Opinião de um leitor

A demissão da directora do C. de S. de Vieira do Minho

O despacho nº 13.288/2007 do MS é uma tremenda gaffe política do Ministro da Saúde.

1.) Em entrevista pública no ano transacto (em final de férias) o Ministro afirmou que "nunca poria os pés" num SAP;

2.) Como responsável, a todos os níveis, pelas estruturas que integram o SNS esta afirmação é intolerável;

3.) Os SAP's eram na altura, e ainda hoje o são (apesar da reforma das urgências em curso), estruturas do SNS que o MS põe ao serviço os utentes;

4.) Têm a porta aberta (hoje menos tempo do que na altura) e trabalham aí profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, administrativos) que prestam cuidados aos cidadãos;

5.) A "boutade" do Minstro, "apoucou" os serviços na sua dependência e, para além disso, achincalhou - foi memos leal - para com esses funcionários públicos;

6.) A "fotomontagem" efectuada pelo médico do CS de Vieira do MInho, mais não fez do que, jocosamente, inserir um "conselho" na lógica da infeliz entrevista do Ministro em Agosto de 2006;

7.) Este médico assumiu a total responsabilidade pelo facto;

8.) Ao ter conhecimento desta situação - ao que se sabe por denúncia da JS local à ARS do Norte - a Directora do CS, mandou retirar o "cartaz-fotomontagem".

9.) E assim se esgotou um pequeno incidente caseiro.


O Ministro não quis que assim fosse. À gaffe inicial acrescenta um clamoroso erro político - o despacho nº 13.288/2007. Demite a directora do CS invocando quebra de lealdade. Ora, a primeira deslealdade parte do Ministro nas suas declarações de Agosto de 2006.

Depois, nem o Ministro, nem qualquer outro governante, estão acima de eventuais comentários irónicos, jocosos ou satíricos (não ofensivos) por parte de qualquer cidadão, já que este tipo de comportamentos - para além de, em termos genéricos, integrarem a vastidão da liberdade de expressão dos portugueses - fazem parte do modo quotidiano de viver a política em Portugal.

Finalmente, evoca a reserva destes locais públicos no que, impropriamente, chama luta política. Pura hipocrisia. Quantos de nós já vimos, p. exº., CS ou Hospitais serem "invadidos" por forças políticas em períodos de campanha eleitoral ou em visitas programadas pelos partidos em situações de oportunidade política?Sobre este despacho há poucas dúvidas.

Foi mais um tiro no pé. Na pior altura (política). Felizmente que, ao que parece, o grupo parlamentar socialista, e alguns destacados dirigentes, souberam dar-lhe a devida dimensão.

Segue-se a chamada do Ministro, a pedido de todas as oposições, para prestar contas na AR...

Pergunta: Um Ministério com tantos problemas para resolver no seio do SNS (a sustentabilidade financeira, a equidade e a acessibilidade, a eficiência, a qualidade da resposta, ...) necessita de andar metido nestas questões paroquiais? Pai e mãe fazem muita falta, mas "tininho" também...

a) e-pá Dom Jul 01, 10:33:00 AM

Comentários

Anónimo disse…
.......UM AVISO..........

Os bufos voltaram, na pele de jovens da JS...fotografam os papeis, avisam o partido, este o governo e pronto...rua.

Todo o cuidado é pouco, não há tolerância.
Anónimo disse…
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse…
o SR Ministro não esteve bem é um facto.
The_new_hope disse…
Lamento discordar da forma como se sustenta o tiro no pé! Embora concorde que tenha sido um tiro!

A tutela reserva-se e bem o direito a zelar pelos espaços que o povo português lhe confia, podendo para o efeito determinar a forma como são utilizados! Cabe ao bom senso do funcionário preservar, cuidar e manter o espaço de forma digna para todos os portugueses representados pela tutela.
O que acontece normalmente é que o funcionário publico toma como seu o espaço onde trabalha fazendo uso abusivo do espaço e aproveitando os recursos para fins pessoais. Isso é peculato e é punido criminalmente.

Não acredito sinceramente que uma directora não tenha conhecimento de um cartaz político afixado nas paredes do espaço que gere. Das duas uma ou é ausente ou desatenta. De qualquer das formas revela incapacidade. E é aqui que concordo com o autor foi um tiro no pé, não por ter punido a Sra directora, mas sim porque há outras formas de punir menos lesivas, mais brandas e que não ridicularizavam a punição merecida. A advertência ou a suspensão poderiam ser soluções.

Por fim fala-se da liberdade de expressão e dos bufos. Será liberdade de expressão ir a casa de um cidadão ir a casa de alguém afixar um cartaz político e mantê-lo lá? E se isso acontecer tem ou não a pessoa proprietária o direito de processar quem o fez!
Quanto aos bufos só pergunto se o cartaz estava na clandestinidade… quem defende que isto foi um acto delatório só revela intolerância e desconhece os seus deveres como cidadão, zelar pelo espaço que é de todos de forma imparcial e isenta.

Quando exigirmos comedimento a um Ministro faça-mo-lo de forma ponderada tal qual como ele deveria ter procedido. Exigir sim mas dando o exemplo.
Anónimo disse…
Diário da República:

O seu comentário foi apagado porque, certamente por lapso, já o tinha colocado no post «Dúvida metódica», onde se encontra.
Anónimo disse…
A tutela reserva-se e bem o direito a zelar pelos espaços que o povo português lhe confia,...

A tutela, é pouco tolerante, já era assim, antes do 25 d'Abril, o pior é que agora se dizem democratas...vergonhoso.

O povo vai julgar.
Anónimo disse…
Custa-me a encarar sériamente qualquer "coisa" que este Ministro diga.
É o Ministério onde há mais trapalhada, seguido do da Educação.

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