Passos perdidos no labirinto de Bruxelas

Bruxelas prevê que Portugal venha a falhar a meta do défice, dado o “perigo de desvio significativo” na consolidação orçamental de 2016, e pede (‘impõe’) mais «medidas estruturais» (‘austeridade’) ou seja, devemos continuar a empobrecer, como aprendemos sofridamente nos últimos anos, e preparar-nos para, no calvário, seguir a Grécia.

É cada vez mais doloroso recordar as reações de Passo Coelho e Cavaco após a vitória do Syriza, pareciam jograis, numa azeda reação de quem tem da democracia uma leve ideia e respeita os povos consoante a sua opção de voto.

Dizem as agências noticiosas que Bruxelas se preocupa com o salário mínimo português e, quando se pensaria que a fonte de preocupação é o montante escasso, é o excesso que vislumbra no miserável montante.

Bruxelas prevê para 2016 o défice de 3,1% do PIB, longe dos 2,7% do Governo, que se dedicou à liquidação do Estado e degradação dos serviços públicos, numa programação definida por esta maioria apadrinhada pelo PR.

É difícil prever o destino da Europa que exonerou a solidariedade dos seus valores, que trocou a integração pelos nacionalismos, a visão de futuro pela navegação à vista e o sonho pelo egoísmo.

Quem, em Portugal, se babou de gozo com a intransigência da UE perante a Grécia, há de sentir remorso quando vir o precipício em que a Grécia nos precede. Passos Coelho receberá os trinta dinheiros, algures, na Europa, enquanto o PR goza as delícias da casa da Coelha e o País exangue lembra o Governo que, depois das privatizações, ainda grita “Ave Caesar morituri te salutant”, genufletido aos pés da Troica por que ansiou.

Mísera sorte!

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