Equador - Eleições presidenciais


Rafael Correa consolidou nesta segunda-feira, 27, a sua vitória eleitoral para presidente do Equador sobre o magnata de direita, Alvaro Noboa, que pediu uma contagem voto a voto em duas províncias que representam 36% da votação total.

A vitória de Rafael Correa é uma evidência e um problema para os EUA. A sua clara simpatia por Hugo Chavez e a obsessão por um socialismo terceiro-mundista, coloca o Equador na linha do anti-americanismo militante que grassa na América do Sul.

O futuro presidente representa uma esquerda que não me inspira particular simpatia, mas não lhe falta legitimidade democrática nem o apoio expresso do seu povo. É, aliás, um académico ilustre com provas dadas.
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Rafael Correa, ao comemorar o triunfo, gritou o lema de Che Guevara ("Até a vitória, sempre!") e pediu ao adversário que aceitasse a derrota.
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Desejar sucesso ao futuro presidente e respeitar o veredicto do povo do Equador é um dever democrático de que nem os EUA estão dispensados.

Comentários

Anónimo disse…
POR FAVOR...

Começar já a criar um cenário de problemas com os americanos por causa da vitória do Rafael Correia no Equador é vislumbrar já uma governação difícil para o homem.

"A sua clara simpatia por Hugo Chavez" não o vai ajudar em nada. Se foi uma cadémico ilustre puxe e pense pela sua cabeça, senão ainda acaba por ir cair nos braços de Fidel, o que, convenhamos..

Essa de gritar o lema do
Che Guevara ("Até a vitória, sempre!") é uma tentação de ocasião. Esperemos que tenha a cabeça limpa e que conheça o destino da embarcação.

Ainda gostava de ver um político que em vez de falar em terceiros, dissesse:- "VOU GOVERNAR CUMPRINDO O PROGRAMA QUE O POVO APROVOU; OU SEJA,GOVERNAR DE ACORDO COM O MEU PROGRAMA.
Manuel de Brito/Porto
matarbustos disse…
É estranho que se coloque a coisa em termos de submissão a Chavez ou a Fidel (discurso muito repetido nos media) quando o que se passa actualmente no terceiro mundo (senão mesmo em todo o mundo) é a submissão aos interesses dos EUA defendidos pelo FMI e pelo Banco Mundial.

Não é o socialismo que é terceiro mundista; é a economia de mercado e a política do estado mínimo imposta por aquelas organizações que é responsável pelas assimetrias sociais extremadas no 3º mundo (algo que é evidente ainda mais agora na china).

A simpatia por Hugo Chavez pode favorecer a governação à esquerda no mapa político actual da américa latina. O que pode prejudicar não é aproximação a Chavez mas sim a reacção castradora do governo dos EUA que não admite que lhes ameacem o carácter unilateral das decisões sobre o destino dos recursos naturais do globo e da soberania dos povos.

Os recentes governos de esquerda na américa latina conseguiram já diminuir o fosso entre ricos e pobres em poucos anos como o reconhecem as ONGs e a ONU; são positivas as conquistas conseguidas, socialmente progressistas e impensáveis há pouco tempo atrás; há muito para fazer ainda no 3º mundo mas as mudanças são já uma realidade evidente.

O meu desejo sincero é que esta geração de dirigentes socialistas consiga de facto tirar da pobreza a grande maioria daqueles povos. São populistas, sim é verdade, mas é a única forma de conquistar os votos de uma massa acrítica desiludida com a política. As divergências que tenho com eles não são nem de perto nem de longe tão grandes como as divergências que tenho com os governos ocidentais, atados que estão ao fatalismo de uma política económica que destrói o estado e retalha a «sociedade» em unidades puramente competitivas.
e-pá! disse…
A afirmação de Rafael Correa: "O presidente Chávez é meu amigo, meu amigo pessoal, mas os meus amigos não mandam na minha casa. E no Equador, serão os equatorianos", mostra que o presidente eleito do Equador pretende levar a cabo uma política autónoma e renovadora.
Rafael Correa necessita manter em relação a Hugo Chávez um bom entendimento já que precisa do apoio da Venezuela a fim do seu País regressar à OPEP.
Política autónoma em relação aos EUA ao anunciar a sua oposição ao tratado de comércio livre e a não-renovação do acordo (caduca em 2009) que permite aos EUA utilizar a base militar de Manta.

Mas o mais importante - e que tem sido pouco evidenciado) é o seu projecto de renovação do sistema político equatoriano.
Rafael Correa, anunciou durante a sua campanha eleitoral a convocação de uma Assembleia Constituinte, sob consulta popular (o seu grupo político de apoio não concorreu às eleições parlamentares).
Este é o caminho que escolheu para evitar o impasse e a confrontação entre os poderes Executivo e Legislativo que tem, sistematicamente, imobilizado a "vivência política", no Equador.
Outro grande problema é a dívida externa equatoriana e o anúncio de uma provável moratória que permita capitalizar para o desenvolvimento do País a alta dos preços do petróleo de que o Equador é produtor e exportador.

A actual realidade sul-americana mostra a tendência de desenvolvimento impregnado de justiça social, sem a interferência bloqueadora dos EUA, como superpotência regional e mundial.
A evolução política na América do Sul, caminha no sentido da "multipolaridade" e contraria a linha condutora da política externa dos EUA, que pugna por um Mundo unipolar onde a sua hegenomia é imperativa (acima de direito internacional e da ONU).
O que se está a passar no Equador e se entrosa nas opções políticas do Brasil, Venezuela, Bolívia, Peru, Chile, etc. deve ser encarado como uma séria tentativa de criar uma nova ordem política mundial.
Um nova ordem com espaço para a afirmação da soberania dos povos, para o desenvolvimento autónomo equilibrado, pela inde pendência económica e unificação da luta dos povos pelo futuro.

Portanto, estou de acordo com M. Brito.
Quando falamos das eleições do Equador devemos considerar o programa político subjacente e não o circulo de amizades e/ou antipatias pessoais no novo presidente.
Até porque, em minha opinião, o que se está a passar na América do Sul é maior, muito maior, do que as sucessivas eleições nestes Países, vão mostrando.
Anónimo disse…
Se não fosse a "chapelada" no México...
Mesmo assim o Bush & Companhia já estão a cantar o "bendito e louvado".
Anti-gringo

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