Madeira – o régulo de um offshore à solta

A Madeira é um offshore da democracia e da decência cívica, com a cumplicidade dos partidos da direita e a cobardia dos da esquerda, prontos a defender o aprofundamento da autonomia contra um módico de vigilância democrática sobre o sátrapa autóctone.

Foi a ampla unanimidade partidária, sem oposição dos presidentes da República, que permitiu a um jovem salazarista tornar-se o chefe tribal, que, depois das bofetadas que um honrado coronel lhe aplicou, por ofensas às Forças Armadas, nunca mais respeitou os órgãos de soberania nacionais.

O Tribunal de Contas (TdC), rigoroso nas suas avaliações mas sem legitimidade para punições, condenou o Parlamento madeirense, presidido por Miguel Mendonça, por arbitrariedade na atribuição de subvenções parlamentares incomparavelmente superiores às dos Açores e da própria A.R..

O TdC pensa que «algo de muito errado e grave» acontece nas ajudas financeiras aos grupos parlamentares da região, que julga ser um Estado. Um deputado autóctone custa mais 75 mil euros do que um açoriano e mais 86 mil do que um deputado da República, «sendo a atividade parlamentar muito mais cara do que nos Açores e na AR juntos».

O TdC desafiou os deputados a apresentarem provas das despesas ou a demonstrarem o verdadeiro destino que deram ao dinheiro dos contribuintes, esperando que colaborem, em vez de se refugiarem com «variadas e inconsistentes desculpas». O TdC revelou ainda que «o dinheiro, em vez de ser depositado numa conta do grupo parlamentar e aplicado (…) ingressa nas contas dos partidos». Segundo o documento do TdC, revela-se insustentável “a sangria do dinheiro dos contribuintes para fins político-partidários».

Os dados, retirados de um artigo, não assinado, do DN, de 15 de julho, pág. 12, três dias depois ainda não mereceram uma tomada de posição do PSD, do Governo da República ou do PR, este preocupado com a importante viagem à Coreia do Sul.


Ninguém se preocupa com o sorvedoiro de dinheiros públicos na Madeira?

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