A Espanha e o reincidente presidente do passado

Foto de El País
 Mariano Rajoy começou mal este mandato: minoritário em Espanha, com o PP atolado em casos de corrupção e com ganas de regresso ao passado, até na simbologia da posse.

Rajoy não entende que preside ao governo graças à convergência de interesses pessoais que minam os partidos do bloco central de diversos países europeus. E, se o pensamento único do capitalismo financeiro tem favorecido a direita e a extrema-direita, também se verifica uma radicalização à esquerda.

E é imprevisível o paradigma que substituirá um sistema esgotado.
Cada vez mais próximo, por cálculo ou convicção, do pouco recomendável Aznar, este presidente do PP, acabou por tomar posse com a mão direita na Constituição e a outra na Bíblia, atrás de um crucifixo que ameaça crucificar a laicidade do Estado. A bíblia e o crucifixo pesaram mais do que o artigo 16.3 da Constituição, referido pelo jornalista Joaquín Prieto, em El País: “Nenhuma confissão terá carácter estatal”.

Que Aznar, franquista sem escrúpulos, com ligações ao Opus Dei, cúmplice da invasão do Iraque e amigo do peito e da hóstia dos sectores mais retrógrados da Igreja católica, gostasse de uma coreografia assim, compreende-se. Que Rajoy, no século XXI, traia a Constituição e exclua o apoio dos conservadores laicos, é uma temeridade que lhe dará a indulgência dos franquistas, mas aliena o respeito do País, cada vez mais secularizado.

Quando um governante começa o mandato de mãos postas, em breve se põe de joelhos, e acabará de rastos antes terminar o mandato.

Comentários

e-pá! disse…
CE:

Saber se o Rajoy é igual, ou semelhante, a Aznar, nas convicções e no oportunismo, é uma questão despicienda.
Na realidade, integram todos a mesma família (política). Rajoy é irmão de Aznar, ambos filhos de Iribarne e, por fim, netos de Paco (Franco).
É uma espécie de ‘clã galego’ que, perante circunstâncias muito concretas, adoptou Aznar.
Rajoy continuou Aznar mas é visível que esgotou o seu tempo. O que assistimos agora é o estertor de uma cúpula em franca queda.
O problema será encontrar o senhor que se segue. Muito me admiraria se não fosse um ‘bisneto de Paco’…
e-pá:

E não é só em Espanha que os bisnetos do fascismo se aproximam do poder.

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