O professor Miro Cerar ou o ‘mau aluno’ esloveno?

As eleições eslovenas recentemente realizadas trazem algo de novo à cena europeia link. Nada de transcendente mas uma suave brisa de mudança. Ganhou o acto eleitoral um programa de Governo moderado encabeçado por Miro Cerar, um professor de Direito que suspendeu a vida académica para intervir na vida política eslovena. Precisou de pouco mais de um mês para derrotar a direita conservadora (assoberbada por actos de corrupção) e os socialistas indecisos que nem estarão representados no Parlamento. 
Não são conhecidas em pormenor as suas linhas políticas que grosso modo identificam o SMC (Centro-esquerda?)  bem como o caminho apontado para resolver os problemas do País à margem da obsoleta e desastrosa receita da austeridade. Esta a lufada de ar fresco que poderá trazer, no seio da UE, graves dissabores à nova equipa dirigente quando contestar a aplicação de uma ‘receita única’ cozinhada em Bruxelas e supervisionada por Merkel. 
Trata-se de um País com graves problemas no sector bancário (pejado de activos tóxicos) que, no ano passado, recusou um resgate financeiro.  Uma das premissas de ajuda são as ditas reformas (sempre consideradas 'estruturais') e a questão das privatizações é uma ‘iguaria’ que integra invariavelmente o menu dos ‘resgates’ (abertos ou encobertos). A promessa da nova equipa é opor-se à privatização da Telekom Slovenia e do aeroporto de Lujlibiana já ‘lançadas’ pelo governo anterior de cariz conservador.
Pela primeira vez nasce na Europa uma réstia de alternativa, muito ténue, colocada no centro do espectro político e com o FMI à perna link. São interessantes embora decalcadas da receita universal as perspectivas emanadas do responsável do FMI na Eslovenia, Antonio Spilimbergo, e o que realmente pode ter acontecido no último acto eleitoral em questões de mudança.
Espero que a Eslovénia venha a ser um mau exemplo para o conceito europeu de superação da crise.
Vamos esperar para ver.

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