Discordo



Os dois últimos Governos da direita são para esquecer e poderá perguntar-se ao CDS e PSD porque não puseram em prática a proposta de exames no final do 4.º, 6.º e 9.º anos escolares nessa altura e que demagogia e falta de coerência os leva a propor agora o que então rejeitaram. Mas isso não elimina a necessidade de exames.

Sei que há um trauma com os exames feitos durante a ditadura, onde uma doença súbita significava a perda de ano, onde havia exames no 3.º e 4.º anos de escolaridade, exames de admissão ao liceu, 6.º, 9.º e 11.º anos (antigo 7.º ano) e de aptidão à Universidade. O acesso às Escolas do Magistério Primário era feito através de exames de admissão e o curso, depois de exames a todas as cadeiras do 1.º e 2.º anos, terminava com o exame (final) de estado. Havia provas escritas e orais desde o 3.º ano de escolaridade (1.º grau) e no ensino secundário as dispensas à prova oral eram em regra com um mínimo de 16 valores.

Entre o massacre de exames, cujo objectivo principal parecia ser o de apanhar os alunos em falta, e uma criteriosa selecção para a progressão académica, há um ponto de equilíbrio que é preciso encontrar.

Na empresa onde trabalhei três décadas os trabalhadores de determinadas funções eram submetidos a testes trimestrais, para avaliação de conhecimentos, com risco de perda de emprego se não correspondessem ao exigido. Ajudou-nos o longínquo treino académico.

É difícil aceitar que a sociedade dispense os alunos da avaliação que as empresas acabarão por fazer-lhes. E, extrema heresia, intolerável posição reaccionária, não vejo como o País possa julgar o mérito dos professores sem exames nacionais aos seus alunos.

Comentários

Anónimo disse…
Às vezes tenho pena de não ter nascido fascista, porra!
Sem exigência, sem rigor, sem avaliação e responsabilização, não vamos a lado nenhum.
Isso está mais do que visto, mesmo os amblíopes o constatam.
Que a esquerda o não veja, ou o não aceite, eis o que me deixa turvada a vista.
Anónimo disse…
Eu quando completei o que chama hoje o 1º Ciclo do Ensino Básico, fiz uma "Prova", lembrar-se-ão também outros mais de tal, certamente, a seguir foi as salazarentas "Provas de Admissão" às "Escolas Técnicas"(fiz na Francisco Arruda), e ao "Liceu"(fiz no de Oeiras).Tudo isto contado, para quê? Para as gerações actuais o saibam (se não lhes explicaram ainda)que era exigência a mais. Não podemos contudo sob uma eventual perda de qualidade de ensino, julgo eu, em certas etapas fazer uma avaliação não muito carregada, do estado de aprendizagem do aluno, porque senão certamente reflectir-se-à no futuro. não se passar a qualquer preço, ou para cumprir oblectivos de Escola, ou até permitir, que no Superior às vezes para se tirar um se ande lá 8 anos e até 10 anos.
Desculpem tanta prosa mas no fim do 1º Ciclo do Ensino Básico, uma Prova de Avaliação, em que os jovens demonstrem o minimo, para seguir, sou a favor.
Anónimo disse…
pois é o pior foi que do "oito" passou-se para o oitenta, como se na vida não houvesse "exames" e aferições, veja-se o que isto deu....

e foi preciso trinta anos e muito palavreado para se perceber que todos precisamos de ter algumas "barreiras" para saltar pois a vida é mesmo assim,
è bom que os alunos percebam isso cedo e olhe que tal como todos nós que passamos por esse crivo exagerado de exames desde a Quata classe não ficamos traumatizados....
Anónimo disse…
Não são os exames que, só por si, medem o sistema educativo nem o melhoram. Vejam o que acontece com a generalidade dos países europeus (e não só) onde raramente há exames antes do 9º ano. Avaliação de alunos, escolas e professores, sim, mas não sejamos simplistas (só temos comparações com o regime salazarento, não há mais nada neste mundo para se comparar?!)

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017