da NATO na Líbia, mesmo que o objetivo dessa intervenção tivesse sido promover uma "democracia Ocidental"?
Penso que não. Defender essa intervenção é fazer o jogos dos grandes grupos económicos, que não se importam de pagar uns milhões pelos misseis tomahawk para ficarem com o monopólio da exploração do petróleo desse país.
De resto o tempo veio mostrar-nos que nada de relevante se passou por lá, em termos de democracia e de direitos humanos.

Foi essa a ideia que tentei expor no meu primeiro comentário.
Manuel Galvão

Afinal estamos inteiramente de acordo. Da discussão -às vezes...-
nasce a luz!
Saudações democráticas
AHP

Mensagens populares deste blogue

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido

Nigéria – O Islão é pacífico…

Macron e a ‘primeira-dama': uma ‘majestática’ deriva …