Liberdade e propaganda
Vê-se agora nos jornais, que a concentração monopolista vai colocando ao serviço dos interesses económicos, como se atiram à inépcia duma funcionária perante a militância partidária de um adversário, ou à atitude de um ministro menos hábil que não tolera nas instalações do seu ministério propaganda hostil à sua política (boa ou má), sem que ninguém ficasse sem emprego ou fosse parar à prisão.
Curiosamente os empregados que restam nos jornais donde o patronato saneou os mais lúcidos e corajosos jornalistas são os mais decididos na luta contra os actos censórios do Governo numa deriva que se acentuou depois dos negócios falhados da PT e do assalto do BCP ao BPI.
Os interesses turísticos, financeiros e imobiliários são os mais denodados defensores da liberdade, quando lhes interessa, e contra quem deixou de lhes interessar.
Onde estavam os defensores da liberdade, arautos do livre-pensamento e adversários da prepotência quando Bagão Félix – o mais cruel e impiedoso carrasco dos trabalhadores – demitiu todos os directores e subdirectores da Segurança social, de uma só vez, num acto de saneamento político, logo que se viu vestido de ministro?
Onde andaram estes democratas quando Ferro Rodrigues foi politicamente assassinado pela violação do segredo de justiça por bufos protegidos pela ministra Celeste Cardona?
Como lhes passa despercebido que muitos e brilhantes académicos vejam as suas teses de doutoramento recusadas por suspeitas de pertencerem ao PCP ou médicos ilustres sistematicamente preteridos na progressão da carreira por preconceito ideológico dos detentores do poder, nestes últimos trinta anos?
Que raio de fenómeno se passa nas autarquias onde quase todos os funcionários são do partido da vereação em exercício? E com os jornais dessas vilas, algumas já promovidas a cidades, dependentes da simpatia de quem distribui subsídios e arranja colocações aos amigos? Nem me refiro ao exemplo obsceno da Madeira! É náusea a mais.
Ao ver nos mais altos postos académicos quem furou a greve de 69, em claro apoio à ditadura fascista, não estranho o silêncio que acompanhou as demissões de ilustres catedráticos por Salazar na Universidade que doutorou o ditador Franco, o algoz de 1 milhão de espanhóis mortos ou exilados.
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E não nos esqueçamos da facilidade com que as corporações de magistrados, a seguir ao 25 de Abril, acolheram carinhosamente no seu seio os antigos "magistrados" dos tenebrosos Tribunais Plenários fascistas!