O País, o skype e o imaginário exemplo da Quinta da Coelha …

Uma das ferramentas de propaganda deste governo é a imagem fabricada e mirífica de um putativo ‘fim do protectorado’, em Maio deste ano link.
Em nome desta utopia, nestes 3 meses que restam, serão ‘exigidos’ todos e mais alguns sacrifícios.
Todavia, estes malabarismos, tecidos à volta de um status quo (uma ferramenta da doutrina neoliberal), estão condenados ao fracasso. Os portugueses já compreenderam que só nos veremos livres da Troika quando criarmos condições de desenvolvimento que permitam a aquisição de soberania plena (económica e financeira) e, em consequência disso, tomarmos a decisão política de a despedirmos com justa causa (política). Tão simples como isto.
Esta sequência, de certo modo inultrapassável, encerra no seu âmago (nas opções políticas a tomar no imediato) vários caminhos. Aquele que estamos a seguir com este Governo é o da ‘submissão perene’ aos interesses dos mercados financeiros que instalaram por cá lídimos ‘representantes’ para amordaçar e condicionar as escolhas, i.e., procederem como é dito na encriptada linguagem política a uma ‘longa supervisão orçamental’. Quanto mais tempo se prolongar (e tolerar) a vigência dos conceitos de uma ‘não existência de alternativas’ (o tal status quo), mais nos afundaremos numa irreversível dependência. Os portugueses não aceitarão uma pretensa e pérfida ‘revolução tecnológica’ em que as periódicas visitas presenciais para ‘exames regulares’ sejam substituídas por ‘ordens’ transmitidas, via spyke, a partir de Bruxelas, Frankfurt ou Washington. Muito menos ‘exames prévios’ de tão má memória entre nós.

A Troika é uma espécie do reclamo da Toyota, i. e., veio para ficar. Infelizmente, temos um Presidente da República totalmente conformado com esta aviltação da nossa soberania e a tentar gizar, a partir dessa ignomínia, as mais absurdas propostas de ‘consensos’ quando o que lhe era exigido seria a abertura de um livre espaço político propiciador de um amplo debate nacional realista e objectivo sobre o futuro. Um debate que tarda e que até aqui tem sido ‘condicionado’ (impedido) por um programa de auxílio externo, contratualizado até Maio de 2014. O ‘pós-troika’ não tem de ser, obrigatoriamente, um período de conformismo e subserviência. Ou aproveitamos com determinação e inteligência esta oportunidade para expurgar condicionalismos que nos amarram ao sub-desenvolvimento ou, ao fim de 3 anos de duros sacrifícios, abdicamos de construir e definir o nosso destino colectivo.
Todavia, o que vemos é um Presidente vergado aos diktats dos mercados e a aceitar, pacífica e tranquilamente, que nos coloquem um ferrete condicionador da essência democrática…, até 2035! link.

Seria interessante imaginar o seguinte quadro. Em 2016 Cavaco Silva deverá regressar como reformado/jubilado/aposentado à Quinta da Coelha. Vamos supor que não tinha feito o expedito e nebuloso negócio da sua aquisição e que, como a maioria dos portugueses, estava ‘condicionado’ pelo cumprimento das condições inerentes a um empréstimo bancário.

Duas perguntas:

- Aceitaria que o gerente do balcão mais próximo fosse almoçar semanalmente à sua residência para controlar o saldo da conta bancária, dar indicações de investimento, balizar consumos ou estabelecer ritmos e condições laborais?
- Aceitaria, também, que numa circunstância de maior aperto financeiro doméstico, o tal gerente impusesse que a ‘sua Maria’ fosse leiloar (em Londres, p. exº.) a colecção de presépios?

Comentários

Excelente post, muito didático e terminando com duas perguntas muito pertinentes, que sintetisam a situação em que estamos e em que querem que continuemos.
Subscrevo o que escreveu AHP.
Agostinho disse…
A fórmula do êxito da Toyota foi usurpada pela pelos donos da Troika.
O que eles querem é, enquanto nos chupam os ossos, garantir uma renda vitalícia para os seus associados.
Negócios.

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