Santarém já chegou à Madeira… (a de Alberto João Jardim)

Depois do ato hipócrita e oportunista de Cavaco Silva, a condecorar a cidade onde viveu o herói de Abril, Salgueiro Maia, e donde partiu para a gesta gloriosa que culminou com a rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo, aparecem os ressentidos de Abril a reescrever a História.

Cavaco Silva, democrata tardio, outorgou a Santarém a Ordem da Liberdade, não pela relevância da cidade no 25 de Abril, que a não teve, mas para se aproveitar da coragem e nobreza do honrado militar a quem negou uma pensão que concedeu a dois PIDES.

É bom lembrar que os militares do 25 de novembro foram também homens de Abril, do «Grupo dos 9» ao general Costa Gomes, que entregou ao comandante militar de Lisboa, general Vasco Lourenço, a coordenação das operações que Ramalho Eanes comandou operacionalmente e onde se destacou o Regimento de Jaime Neves.

Isto é a história da data que dilacerou militares amigos e que, por elementar respeito ao 25 de Abril, a única data libertadora e consensual, devia evitar comparações.

A Assembleia Municipal de Santarém, numa traição a Salgueiro Maia e à sua memória, prepara-se para aprovar uma moção do deputado municipal do CDS/PP, António Borba, para substituir a sessão comemorativa do 25 de Abril, que recusou fazer, por uma outra, a do 25 de novembro, enquanto não comemora o 28 de maio.

É a História que está a ser reescrita por nostálgicos da ditadura, o regresso a valores que o bando que se apoderou do PSD e o seu ornamento da coligação – o CDS –, permitem, com o silêncio de quem exonerou da lapela o cravo, do quotidiano a Constituição e de Belém o espírito de Abril.

Ponte Europa / Sorumbático

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