Num país disfuncional, onde os diretores-gerais apresentam a demissão para evitar a dos ministros, como aconteceu com o Comandante-Geral da PSP que seria substituído pelo que, na sua atuação, deu origem à demissão, cria-se um lugar político para os abnegados mártires. Na PSP, hoje com 13 oficiais equiparados a generais de 3 estrelas, arranjou-se um lugar… em Paris, por 12 mil euros mensais, para o desprendido demissionário.
A demissão do responsável máximo da Autoridade Tributária, um diretor-geral, tem certamente à espera uma sinecura à altura do sacrifício. Imolou-se no altar da hipocrisia ao serviço da degradação ética do regime que este Governo e esta maioria, à rédea solta, levam a cabo, com o PR preso curto.
Um país onde o segredo fiscal, à semelhança do de justiça, é para ser violado, protegem-se os amigos, hoje os deste Governo, amanhã os do próximo. O sigilo fiscal era a prática dos funcionários de Finanças como os pagamentos à Segurança Social e ao fisco o eram dos governan…
Comentários
Mas qual incongruência, Odete. Mas a senhora acha que o governo quer combater a corrupção? A mim não me parece nada.
Manuel de Brito/Porto
No entanto o post é demonstrativo duma ideia generalizada em Portugal e que é falsa. Tão sómente a ideia de que na Madeira há corrupção.
Pois não há nem mais nem menos do que em outros sítios do País. E mais: em matéria de execução orçamental a Madeira tem loas. Não é o governo que anda a dizer que a Madeira tem um indice de desenvolvimento superior à média nacional?
Pois se isso de conseguiu com corrupção, bendita seja.
De concreto (isto do concreto está na moda!) sabemos - porque João Cravinho interpelou no Parlamento o Min. das Finanças - que 5 milhões euros, inscritos no Orçamento de Estado em vigor e destinados ao combate à corrupção, não foram utilizados, nem requeridos às Finanças pelo ministro da Justiça.
Sendo assim, o que se passa é que o governo dá uma no cravo outra na ferradura.
Mas se nos ativermos à Europa ocupamos a 14ª. posição - à frente da Eslovénia, Itália e Grécia - o que é mediocre, havendo a perspectiva de caírmos, a breve trecho, mais algumas posições.
Tudo isso agravado pela noção de que a corrupção em Portugal parasita, essencialmente, o Estado. Todo o aparelho de Estado, não só mas também, a Madeira, como é óbvio.
Agora, vir a terreiro defender a teoria terceiromundista, de "roubo, mas faço!" é insuportável. O combate à corrupção em qualquer País desenvolvido é (tem de ser) uma prioridade política.
Foi isso que o deputado socialista João Cravinho exigiu - e bem - por não ver o problema contemplado no orçamento de 2007.