Paradoxos…na Ucrânia, na Crimeia e na Europa

Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da NATO, foi das primeiras vozes a condenar a alegada intervenção russa na Crimeia quando a Nato é a organização que a Rússia não tolerará próximo das suas fronteiras, como já evidenciou na Geórgia. O responsável da Nato era quem devia calar-se.

Arseni Yatseniuk, primeiro-ministro interino da Ucrânia, declarou-se pró-europeu e condenou a secessão da Crimeia, sem provar a legitimidade do cargo que ocupa.

Durão Barroso apelou aos líderes europeus para defenderem a unidade da Ucrânia, cuja constituição proíbe a sua divisão territorial, quando tem no cadastro a cumplicidade com a invasão do Iraque e o apoio à primeira agressão estrangeira do pós-guerra na Europa, com bombardeamentos sobre Belgrado e a amputação do território sérvio do Kosovo.

Putin é um presidente autoritário e pouco dado a subtilezas jurídicas mas tem o apoio da maioria da população da Crimeia a quem a Ucrânia proibiu o ensino oficial do russo.

Com Obama preso à herança do inenarrável G. W. Bush e na falta de autoridade moral dos responsáveis europeus, Putin tem desculpa para as tropelias autoritárias de quem fez o estágio democrático na chefia do KGB, primeiro e do FSB, após a falência da URSS.

A Europa está preocupada com a desintegração da Ucrânia, um Estado por consolidar, com várias nações e retalhos étnicos, polacos, húngaros, tártaros, romenos e búlgaros, e   tendo como religião dominante o cristianismo ortodoxo oriental, ligado ao Patriarcado de Moscovo.

A Europa, sem uma integração económica, social e política arrisca-se a perder o sucesso da moeda única e da livre circulação e a ver desintegrar a Itália (o norte e o sul são dois países), a Bélgica, a Espanha e a Inglaterra, para começar.

Se um país, um único, conseguir tornar-se uma ditadura, outras virão, como um castelo de cartas que se desmorona.


Depois, bem, depois só falta um processo de refeudalização que a fará regredir séculos.   

Comentários

refeudalização

séculos

já agora pedra lascada né

Paradoxos? numa europa qu'inda escraviza economicamente milhões de africanos?

uma dentadura e outras birão

é o milagre da multiplicação das dittas

bolas como se não houvesse democracias muito mais repressivas que muita autocracia

nem a URSS tinha tanta gente em gulags em 1990 como agora os US of A que fazem das prisões um negotium
septuagenário disse…
Será que este cantinho luso está a boa distância daquelas gentes?

É que são-nos tão estranhas aquelas mentalidades que dificilmente os poderemos compreender.

Se sempre se entenderam à porrada desde os czares e czarinas, lenines e estalines, que se entendam agora sem natos.

É mais fácil refazermos a Caparica contra as marés do que entender aqueles problemas daquela gente tão complicada e violenta.

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